Atualização do elenco, personagens secundários e elenco antigo

Depois da entrada triunfal do Henry, eu estava devendo uma atualização do elenco do nosso futuro longa metragem. rs

Eis que finalmente atualizamos o quadro. Aproveitei e incluí dos personagens secundários até o momento, os pais da Arwen e os pais do Chris.

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Elenco principal: Arwen – Alexandra Daddario / Alexis – Hailee Steinfeld / Dani – Ellen Page / Chris – William Moseley / Daryl – Logan Lerman / Josh – Ben Barnes / Misty – Georgie Henley / Bill – Zachary Gordon / Ludi – Birdy / Selina – Jennifer Lawrence / Gabe – Tyler Posey / Seifer – Callan McAuliffe / Fabian – Zoe Aggeliki / Wenna – Normani Kordei / Henry – Johnny Simmons

Elenco secundário: Liv – Liv Tyler / Bryan – Tom Everett Scott / Cal – Zooey Deschanel / Andy – Ben McKenzie

E aqui a lista disponível no IMDB.

E conforme o prometido há mil anos, o elenco antigo! Ui!

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Elenco antigo: Arwen – Katie Holmes / Alexis – Natalie Portman / Dani – Rachel Bilson / Chris – Chris Evans / Daryl – Jared Leto / Josh – Hayden Christensen / Misty – Mary Kate Olsen / Bill – Tobey Maguire / Anna Brightbelt – Tia Carrere / Selina – Christina Aguilera / Gabe – Danny Masterson / Seifer – Jason Behr / Fabian – Jessica Simpson / Wenna – Catherine Zeta-Jones / Anna Valerious – Kate Beckinsale / Moonlight – Alexis Bledel / Amy – Avril Lavigne / Felicia – Vivien Cardone / Heather – Dulce Maria / Julianne – Emma Roberts / Cypri – Evangeline Lilly / Suze – Mariska Hargitay.

E aqui também a lista no IMDB.

Poxa, acho que melhorou consideravelmente o elenco, pelo menos no quesito noção básica de idade, rs.

Harry Potter e a Ordem da Fênix

(ou Accio Staff e os PotROmaníacos)

Para comemorar o Halloween em grande estilo e com um clima bem nostálgico, um post extenso, é verdade, mas épico. Ele foi escrito nos dias antigos do Accio, e trata-se de uma fic off topic, quando os membros do site se debandaram para o cinema trouxa para assistir a estréia de Harry Potter e a Ordem da Fênix nas telonas. Por volta do dia 05/08/2007, a aventura estava totalmente escrita, mas não se sabe porque a dita cuja nunca foi ao ar. Vale ressaltar ainda que essa fic nada mais é do que uma releitura mágica das nossas próprias experiências cinematográficas – de todos nós, os autores malucos do Accio – na ocasião da estréia do filme. Portanto, a maioria dos fatos relatados aqui, pasmem, é verídica e qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência.

 

Parte 1 – Ida ao cinema

Sabemos que demoramos para postar alguma coisa referente ao filme, mas vocês têm idéia de quão difícil é botar tanta gente de casas diferentes, juntos, para assistir um evento trouxa? Os grifinórios e lufas providenciaram os ingressos, mas só arrancaram os sonserinos do conforto gélido das masmorras por chantagem da tia Anna, com seus maravilhosos sanduíches de bacon. Depois de argumentarem com os corvinais que ir ao cinema seria algo muito instrutivo, nosso elenco finalmente saiu de Hogwarts para ver o filme Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Arwen Potter e Alexis Dumbledore foram as primeiras da turma a chegar no recinto. Para fazer jus ao nome da escola (Hoggy!!! Hoggy!!!), elas foram adequadamente uniformizadas. Resultado: a população do cinema trouxa encarando absurdamente as duas, como se elas tivessem saído das telas.

Trouxa desconhecida 1 (mas eu juro que parecia a Mione!): Ei, ei, você de orelha grande! Posso tirar uma foto com você?

Alexis: Claro que ela vai, por que não? Tudo para ver um trouxa feliz. Sorria, Zoreia, diga xiiiiiiiiiiis!

Arwen: ¬¬ 

Bill, de gaiato na história: Eu bem que podia ter saído na foto também, a trouxa é bem gatinha…

Trouxa desconhecida 1: Ei, você! Nossa, parece tanto o Harry!!!

Bill: *sem palavras*

Como todos chegaram cedo na esperança de conseguirem bons lugares (na época, não se vendiam assentos marcados nos cinemas) para toda essa trupe, obviamente eles se sujeitaram à ignorância dos seres desprovidos de magia, ouvindo o que não deviam enquanto esperavam a projeção começar. Claro que ninguém tem culpa de nascer trouxa, mas ainda assim, os comentários não deixaram de ser fantásticos.

Vale destacar alguns diálogos, só para vocês ficarem com um gostinho deste evento memorável:

Diálogo 1

Trouxa anônimo 1: Harry pega a japinha!

Bill  se remexe incomodado na poltrona e fala entre os dentes: Eles estão falando da Cho? Mas ela é chinesa, p***a!

Trouxa anônimo 2: Como vc sabe?

Trouxa anônimo 1/Bill, botando a cabeça entre os dois trouxas: Vi no trailer! / Eu sou da casa dela, oras!

Diálogo 2

Trouxa anônimo 1, querendo aparecer:  Quando aparecer o Harry, vamos gritar: HARRY HARRY?!

Trouxa anônimo 2: Não, só na hora do quadribol!

Um dos sonserinos marca a cara dos dois para azarar na saída do cinema: Fala sério, o Lorde das Trevas voltando e o trouxa quer saber de quadribol?

Depois de uma olhada da tia Anna em torno, as pessoas ficaram mudas (ou pelo menos passaram a falar mais baixo). As luzes apagaram e começaram a rodar os trailers. Trinta segundos depois, começaram a pipocar luzinhas e anteninhas, seguido por vozes distantes que não pertenciam aos presentes na sala de projeção.

Trouxa dona das luzinhas e anteninhas, indecisa entre assistir ao filme ou a jogo de futebol: gooooooooooooooooooooooooooooool!

E a galera toda em uníssono (sem nem saber direito o que estava acontecendo, só para se sentirem inseridos na bagunça): GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!

Arwen vira-se rouca de tanto gritar e indecisa quanto ao motivo, para Dani Lupin: O que tá havendo? Jogo de quadribol?

 

Parte 2 – O filme

Raios coloridos para todos os lados e rádios, celulares e projetor ficaram parcialmente danificados. Um ou outro trouxa remexe em fios e consegue que seus aparelhos voltem a funcionar e ouvem o restinho do jogo do Brasil. Antes que a vaia começasse, tia Anna manda um reparo para a cabine de projeção e a sessão pode finalmente continuar.

Diálogo 3

Alexis Dumbie, na cena com os tios de Harry, engasgando com a pipoca: Que roupa mais pin-up (moçoilas da década de 30, que andavam com umas roupitchas fashion e pernas de fora. Jogue o termo na busca de imagens do google e você logo vai sacar o que é uma pin-up) é essa da tia Petúnia?

Fabian, dando tapinhas nas costas da neta do homi: Até que a roupitcha é bonitinha, eu só queria saber de onde vai pular o amante dela, por que um modelito desse não deve ser sido escolhido para o dublê do pai do Crabbe!

Diálogo 4

Trouxa anônimo 1, quando os Weasleys aparatam: Olha! Eles teletransportam!

Diálogo 5

Trouxa anônimo: Ih, olha só o Dobby!

Gabe, olhando para trás: Acho que o Kretcher (Monstro) não vai gostar nadinha dessa comparação.

Dani Lupin, jogando um piruá em direção ao trouxa: E o Dobby não merece essa ofensa, viu?

Diálogo 6

Fabian, cutucando  Alexis Dumbledore: Nunca imaginei ver o Lorde das Trevas com roupas trouxas! Mas até que ele está bem para um morto vivo, não?

Alexis: É, ele está todo bonitão. E olha que não sou chegada nos tipos peçonhentos e sem nariz…

Norwena: Eu não acredito que as pessoas tenham tanto medo de uma pessoa que não tem nariz!

Arwen Potter: Putz, é mesmo, tá até parecido com um cantor trouxa nesse terninho chiquetoso, o … Droga, não tô lembrando o nome!

Trouxa anônimo (e intrometido): Michael Jackson!

Selina, caindo na gargalhada: É, e os dois têm problemas com garotinhos!

(observação: nessa época, Michael Jackson ainda pertencia ao mundo dos vivos, vindo a falecer apenas 2 anos depois).

 

Parte 3 – A Armada Dumbledore

Diálogo 7

 Sobre Neville Logboton – por Dani Lupin e Fabian Rain

Dani Lupin:  Esse é o Neville? Como cresceu!

Fabian, torcendo o nariz ao olhar a foto dos pais do Neville na 1ª formação da Ordem da Fênix: É, mas continua com a cara de paspalho de sempre! Também, o que poderíamos esperar do filho da Olga Prestes? Por Slytherin, que cabelo é esse?!

Hendrika, implicando em voz baixa: Quem desdenha quer comprar!

Cypri, se assegurando que a sonserina não tinha ouvido: Fica quieta, Hendrika!

Diálogo 8

Sobre o beijo

Trouxa anônimo 1: Olha lá, olha lá o matinho crescendo!

Trouxa anônimo 2: Harry vai beijar na boca!

Trouxa anônimo 1: Vai deixar de ser bv!

Trouxa anônimo 2: Tá pegando…..

Enquanto isso, o casal 20 da sonserina e a monitora de poções e seu noivo aproveitam o “intervalo” do filme para darem suas próprias versões de como devem ser os beijos cinematográficos. Quem pode faz, quem não pode comenta né?!

Arwen olha discretamente para algumas poltronas mais a frente e vê a cabeleira cinza do corvinal Belmont e suspira resignada.

Bill, voltando do banheiro: E aí, o que eu perdi?

Fabian: Um monte de trouxa que nunca beijou se realizando através da façanha do Potter de pegar a CHOrona. Agora sai da minha frente que eu quero ver se me botaram na Brigada Inquisitorial!

 

Parte 4 – Fim do filme

Diálogo 9

Tia Anna puxa o copo de refrigerante enquanto Dani e Suze se concentram no reconhecimento dos pais quando a tela mostra os Marotos adolescentes

Trouxa anônimo: O Snape era emooooo!!!

Tia Anna, engasgada com o refrigerante e com um olhar de ódio para o garoto: O cof..é ah…disse cof..delho infeliz?

Suze: Ah droga, já acabou o mergulho do Harry? Mas que memória fraquinha o Prof. Snape tem hein tia Anna!

Diálogo 10

Um dos garotos trouxas tenta puxar um “Vai Harry Potter” durante a luta com os comensais, mas algum outro mais sensato deu-lhe um beliscão antes que começasse.

Fabian: O que o pai do Draco faz de calças compridas? E que viadice é essa máscara?

Alexis nem escuta, pois está muito ocupada balançando a varinha como se também estivesse no duelo phodástico.

Bill: Olha lá, parece um monte de Darth Vaders!

Arwen, ao ver os comensais puxando as varinhas: Puxa, fiquei desapontada agora… Achei que fossem puxar sabres de luz ao invés de varinhas.

Diálogo 11

Enquanto a pequena criatura conhecida como Dani Lupin se rompia em lágrimas na parte do véu, Fabian comenta, com a sensibilidade de um trasgo montanhês: A Belatriz Lestrange está muito bem para alguém que passou os últimos 15 anos em Azkaban, não acham?!

Diálogo 12

Sobre Luna Lovegood, por Alexis Dumbledore, Gabe Lupos e Suze Pettigrew.

Final do filme e todos esperam que não haja mais nenhum problema na relação trouxas-bruxos na sala do cinema, que ganhou um carpete formado por pipoca, bolas de papel e outros dejetos. Na parede, Luna pega a mão do Harry.

Trouxa 1: Vai lá cara, pega outra!!!

Trouxa 2: Garanhão!!!!

Trouxa 3: Esse aí é dos meus!!!

 

Parte V – Praça de alimentação

Diálogo 13

O Voldie é mau pela falta de nariz ou não tem nariz por que é mau? – por Norwena, Gabe, Suze, Dani e Arwen

Norwena: Eu mantenho a convicção de que tudo que Voldemort fez, ele fez porque queria um nariz. Só um nariz.

Gabe, empolgado com a idéia: Sim, essa é a real motivação dele.

Suze, tentando fazer os dois sonserinos caírem na real: Mas ele certamente tinha um nariz antes de ficar mau!

Arwen: Aí está. ele é mau pela falta de nariz ou não tem nariz por que é mau?

Dani Lupin: Eis a questão!

 

É isso aí! Feliz Halloween pra todos nós!

To put it right (Final)

Muitas horas mais tarde, os calouros da Sonserina que voltavam de uma aula de Astronomia foram surpreendidos por uma inesperada presença em sua sala comunal. Que era um ser, e não uma coisa, percebia-se pela respiração; que era uma pessoa, adivinhava-se pela forma, mas ninguém arriscou um palpite sobre a identidade da criatura que dormia, enrodilhada no sofá, debaixo de uma manta de lã adornada com desenhos de um padrão geométrico.

Quem será? sussurrou, no escuro, a pequena Mildred Baggins. Catherine Grumpy e Tim Trevor, a seu lado, não responderam, mas olharam com expectativa para Bernardo Lizard, o líder da turma, que se aproximava devagar, com as sobrancelhas franzidas e a varinha mágica pronta para ser usada. Sua mão livre, na qual o tremor era quase imperceptível, avançou para tocar a trança de cabelo negro que pendia do sofá – e foi quando Fangs, o cachorro de Gabriel Lupos, saltou por sobre o seu braço, com a respiração arfante de prazer e a língua de fora.

Uuui! Que é isso? Sombra? Ah, não… Fangs! exclamou uma voz feminina, com um sotaque meio estranho, de baixo da manta colorida. Tá bem, tá bem, Fangs, eu também estou feliz, mas agora pára com isso! Pára de me lamber! Deixa eu levantar daqui, pelo menos!

Glaci… ia dizendo Bernardo Lizard quando, vinda de trás, uma mão enérgica lhe tapou a boca.

Que estás a fazer, miúdo? Ias lançar o encanto do congelamento? perguntou, indignada, Felícia Souza, a portuguesa que cursava o terceiro ano. Não podias arranjar maneira melhor de ser expulso cá da Casa, pois não?

Expulso? Ma… mas essa mulher aí entrou sem…

Essa mulher aí? repetiu Felícia, com a voz aguda?Então não sabes quem é, ó parvinho? Essa é a Tia Anna!

A… a… Sra. Snape? gemeu o garoto, sentindo que suas pernas viravam geléia. À sua volta, a respiração dos outros calouros ficou suspensa enquanto assistiam ao abraço entre Felícia e a recém-chegada: um abraço forte, emocionado, sem reservas. Um abraço que jamais teriam esperado de alguém com aquele sobrenome.

E aí? Quem tem coragem de chamar o Prof. Snape? cochichou Tim Trevor.

Eu não, disse Mildred. Melhor pedir a um dos monitores.

O que está acontecendo? Ah! exclamou Severo Snape, estacando, com o olhar fixo e incrédulo, à porta da sala comunal. Atrás dele, sorridente, estava Gabriel, que mal esperara para ver a quem Fangs tinha ido saudar antes de correr para bater à porta do mestre. Anna se soltou dos braços de Felicia e se atirou nos do marido, sem se importar com os alunos que assistiam boquiabertos ao reencontro.

Ah, meu amor! Estava morrendo de saudade! exclamou, com os lábios junto ao pescoço de Snape. Nem acredito que pensei em passar o Inverno inteiro longe de você!

É… Sim, eu… Ah, Anna, espere. Com esforço, ele se desvencilhou do abraço, pigarreando antes de se dirigir aos alunos. Rapazes, senhoritas, esta é a Sra. Snape, profissionalmente conhecida como Prof. Brightbelt. Vocês a verão de novo amanhã, agora podem voltar para seus dormitórios. Lupos?

Senhor?

O que tenho marcado para amanhã cedo?

Deixe-me ver. Gabriel se aproximou de um mural de feltro verde-escuro. Sua primeira aula é às oito, professor. É para o quinto ano, Corvinal e Lufa-Lufa.

Desmarque. E que ninguém se atreva a me incomodar enquanto eu estiver em meus aposentos, tornou Snape. Sem mais uma palavra, ele se voltou e marchou pelo corredor, puxando pela mão a esposa que – sempre para o espanto de todos – ainda teve tempo de se virar e acenar um adeus, com um sorriso simpático. Até amanhã, pessoal!

 

…….Foi imprudência. Você não devia ter vindo.Na penumbra, o rosto de Snape tinha o perfil de uma foice. As coisas aqui estão cada vez mais difíceis. Para todo o nosso mundo. Para a escola. Para mim.Eu sei, meu amor. Mas é por isso, justamente, que não quero deixar você sozinho, disse Anna, olhando dentro dos seus olhos. Quero te apoiar. Te ajudar. E não tenho como fazer isso se continuar em Wakantanka.Claro, mas para você seria mais seguro se…OK! Vamos esquecer o que é e o que não é seguro

, replicou a moça. E vamos esquecer o amanhã: o que pode acontecer se Voldemort isso, se os Comensais aquilo e toda essa velha história. Vamos fazer de conta que só existe o aqui e o agora, e, sendo assim, me responda, Prof. Snape: você não está feliz por me ver?Sim.

. A mão esguia, de dedos longos e brancos sempre gelados, roçou o rosto de Anna numa carícia. Se só pensarmos no aqui e no agora, Prof. Brightbelt… então, definitivamente, eu estou muito feliz.Eu sabia! Sabia!

exclamou ela, com um riso de triunfo. Ao soltá-lo, ergueu os braços no ar, desequilibrando-se por um instante antes que Snape a puxasse de volta; seus olhos se encontraram de novo, mais intensos e brilhantes desta vez, expressando todo o amor e toda a angústia que não cabiam nas palavras.Too long I roam in the night,
I´m coming back to your side to put it right.

Por Anna Brightbelt Snape

Feitiço conjurado por Accio Staff às 15:15 h

To put it right (parte 2)

OK. Anna respirou fundo, depois exalou, uma nuvem branca e gelada se formando diante de seus lábios. Primeiro foram o Marcos e a Julia, depois os meus alunos de Hogwarts… agora é sua vez, então diga. Por que você acha que eu devo voltar para lá?

Não é óbvio? É o seu lugar. Por um momento, Blacksnake ficou em silêncio, mas logo voltou à carga. Há vários anos, quase dez se não me engano, você recebeu uma missão de nossa diretora, Jane Coyote Woman, e do Professor Alvo Dumbledore. Você devia ir para a Europa e trabalhar em prol da maior união entre os Caminhos Branco e Vermelho; e pode-se dizer que teve um bom começo, pois é a primeira vez que temos alunos de Hogwarts interessados e inscritos em nossos cursos à distância. Mas a ponte que você criou ainda é muito frágil, e tende a se enfraquecer e mesmo ser rompida se você permanecer aqui indefinidamente; e, se me permite falar com franqueza, o mesmo pode acontecer com seu casamento. É isso que você quer? Acabar, pela frieza e pelo esquecimento, com um amor que foi tão bonito?

Não! É claro que não quero isso! exclamou Anna, de punhos cerrados. A força de sua própria voz a espantou: ela não sabia que sua convicção permanecia tão firme. Ainda assim, os últimos encontros com o marido tinham produzido impressões e sensações muito estranhas, e foi isso que ela tentou explicar a Hal Blacksnake. Como, em nome do dever ou mesmo do amor que ainda sentia, ela poderia pôr em risco seu equilíbrio?

Porque você não conhece bem o Severo. Não sabe como ele era uns tempos atrás, argumentou, e a lembrança foi suficiente para fazer doer seu coração. A maioria dos alunos em Hogwarts… não, a maioria das pessoas, em geral, não gosta dele, mas eu me sentia muito bem e, principalmente, muito segura ao seu lado. Até depois daquele episódio do ataque à Escola, quando ele matou as harpíonas… eu estava fraca, abalada, mas ele me protegeu até o limite das possibilidades. Ele até se sacrificou por mim, participando da Dança do Sol aqui em Wakantanka, e assim pude me restabelecer e me curar. Era assim, Hal, o homem que eu amava, e era esse o homem para quem eu esperava voltar. Já teria voltado, aliás, se soubesse que ele continua o mesmo de antes. Mas das últimas vezes que o vi…

… ele estava sombrio, estranho e com os olhos sem brilho, completou Blacksnake, ele mesmo falando de um jeito soturno. Eu sei. Conheço Severo Snape melhor do que você imagina. E por isso mesmo lhe pergunto: será que a sua ausência também não contribui para que ele esteja assim? Como ele era antes que vocês ficassem juntos?

Não como agora, replicou Anna, mas logo uma reflexão se impôs. Mas ele melhorou um pouco de astral, eu acho, à medida que foi se envolvendo comigo.

Um pouco, não. Melhorou muito, afirmou Hal. Digo isso com base na minha correspondência com Gabriel Lupos e Padraig O´Connolly, entre outras pessoas que convivem e conviveram com seu marido. Ele nunca teve grandes habilidades sociais, é verdade, mas, entre a morte de Katrina Karkaroff e o início do caso de vocês, se tornou uma criatura absolutamente intratável. Agora, sem você por perto para apoiá-lo, e ainda por cima enfrentando o monte de coisas que está acontecendo em Hogwarts, bom… o homem está, literalmente, entregue aos demônios. Os que vivem nos sonhos dele, por enquanto, acrescentou, olhando com expectativa para a amiga.

Anna engoliu em seco e não retrucou. Das montanhas, ao longe, veio o eco abafado de um trovão, prenunciando a chuva que afastaria a possibilidade de mais uma nevasca. Mais alguns dias durante os quais ainda seria possível deixar Wakantanka. Seria o suficiente para refazer a ponte com Hogwarts? Nem os xamãs, nem os antepassados, nem mesmo o Grande Espírito poderia responder agora.

Bom, pessoal… O gerador não tem como esperar, anunciou Marcos Greenfeather, saindo de sua casa a esfregar as mãos. Mas a estrada ainda está impossível, por isso só apelando para um avião. Passei um rádio para o LeRoy e ele prometeu vir à tarde, aproveitando esta janela que abriu no tempo. Coyote Woman vai me matar, mas realmente não podemos…

Espere. LeRoy? perguntou Blacksnake, com urgência. O cara-pálida legal de Saskatoon que trabalha para a Cruz Vermelha?

É, esse aí. Não temos muitas opções, porque não é a todos que se pode revelar a existência de Wakantanka, mas felizmente contamos com ele.

Eu sei. E isso é bom. Mas, quando passa por aqui, ele geralmente vai a algum lugar depois, não é? Saskatoon, no mínimo, mas muitas vezes…

Montreal, confirmou Marcos. Ele vai para Montreal em seguida. Por quê?

Porque respondeu Hal, com um riso breve, é muito fácil conseguir vôos de Montreal para Londres. E em Londres não é difícil esperar por um trem que sai da Plataforma 9 1/2… ou estou enganado?

Não! Não está enganado não… e nem é só você que conhece o significado de sincronicidade, respondeu, num rompante, Anna Brightbelt Snape. Com os olhos brilhantes, ela se voltou então para Marcos, que, aturdido e admirado, parecia estar à espera de explicações.

Se o LeRoy vem à tarde, ainda deve dar para contactá-lo por rádio, disse, com a voz excitada e um pouco rouca de frio. Faz isso para mim, por favor, Chubby. Pergunta a que horas ele deve chegar. E pergunta… É, pergunta se ele não aceita levar uma passageira até Montreal.

(continua…)

Feitiço conjurado por Accio Staff às 15:03 h

To put it right (parte 1)

Que é isso, Marcos? Já de volta? E as baterias que você ia trazer da cidade?

Pergunte se eu consegui chegar lá… A neve bloqueou a estrada! O jeito é a gente acender fogueiras esta noite. E se nevar de novo já sabem. Mais uma semana sem gerador!

Marcos Greenfeather, líder dos jovens da Casa do Búfalo, saiu do jipe e caminhou pesadamente até sua cabana, onde Julia, sua mulher, já preparava um café quente e biscoitos para recebê-lo. Contrariados, os rapazes diante da porta se dispersaram, praguejando contra a neve que cobria a Escola de Xamãs. Era o inverno mais gelado dos últimos dez anos.

E vai piorar, comentou Hal Blacksnake, dirigindo-se à moça a seu lado. Logo vai ser impossível deixar Wakantanka, seja por terra, seja pelo rio; e isso pode durar até março, talvez até abril, quando as flores renascem. Você não acha que é tempo demais para ficar longe de seu marido?

Anna Snape se aconchegou nas dobras de sua manta e ficou em silêncio. Hal não insistiu com palavras, mas seus olhos esperavam resposta: aquela resposta que Anna não podia lhe dar, porque simplesmente não sabia o que pensar de tudo aquilo. Meses antes, ao chegar em Wakantanka, ela pensara que sua cura não se prolongaria por mais que uma estação; que seu corpo e seu espírito se fortaleceriam bem rápido, e que logo ela estaria de volta, retomando suas funções em Hogwarts e seu lugar ao lado de Severo Snape. No entanto, o tempo foi passando sem que ela se decidisse a partir, ao passo que o marido, em suas visitas esparsas e sempre muito curtas, parecia cada vez mais estranho a seus olhos. Não frio com ela, não, pelo contrário; não exatamente distante, mas, de qualquer forma, diferente do homem que ela conhecera e que amara contra todas as expectativas. A perspectiva de regressar a Hogwarts e de encontrá-lo desse jeito a deixava insegura, pois Anna ainda se sentia frágil, precisando de carinho e proteção e não de problemas.

Ela sabia que não escaparia de alguns, e talvez alguns bem grandes, se voltasse para Snape.

As juntas de Hal Blacksnake rangeram quando ele mudou de posição. Natural do Texas, ele não estava acostumado ao inverno canadense, mas resistia bravamente ao rigor do clima, recusando-se a permanecer fechado em sua cabana ou, como a maioria dos outros, nas áreas comunitárias, como a biblioteca ou o refeitório da Escola. Sua antipatia inicial, isso sim, havia cedido, e agora ele era um dos mais constantes companheiros de Anna. Também um dos mais queridos, embora ela não soubesse explicar a razão, visto que o conhecera há pouco tempo, contra os nove ou dez anos em que convivera com a maioria dos outros. Seria o fato de ambos gostarem de literatura e de contar histórias, e também do mesmo tipo de música, John Denver e Bob Dylan e tudo que pudesse ser tocado com um violão em volta da fogueira? Ou o jeito como se entendiam, com olhares e sorrisos? De onde viera aquela sensação de conhecê-lo tão bem e de saber, sem que ele houvesse dado nenhuma pista, o que diria a seguir?

Como agora, por exemplo. Ele pigarreava, olhando para ela, com o rosto contraído de frio. Sua mão nua e trêmula tateou o bolso do casaco em busca de cigarros, depois desistiu, subindo para o rosto de Anna numa leve carícia. E ela quase foi capaz de pronunciar as palavras junto com ele quando finalmente falou:

Anna, você precisa dar um jeito de voltar para Hogwarts.

(continua…)

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Por Anna Brightbelt Snape

*******Nota: o título deste post foi retirado da música Wuthering Heights. A letra completa diz bastante sobre a situação e os sentimentos de Anna em relação a Snape no presente momento.

Feitiço conjurado por Accio Staff às 12:30 h