Atualização do elenco, personagens secundários e elenco antigo

Depois da entrada triunfal do Henry, eu estava devendo uma atualização do elenco do nosso futuro longa metragem. rs

Eis que finalmente atualizamos o quadro. Aproveitei e incluí dos personagens secundários até o momento, os pais da Arwen e os pais do Chris.

ELENCO-2

ELENCO_secundario-2

Elenco principal: Arwen – Alexandra Daddario / Alexis – Hailee Steinfeld / Dani – Ellen Page / Chris – William Moseley / Daryl – Logan Lerman / Josh – Ben Barnes / Misty – Georgie Henley / Bill – Zachary Gordon / Ludi – Birdy / Selina – Jennifer Lawrence / Gabe – Tyler Posey / Seifer – Callan McAuliffe / Fabian – Zoe Aggeliki / Wenna – Normani Kordei / Henry – Johnny Simmons

Elenco secundário: Liv – Liv Tyler / Bryan – Tom Everett Scott / Cal – Zooey Deschanel / Andy – Ben McKenzie

E aqui a lista disponível no IMDB.

E conforme o prometido há mil anos, o elenco antigo! Ui!

ELENCO-4

Elenco antigo: Arwen – Katie Holmes / Alexis – Natalie Portman / Dani – Rachel Bilson / Chris – Chris Evans / Daryl – Jared Leto / Josh – Hayden Christensen / Misty – Mary Kate Olsen / Bill – Tobey Maguire / Anna Brightbelt – Tia Carrere / Selina – Christina Aguilera / Gabe – Danny Masterson / Seifer – Jason Behr / Fabian – Jessica Simpson / Wenna – Catherine Zeta-Jones / Anna Valerious – Kate Beckinsale / Moonlight – Alexis Bledel / Amy – Avril Lavigne / Felicia – Vivien Cardone / Heather – Dulce Maria / Julianne – Emma Roberts / Cypri – Evangeline Lilly / Suze – Mariska Hargitay.

E aqui também a lista no IMDB.

Poxa, acho que melhorou consideravelmente o elenco, pelo menos no quesito noção básica de idade, rs.

A elfa e a vampira – final

Anna entrou na sala de DCAT alguns instantes antes do professor começar sua aula, que alguns consideravam desnecessariamente negra demais. Sentou-se em uma carteira sozinha. Os livros que tinha ocupavam o outro assento e insinuavam acertadamente que a sonserina não queria companhia naquela aula. Ignorando o fato de o professor ser o diretor de sua casa e estar falando sobre maldições e feitiços defensivos, a morena de olhos verdes começou a escrever algo aleatório no pergaminho. Como um poema, ou uma crônica talvez. Não tinha passado do primeiro parágrafo quando sentiu como se um fantasma tivesse passado por ela. Tremeu involuntariamente. Procurou entre os alunos alguém que talvez tivesse notado o que tinha acabado de acontecer. Foi quando deu de cara com uma morena da grifinória, de orbes castanhas que a observava pelo canto dos olhos, de maneira muito sutil e quase que incessantemente.

Arwen Potter examinava à distância a garota pálida que julgava ser a causa do mal estar que sentia em todas as aulas conjugadas com a Sonserina. Fazia suas anotações sobre a matéria quase sem perceber, às vezes mal olhando para o pergaminho em sua carteira. Dentre muitas das coisas que achava ser fruto da sua imaginação deveras fértil, atribuir aquela sensação estranha à novata desconhecida não parecia ser mais um dos seus exageros. O anel de Lórien não deixava dúvidas sobre o pressentimento, queimando o dedo anular esquerdo da menina enquanto provocava rodopios leves em sua cabeça e um frio gélido ascendia pela espinha dorsal da semi-elfa. Quase hipnotizada, parou de mover sua pena e seus pensamentos voaram dali para o Madame Puddifoot, pairando exatamente no momento em que conversava com o professor Lupin e recebia os recortes antigos de jornal.

Ela os tinha guardado com cautela, apesar de aparentemente haver desistido de bancar a Marota Holmes. De súbito, sentiu uma chacoalhada de leve trazendo-a de volta ao mundo real. Era Alexis, que percebera o “transe” da amiga.

– Tá tudo bem? – perguntou baixinho.

– Tá. – respondeu monossilábica, ainda tentando juntar os fatos como num quebra-cabeças. O que o focinho tinha a ver com a tomada? Por que foi levada até aquela lembrança? Meneou a cabeça incrédula, ainda se sentindo estranha, e agora tentando evitar olhar a sonserina.

Anna notou que a grifinória que a observava desviou o olhar dela e respondia algo a sua companheira de carteira. Estreitou os olhos esmeraldados. O que é que aquela garota tinha que a deixava tão receosa? Seria talvez algum poder superior? Saberia ela do segredo que Anna guardava? Meneou a cabeça negativamente afastando esses pensamentos para longe. Não era possível. Foi quando a voz pro professor Snape cortou seus devaneios ao dirigir-se a ela.

-Senhorita Beckinsale – ele chamou calmamente, mas com um olhar furioso – Não costumo ter que chamar a atenção de alunos da minha própria casa, entretanto terei que fazê-lo se não me responder corretamente à pergunta que lhe farei.

Anna nada retrucou. Fitava o professor calmamente. Sentia vários olhares em si. Professor Snape repreendendo alguém da sua própria casa? Não, isso definitivamente não era normal.

-Eu acabei de falar que não existe maldição que possa ressuscitar os mortos. Entretanto há uma exceção a regra. A senhorita saberia nos dizer qual é?

-Sim – ela respondeu com uma frieza e calma que chegavam a ser penetrantes. – Entretanto não creio que se deva referir-se a isso como uma “maldição que possa ressuscitar os mortos”. Eles se tornam zumbis. Nada mais que fantoches comandados por aqueles que conseguem executar o inferi com perfeição.

A sala ficou em silêncio aguardando a resposta do professor. Ele curvou o lábio no que acreditaram ser um meio-sorriso e prosseguiu sua aula. Todos então voltaram a suas anotações habituais.

– Inferi? – Arwen murmurou baixinho para Alexis ao seu lado – Ele não falou nada sobre isso. Como ela sabia?

– Vai saber… – a outra respondeu no mesmo tom baixo, mas ainda assim displicente – Ela é muito estranha. Viu como é pálida? Tá precisando tomar um solzinho hein?

– Olha só quem fala! – retrucou Potter com os cabelos negros formando uma cortina sobre seu rosto – A nua maldizendo a pelada!

Depois de um resmungo baixo e ininteligível da srta. Dumbledore e de umas poucas risadas abafadas não contidas vindas de si mesma, a grifinória de orelhas pontudas descortinou o rosto, ajeitando as madeixas negras atrás das orelhas. Fingia anotar a aula, mas seus pensamentos voavam outra vez. Mas não para o passado, nem para algum lugar distante. Estava ali mesmo, nas masmorras do morcego Snape, fixo na garota estranha. Não a encarava mais, porém não conseguia desviar a mente dali.

“Conhece bem artes das trevas, pelo que vejo… Quem será e de onde ela vem?” – pensava, enquanto rabiscava arabescos e bolinhas no pergaminho. “Muito estranho… mas não tenho nada com isso, a vida alheia não é da minha conta.”

“Claro que é! A dela é sim!” – respondia uma vozinha lá dentro da sua cabeça – “Se não fosse, o anel não arderia em sua mão, sua tola!”

Suspirando fundo, tentando se conter, olhou novamente de esguelha para a menina mais adiante. Prosseguiu seu debate consigo mesma.

“Nem tudo o que reluz é ouro e nem tudo o que arde no meu dedo é coisa do anel ou seja lá do que for de magia élfica. Se fosse assim, quantas outras vezes meu dedo teria queimado? Estou ficando louca, definitivamente, estou discutindo comigo mesma! Que absurdo!”

– Pois então, srta. Potter, menos 20 pontos para a Grifinória por estar falando sozinha. Não consegue segurar a língua dentro da boca nem para conversar com seus botões?

Ela se ajeitou na carteira, olhando sem graça para o professor diante dela e da amiga. Alexis olhava para o lado contrário, para não piorar ainda mais a situação.

– Já que está tão bem no assunto que pode se dar ao luxo de conversar sozinha, a senhorita poderia me dizer o que pode como se defender de um inferi? Se é que sabe do que estamos falando…

Ouviu um soar de risos da platéia sonserina, menos de duas pessoas ali presentes: Selina Grant e Anna Beckinsale permaneciam sérias, observando a grifinória à distância.

Arwen de fato não fazia a menor idéia de como se defender daquelas criaturas horrendas. Sabia o que eram por alto, já que eram repetidamente mencionados nos panfletos e cartazes do Ministério da Magia. O que aconteceu em seqüência foi tão súbito quanto o mal estar e quanto a discussão consigo mesma. Respondeu segura, como se dominasse o assunto. Ouvia claramente uma voz melodiosa soprando a resposta em sua singela orelhinha. Encheu-se de si mesma e respondeu ousadamente.

– Fogo, professor. – e sentiu os olhos amarelados da marota amiga ao seu lado, encarando-a com ar bestificado – Basta atear fogo em algum lugar para que os mortos-vivos se afastem e nos deixem em paz.

Respirou aliviada, mas sem saber de onde saíra aquilo. Não tinha dúvidas de que não havia errado a resposta. Fixou os olhos vítreos cor-de-mel nos escuros e estreitos do professor, quase com ar de desafio.

– Menos 5 pontos para a Grifinória pela petulância de responder algo à frente da matéria dada.

Alexis abriu a boca para protestar, mas Arwen a beliscou por debaixo da mesa, fazendo com que a companheira se calasse antes de falar. Melhor deixar como estava, perder mais pontos só atiçaria a ira de sua casa contra elas.

Anna estreitou os olhos pela segunda vez na aula. Era por isso então, em grande parte, o motivo da rivalidade entre sonserinos e grifinórios. A sonserina deu ombros para os próprios pensamentos. Era tolice discutir consigo mesma, aquela era uma aluna que não parecia ter nada de excepcional além da inteligência e da beleza. “E das orelhas pontudas” – uma vozinha na sua mente falou suavemente. Anna mordeu o lábio inferior com força quase fazendo-o sangrar. Tinha alguma coisa errada. “Você nunca realmente deu bola pra esses instintos vampíricos antes Anna, não vá dar agora e arranjar confusão logo de cara na escola nova” – ela repreendia-se mentalmente. Enquanto travava uma luta particular em sua mente não notou que os lábios já tinham começado a sangrar e que o som da voz do professor parecia estar se afastando cada vez mais. Piscou repetidamente. Via vultos pelo canto dos olhos. “E essa agora…” Logo os vultos começaram a se multiplicar e quando, finalmente uma gota de sangue pingou no pergaminho ela parecia ter sido engolfada pela escuridão. Tinha perdido a noção do tempo.

Olhou ao seu redor. Novamente os olhares da sala estavam em si.

-Senhorita Beckinsale, a senhorita está bem? – o professor perguntou.

Anna acenou afirmativamente com a cabeça. Não sabia o que tinha acontecido. Via alguns pingos de sangue no pergaminho que deveriam ser as anotações da aula. Passou a mão nos lábios limpando o restante do sangue. Professor Snape pigarreou e todos se voltaram para ele.

-Agora, já que a senhorita Beckinsale pôde voltar a si podemos dar prosseguimento à aula – ele falou em um tom desafiador. Ninguém ousou protestar.

Mais tarde, Anna fez uma anotação mental, de perguntar a Selina que diabos havia acontecido com ela.

Alexis deu um cutucão em Arwen, que agora encarava explicitamente a garota estranhamente bela da casa “rival”. A cena de minutos antes se repetia em sua frente inúmeras vezes – Beckinsale escorregando pela carteira, com os braços pendidos, pescoço amolecido, porém virado para diante, olhos verde-esmeralda muito vivos, mas distantes, perdidos em algum lugar longínquo, fora de si… A pele pálida da garota se transformando em porcelana alva e fria, o sangue sumindo das veias enquanto os dentes dilaceravam o lábio inferior da menina e pintava de vermelho o rosto, as vestes e o material da garota. Um novo arrepio gélido percorreu a espinha da grifinória, que outra vez sentiu o mundo girar, mas conteve-se. Não daria mais motivos para descontos na pontuação da sua casa, nem mais shows para os expectadores de ambas as turmas. Entretanto, a pouca concentração que possuía se esvaiu. A visão da sonserina fora de si se repetia infinitas vezes, como uma tortura.

– Zoreia??? Tá me ouvindo? Acorda, filha de Merlim sem calças, a aula acabou, você vai ficar aí?

Alexis a despertara do seu sono profundo ainda que ela tivesse consciência de que se mantivera acordada o tempo todo. Quanto tempo se passou, não soube avaliar de imediato. Irritadinha a olhava cabreira, enquanto Arwen verificava se a sonserina novata estava bem. Viu Beckinsale sentada ainda em sua carteira, recolhendo muito devagar seu material. Teve ímpeto de se levantar e dirigir-se até a garota, mas repreendeu-se de novo. Precisava sair das masmorras o mais rápido possível, precisava de ar, precisava de sol, luz, calor… Necessitava urgentemente respirar. Mas os dias sombrios que pairavam sobre todos não permitiriam nada além de oxigênio para restaurar a vitalidade da grifinória, que mais uma vez sentia o peso do anel herdado de sua mãe. Saiu em passos apressados, quase correndo do subsolo da escola, deixando Alexis para trás.

Por Arwen e Anna Valerious.

A elfa e a vampira – parte 1

As corujas sobrevoavam as mesas no salão principal da escola. Era o primeiro dia de aula após o fim de semana friorento que brindou os alunos de Hogwarts. Uma certo pesar incomodava a grifinória de orelhas pontudas, sentada na mesa da sua casa, mal ousando beliscar um pãozinho. Era aula de DCAT. Nas últimas semanas todas as aulas em conjunto com a Sonserina haviam sido uma tortura para a garota, e mesmo não dizendo nada a ninguém, suas amigas notavam que havia algo errado. Alexis principalmente, que dividia a carteira com a amiga em todas as aulas.

– Zoreinha, num vai comer nada não? – perguntou preocupada.

– Vou, eu acho… – respondeu evasivamente.

– Hora de irmos! – Dumbledore se levantou recolhendo a mochila e puxando a amiga.

No caminho, conversavam banalidades e Arwen acabou se distraindo. Desceram as escadas escuras, frias, iluminadas pelos horripilantes archotes e chegaram nas masmorras. Acomodaram-se como sempre, pegaram o material escolar, depositando livros, pergaminhos e penas sobre a carteira. Tudo parecia muito bem, obrigada. Tudo muito normal, corriqueiro e cotidiano. E eis que a pequena grifinória de olhos cor-de-mel mais uma vez teve uma de suas vertigens. Começou como sempre, um arrepio gelado na espinha, o anel pesando e queimando sua mão e o calor subindo pelo seu braço esquerdo, deixando-o adormecido. A sala de aula então começava a girar e ela acabava abaixando a cabeça apoiando-a nos braços cruzados em cima da mesa. Respirava fundo, as paredes paravam de se mover lentamente e o foco voltava à sua visão. Às vezes era mais intenso, outras mais ameno, outras ainda muito rápido. Alexis e Daryl insistiam em levá-la até Madame Pompom para fazer uma avaliação geral, mas ela se recusava. Sabia que de nada adiantaria. Tinha certeza de que era algo ligado às suas faculdades (ou seriam dificuldades???), e as escassas pessoas que conheciam sua origem e seus talentos pouco comuns já lhe haviam advertido de que o socorro não seria fácil caso precisasse de ajuda: muito pouco se sabia sobre o povo élfico desaparecido do mundo há tantas eras. Logo, teria de se virar sozinha.

O que a deixava intrigada era a forma como aquilo começara. O que tinha demais em dividir aulas com a Sonserina??? Não era da turma do Malfoy e sua gangue, tinha bom relacionamento com alguns colegas da casa das serpentes… E de um momento para o outro as aulas com os discípulos de Slytherin começam a ser uma verdadeira sessão de tormento para a semi-elfa.

Já estava refeita quando sentiu outra onda de frio tremer o corpo e tirar o ambiente de foco. A visão turva vislumbrou um vulto muito pálido, com uma sombra negra sobre a cabeça caindo pesadamente sobre os ombros e as costas, que ela julgava ser uma cabeleira lisa… E um par de faróis verdes faiscantes. A visão foi entrando novamente nos eixos e o vulto se mostrou uma garota muito pálida, de longos cabelos negros e lisos e olhos verde-esmeralda. Notou que a menina que acabara de entrar nas masmorras também tremia de frio. Abraçava o próprio corpo e olhava para os lados, como que procurando o vento frio que a atingira.

Desde então, não se concentrava, mal ouvia as palavras do mestre de DCAT. Era a quarta aula consecutiva que isso acontecia, mas nunca ela havia identificado uma possível fonte para o mal-estar. Mas o que tinha a novata a ver com aquilo? Devia estar ficando louca, ela pensava. Naquela aula, em específico, passou quase todo o tempo analisando a estranha e vez ou outra, sentindo outros episódios mais discretos do inconveniente mal-estar.

“Se isso durar o ano inteiro, vou precisar de reforço em DCAT, Poções e TCM” – pensava enquanto encarava a sonserina estranha – “Ainda bem que tenho vários amigos corvinais…”

Ajeitando-se novamente no assento, apoiou o queixo fino sobre os braços cruzados, enquanto tentava, mais uma vez, concentrar-se no conteúdo ministrado nas aulas. Depois tentaria descobrir o que havia de estranho acontecendo com ela. Não antes sem virar-se discretamente para trás para dar uma olhadela na sonserina novata, que inesperadamente, também a encarava.

Continua…

Por Arwen Potter e Anna Valerious

Conversa Noturna – final

Durante o que seriam os dois dias, mas acabaram se tornando uma semana, Neil foi investindo contra a menina que parecia ignorar sua presença e falar-lhe apenas quando era necessário. No dia em que o pai da menina chegaria Neil resolveu ver o treinamento de Anna. Ao entrar na sala – enorme – que já fora mostrada a dias atrás pela menina espantou-se ao ver que a menina estava pendurada de cabeça para baixo, segura apenas pelas pernas, numa barra de ferro que ficava quase na altura do teto. Ela fazia abdominal.

– Sabe, tem um jeito mais fácil de você fazer isso. – ele falou sentando-se em um banco que ali tinha.

– E qual seria o objetivo de fazer o mais fácil? – ela respondeu sem nem olhar para ele.

– Você sabia que eu iria vir aqui não é?

– Sim. – ela descendo ao chão e agora pegava um bastão de madeira.

– Sabe, eu sempre fui fascinado por essa coisa de imortalidade quando criança, mas nunca imaginei que seria assim que as coisas seriam.

Ela riu.

– Imagino que pensava que teria glamour, aonde uma horda de vampiros bebiam sangue em taças de vinho e riam de histórias tolas.

Ele riu em concordância.

– Exatamente.

– É bem… Não se pode ter tudo. – ela sorriu enquanto dava golpes no ar com o bastão.

– Porque você é tão… assim?

– Assim como? – ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.

– Fechada. Parece que tem um muro que não te permite se aproximar de ninguém.

Ela parou no meio de um golpe. Jogou o bastão do lado, pegou a toalha secou o rosto e saiu da sala sem trocar uma palavra com o rapaz. No jantar daquela noite ela falou uma única frase antes de fazer a ceia em silêncio:

– Porque assim é mais fácil.

Neil limitou-se a sorrir para menina. Desde aquele dia, quando o rapaz vinha a casa fazer uma entrega qualquer eles cumprimentavam-se educadamente o que futuramente se tornou uma amizade.

_________________FIM DO FLASHBACK________________

Anna acordou de seus devaneios com Selina chamando seu nome.

– Anna? Então? De onde conhece o Kemp?

– É uma longa história. Mas por que o interesse? Achou ele um gato?

– Temos uma noite toda sem sono. Não tem nada a ver como fato dele ser bonito ou não. Ele andou brincando comigo e quero saber mais sobre ele. – Sabia que Anna não era de falar e que teria de fazer perguntas exatas.

– Brincando? Como assim?

– Eu te conto e você me conta, ok? Um dia que eu estava andando pelo castelo e ele apareceu do nada e me deu aquele espelho que você viu na minha cabeceira. Depois reapareceu para falar comigo e esse tempo todo sem falar o próprio nome.

– Ou seja, ele estava te cantando. – Anna sorriu, Neil só tinha perguntado sobre o hábito matinal da colega de quarto dela e pediu para não contar. – Sel, ele é muito bonito, não tem do que reclamar.

– Tá, ele estava me cantando e é lindo, mas mesmo assim ele me incomoda. Preciso me preocupar?

– Não acho que Neil Kemp seja alguma ameaça a você, entretanto, precaução nunca é demais não é? – Ela riu e uma sombra passou pelos seus olhos embora Selina que fitava a lareira não tenha notado – Olha, não posso julgá-lo. Eu não posso dizer que confio plenamente nele porque isso seria uma mentira, mas ele é um bom rapaz, isso é tudo que consigo te falar.

A garota de cabelos azuis fitou a colega de quarto. Tinha levado um bom tempo até que as duas se tornassem mais amigas. Anna não é uma pessoa grossa mas não é um livro aberto. Para ser amiga dela precisa de bastante empenho pra se conseguir sua confiança e muita paciência também.

Selina viu que era tudo o que conseguiria saber do rapaz que agora era seu guarda-costas, aceitou e se despediu da morena que ficou no salão. Iria dormir e deixar para se preocupar com isso outro dia.

Por Selina e Anna Valerious

Feitiço conjurado por Accio Staff às 15:06 h

Conversa Noturna

Anna perambulava pela sala comunal da sonserina naquela madrugada. Estava tendo crises de insônia. De novo. Enrolada numa manta cinza ela finalmente se aquietou e sentou-se no parapeito da janela que mostrava um céu cinzento e chuvoso. Ficou tentada a ir lá fora mas provavelmente pegaria um resfriado o que a obrigaria a tomar poções que a Madame Pomfrey receitaria, o que implicaria, obviamente, em alguns desagradáveis efeitos colaterais pelo seu lado vampiro.

A sonserina de olhos verdes ouviu a porta se fechar no andar superior e pode ver Selina descer as escadas com um robe por cima da camisola. Podia ver que ela nem tinha dormido e a viu sentar no sofá a sua frente.

– Te acordei andando para o todo lado? – Anna perguntou olhando para a amiga.

– Não, eu não estava conseguindo dormir, assim como você. – A sonserina de olhos cinzas sorriu meia boca e continuou – E como vi você descer resolvi vir atrás e perguntar algo que tem me inquietado bastante.

– Sim? – Selina já estava se acostumando com as frases curtas de Anna.

– De onde você conhece o Kemp?

Anna levantou uma sobrancelha, surpresa. Não esperava realmente que a menina perguntasse isso a ela, muito menos assim diretamente. E logo o seu primeiro encontro com Neil Kemp veio à mente.

_________________FLASHBACK_______________

Era um dia chuvoso no fim do mês de julho do ano passado. Como costume, Anna estava na mansão da Rússia que era na qual tinha os treinamentos. No momento a menina estava instalada no escritório com um livro sobre as antigas maldições no colo. Ouviu alguém bater na porta do escritório, abrindo-a em seguida. Um rapaz de cabelos loiros e pele alva estava parado no batente da porta olhando para ela com um pacote razoavelmente grande em mãos. – Ahn, desculpe, Jonathan Beckinsale está? – ele perguntou analisando o escritório e pousando seus olhos negros nos verde-esmeralda da menina. Anna suspirou e fechou o livro antes de responder. – Você deve ser Neil Kemp. Jonathan, meu pai, não está. Entretanto ele me preveniu que você poderia se tornar eficiente demais e entregar o pacote a tempo. – ela curvou levemente o lábio o que provavelmente indicaria um sorriso – Está na Inglaterra resolvendo problemas segundo ele burocráticos. Ele não me conta mais que isso e eu não pergunto. Ele me pediu, – ela falou esta última palavra com a entonação que dava a perceber que o pai a havia ordenado – para acomodá-lo no quarto de hóspedes e dizer que não é para se preocupar pois não vou mordê-lo durante a noite. – ela terminou a sentença com uma risada sem vida.

Neil hesitou mas logo falou o óbvio.

– Então você também é uma vampira.

– Meio, mas isso não vem ao caso. – ela falou sem emoção na voz.

Neil estava para perguntar mais alguma coisa mas foi interrompido pelo estalar de dedos que a menina dera. Logo um elfo apressado entrou pela porta.

– O que posso fazer senhora? – ele perguntou com sua voz aguda.

– Arrume o quarto de hóspedes do segundo andar. Leve a bagagem do senhor Kemp até lá e volte à cozinha. – ela falou olhando o elfo nos olhos.

– Sim senhora, sim, sim. Estou indo. Farei tudo rapidamente, sim senhora.

– Venha. – ela dirigiu-se a Kemp – Vou lhe mostrar os locais onde poderá ir durante o dia.

Ele seguiu ela não se atrevendo a fazer nenhuma outra pergunta. Ela lhe mostrou, diversos lugares da casa incluindo a sua sala de treinamento e o jardim de trás da casa.

– Não vá aonde não for necessário. Irá se perder muito fácil. – ela sorriu e complementou – Acredite.

Neil limitou-se a sorrir. Enquanto a morena o guiava para seu quarto resolveu quebrar o silêncio macabro que se instalava no corredor.

– Então, você tem quantos anos?

– 14.

– Você tem atitudes maduras demais para sua idade não acha?

– E você ao contrário. – ela respondeu num silvo.

Ele riu.

*continua

Por Anna Valerious e Selina

Feitiço conjurado por Accio Staff às 15:16 h