Atualização do elenco, personagens secundários e elenco antigo

Depois da entrada triunfal do Henry, eu estava devendo uma atualização do elenco do nosso futuro longa metragem. rs

Eis que finalmente atualizamos o quadro. Aproveitei e incluí dos personagens secundários até o momento, os pais da Arwen e os pais do Chris.

ELENCO-2

ELENCO_secundario-2

Elenco principal: Arwen – Alexandra Daddario / Alexis – Hailee Steinfeld / Dani – Ellen Page / Chris – William Moseley / Daryl – Logan Lerman / Josh – Ben Barnes / Misty – Georgie Henley / Bill – Zachary Gordon / Ludi – Birdy / Selina – Jennifer Lawrence / Gabe – Tyler Posey / Seifer – Callan McAuliffe / Fabian – Zoe Aggeliki / Wenna – Normani Kordei / Henry – Johnny Simmons

Elenco secundário: Liv – Liv Tyler / Bryan – Tom Everett Scott / Cal – Zooey Deschanel / Andy – Ben McKenzie

E aqui a lista disponível no IMDB.

E conforme o prometido há mil anos, o elenco antigo! Ui!

ELENCO-4

Elenco antigo: Arwen – Katie Holmes / Alexis – Natalie Portman / Dani – Rachel Bilson / Chris – Chris Evans / Daryl – Jared Leto / Josh – Hayden Christensen / Misty – Mary Kate Olsen / Bill – Tobey Maguire / Anna Brightbelt – Tia Carrere / Selina – Christina Aguilera / Gabe – Danny Masterson / Seifer – Jason Behr / Fabian – Jessica Simpson / Wenna – Catherine Zeta-Jones / Anna Valerious – Kate Beckinsale / Moonlight – Alexis Bledel / Amy – Avril Lavigne / Felicia – Vivien Cardone / Heather – Dulce Maria / Julianne – Emma Roberts / Cypri – Evangeline Lilly / Suze – Mariska Hargitay.

E aqui também a lista no IMDB.

Poxa, acho que melhorou consideravelmente o elenco, pelo menos no quesito noção básica de idade, rs.

Toca a andar!

(Do diário de Felícia Souza)

Pronto, a última a sair já se foi, e até apagou as luzes. Das cinco miúdas em meu quarto, só uma não foi convidada para a tal Slug Party, e ou muito me engano ou foi por isto que se meteu na biblioteca, a fingir que tinha de estudar para a prova de Feitiços. Como se as notas já não lhe chegassem para passar neste e nos próximos anos. Quanto a mim, se estou no dormitório não foi por falta de convite, mas porque não me apetecia mesmo. Não gosto que me convidem por ser a filha do Embaixador Manoel de Souza e não por ser simplesmente a Felícia. Esses convites com origem na família, deixo-os para gente como o Draco, que aliás também não sei se foi à festa, tão calado e metido consigo mesmo tem andado nos últimos tempos. Nem o Crabbe e o Goyle têm sido vistos ao pé dele. Noutras épocas, eu teria lá ido, a perguntar se estava tudo bem e o que podia fazer por ele, mas agora pouco me importa. Deixá-lo com os seus silêncios e as suas casmurrices. Já é a hora de eu me importar apenas com aqueles que me querem bem.

Os que me conheceram no último ano dizem que estou muito mudada. É facto: desde que vim do Pendragão, concluídas as últimas férias, tenho falado menos, exposto-me menos, e nem sequer tentei me aproximar do Andy, que lá continua às voltas com sua iguana de estimação. Só me cheguei àqueles que tinham provado ser meus amigos, como a Debbie e o Gabriel… e, é verdade, o Yann está cada vez mais perto de também conquistar um lugar no meu coração. O passeio que fizemos a Hogsmeade ficou guardado como um dos melhores, senão o melhor momento que cá passei depois da minha volta. Mal vejo a hora de o repetirmos, há de ser muito giro, principalmente se ele usar o cachecol que lhe comprei na loja de usados. Fica-lhe bem a valer com os olhos verdes… ah… Felícia, Felícia, não vás de novo apaixonar-te por um destes miúdos! Lembra-te dos dois últimos anos, de como sofreste, e não apenas pelo Andy. Pois a verdade é que, se de nada adiantou teres escrito mil vezes o nome Felícia Murray em teu caderno, também foi em vão escreveres Felícia Brightbelt Snape, e fechares os olhos a imaginar que o Prof. Snape e a Tia Anna eram os teus pais, e que cá estavam para cuidar de ti. Não estão: eles têm seus próprios problemas, que aliás não são poucos, e tu é que deves desenroscar-te como puderes, seja com as aulas, com os colegas ou com os rapazes. É difícil, mas não pode ser de outro jeito, porque é assim que se cresce. E recusar um convite como o do Slug, por saber o que ele representa, é prova de que cresci ao menos um bocadinho.

E o que é que uma rapariga crescida, que não tem cartas a escrever, nem sequer precisa estudar, está a fazer sozinha num dormitório? Anda lá, Felícia, levanta-te e vai dar uma volta, nem que seja para pilhar uns sanduíches esquecidos no Salão Principal. Sempre é melhor do que ficar aqui a sós, sem nem mesmo a companhia do piano do Prof. Snape, que não tem tocado nele nos últimos tempos. E certamente não com os roncos do Draco!

Upa, fora da cama, um sobretudo e chinelos e toca a andar. Slug Party, não, que a isso não se presta a filha de meu pai. Mas ficar aqui, no escuro, a sentir pena de mim mesma? Isto não é para ti, Felícia.

Recadinhos do coração:

Bom, já faz um tempo que me pediram, peço perdão de verdade mas não deu para colocar antes.

1) Acho que até já encerraram as inscrições mas visitem o Magia Envolvente que está muito legal

2) O Aprendizes de Hogwarts está com as inscrições abertas (eu acho).

3) Colocando de novo o link dos Pirados de Hogwarts que continua a procura de novos integrantes.

4) O blog Petrificus Totallus está com inscrições abertas.

5) Mais blogs precisando de integrantes! O 70’s at Hogwarts é ambientado na década de 70. Quer estudar em Hoggy na mesma época que nossos amigos Marotos? Cliquem no button abaixo:


6) Tem presentes para a marotada no Accio Dolls. Clique AQUI para vê-los!

E por hoje é só pessoal! Beijos marotos!

Dani Lupin e Zoreia Potter

Feitiço conjurado por Felícia Souza às 14:27 h

Um bom jeito de começar

Ahem… Felícia… Você está sozinha? Que tal ter uma companhia pra te ajudar a carregar suas compras… o meu irmão?

Felícia mal conseguiu acreditar no que ouvia de Seifer. Ansioso para se encontrar com alguém, ele praticamente empurrou o pequeno Yan para a frente dela, afastando-se, logo em seguida, sem que nem o irmão nem Felícia pudessem protestar. Ali estavam os dois, a menina e o garoto, na praça central de Hogsmeade, e nenhum dos dois sabia por onde começar.

É claro que teve de ser Felícia.

Hum… Estou a ver que este teu mano é pior que os meus primos, disse ela, franzindo o nariz. Vai atrás de uma gaja qualquer e deixa-te sozinho. E nunca tinhas vindo a Hogsmeade, pois não?

Não. E nem era para eu vir, porque ainda sou do segundo ano, disse Yan, metendo as mãos nos bolsos. Mas eu pedi ao Seifer, e o Prof. Snape deixou, porque… Olha, nem sei o porquê. Ele anda muito estranho ultimamente.

E é a mim que o dizes… suspirou Felícia. Apertando os lábios, ela se lembrou dos seus passeios a Hogsmeade, quando ainda era do segundo ano e a queridinha da Prof. Brightbelt. Fora Anna que escrevera ao pai dela, pedindo que assinasse a permissão para os passeios, e, quando esta foi dada, fora ela que convencera o marido a levar a menina consigo. Nessa época, o casal Snape estava empenhado na reforma da torre, e o Professor empregava quase todo o tempo em Hogsmeade fazendo compras, acompanhado de seu Elfo doméstico, Valquírio, e do arquiteto, o Sr. Campbell. Felícia fazia companhia a Anna, e as duas passeavam, olhando vitrines, entrando nas lojas, rindo e trocando confidências como tia e sobrinha. No fim, já com o Prof. Snape de volta, era de praxe o lanche no Madame Pudifoot, sendo o de Felícia um gigantesco milk-shake. Os professores, ao lado, tomavam cafés duplos, falando sobre a reforma e a neve e se dando as mãos sobre o prato de muffins, e a menina fechava os olhos e imaginava que seu nome não era Felícia Souza, mas Felícia Brightbelt Snape. Tinha sido uma época boa, e por muito tempo ela tivera esperança de que tudo poderia voltar a ser como antes, mas não mais. Agora, ela sabia que o ano anterior fora o último da sua infância.

Ehhh… Felícia, olha, eu… eu não quero te atrapalhar, disse Yan, interrompendo suas lembranças. Estou vendo a Debbie Brown ali, e a Mary Partridge… se você quiser ficar com elas…

Ah, não, Yan, não te rales. As duas vão passar a tarde a provar roupas e eu cá não estou para isto. Queria mesmo era ir à livraria, e depois ver se acho umas luvas para mim no brechó, e comprar chocolates… se quiseres vir comigo, és bem-vindo, disse Felícia. Sabia que ele ia aceitar, pois nenhum de seus colegas estava ali, mas ficou admirada com a felicidade com que Yan acolheu a idéia. Ele não parecia alguém que acompanha outra pessoa por delicadeza, ou por não ter nenhuma opção. Parecia deliciado.

A livraria foi a primeira parada: um universo encantado de prateleiras e caixas com saldos, que, Felícia explicou a Yan, eram o melhor lugar para garimpar tesouros. Duvidando, ele se dispôs, mesmo assim, a ajudar, e ao fim de uma hora eles tinham selecionado pérolas incríveis: quatro livros de poemas, a inacreditáveis dois nuques cada, um livro de feitiços de levitação que o Prof. Flitwick lamentava estar esgotado e uma brochura muito interessante sobre a flora medicinal dos Cárpatos. Yan fez questão de pagar, apesar dos protestos de Felícia, e de carregar a sacola, o que ela aceitou de bom grado. No brechó, depois de remexer em uma dúzia de cestas, ela achou as luvas que queria, e também um cachecol verde-escuro que insistiu em comprar para ele. Fica-te bem, disse, notando, pela primeira vez, como eram belos e profundos os seus olhos.

A tarde já ia a meio quando chegaram à Dedosdemel. De todas as lojas de Hogsmeade, essa era a que ficava mais cheia durante o passeio dos estudantes, e hoje não era exceção, mas Yan abriu caminho entre um grupo de Corvinais e conseguiu a atenção de uma vendedora. Estava ajudando Felícia a escolher bombons quando sentiu, acima do cotovelo, a pressão dos dedos da menina, cujo rosto, até agora sorridente, estava pálido e zangado.

Olha-me lá para isto, disse ela, apontando para Andrew Murray, que acabava se entrar na loja. Até para uma loja de doces leva o estafermo a sua maldita iguana. Se ela não tivesse escamas, creio que ele casava com ela, de véu e grinalda! A iguana ia chamar-se Camélia Murray, de certeza!

Olha… Eu sei que você gosta do Andy, disse Yan, lutando contra a timidez que lhe travava a língua. E até o meio do ano passado eu entendia. Ele era um cara legal. Mas depois que arranjou esse bicho, ele… sei lá. Ele ficou diferente, e para pior. Sinceramente, não sei por que você ainda liga pra esse bundão.

Pá, eu também não sei, Yan, confessou Felícia. Eu queria não ligar, visto que ele já demonstrou não querer saber de mim, mas sabes? É como uma teimosia que eu tenho cá dentro. Um dia, querendo Santo Antoninho, há de passar. Mas por enquanto…

Ah, por enquanto, tenta esquecer ele, disse Yan. Vamos acabar de montar as caixas. Vamos levar chocolate para o Prof. Snape. A gente deixa escondido na mesa dele. E depois… ah… quer dizer, está meio frio, e eu não comi direito no almoço. Você iria…

Tomar alguma coisa? Mas é claro!, exclamou Felícia, com desembaraço. Eu estou faminta!

E assim, deixando para trás a Dedosdemel, e Andy Murray, que comprava balinhas de goma para a sua iguana, Felícia Souza e Yan Snakeheart rumaram para o Madame Pudifoot. Para um milk-shake gigante, que, concordaram, acabava com toda a possibilidade de quererem jantar mais tarde. Para uma boa conversa, que, como Anna Brightbelt sempre dizia, é sempre a melhor maneira de começar.

Feitiço conjurado por Felícia Souza às 10:58 h

A Conspiração dos Pastelinhos

Do Diário de Felícia Souza

Pronto, eis-me vencida. Três dias durou a minha greve e o Prof. Snape não cedeu. Tive que admitir minha derrota, não perante o professor, que estava-se nas tintas para isso, mas perante os meus colegas, que apanharam-me em flagrante. Também… o que se pode fazer quando tudo conspira contra nós?

Porque foi mesmo uma conspiração, não há outro nome para isto. E uma conspiração perversa, envolvendo os maiores chefes da culinária internacional. Começou com o Valquírio, o Elfo doméstico que trabalha para os Snape e que a Tia Anna encarregou de cuidar para que os miúdos da Sonserina alimentem-se bem. Assim que anunciei a greve de fome, ele foi para a cozinha e de lá voltou com uma bandeja repleta de comezainas. Pizza, calzone, panini e um monte de produtos de pasticceria que pôs à minha frente para tentar-me. Entretanto, como eu mal tinha começado a greve, consegui agüentar firme, embora a morrer de pena do Valquírio, que, para punir-se por eu não ter comido, deitou a dar murros ao próprio nariz. As parvoíces que fazem esses Elfos domésticos!

Algumas horas depois da tentativa do Valquírio, a Debbie e a Mildred abriram uma grande caixa de muffins recheados no dormitório e ofereceram-mos. Sei que o fizeram intencionalmente porque se entreolhavam, e olhavam-me a mim, à espera da minha reação. Disse a elas que, se a culinária italiana não me havia derrotado, muito menos os doces ingleses, e fechei a boca. Elas não: comeram tudo até a última migalha. O resultado é que de manhã estava eu com fome e as duas com dor de barriga. Bem feito por tentarem dobrar a minha vontade!

O segundo dia da greve decorreu sem novidades, fora eu ter-me sentido tonta na aula do Prof. Binns. Creio mesmo que desmaiei por uns segundos, a sorte foi todos pensarem que eu estava a dormir, o que, francamente, toda a gente faz durante as aulas do gajo. Mesmo assim, agüentei firme, e passei a hora do almoço a estudar na biblioteca. O que eu mais precisava era Herbologia, mas me decidi por Feitiços porque, plantas, sempre há algumas que se tem vontade de comer. E eu nem queria ouvir falar em semelhante coisa.

No fim da tarde, outra tentação: na aula da Prof. Trelawney, além do chá habitual, ela serviu uns bolinhos de chocolate. Fiz das tripas coração e, pretextando querer ler meu futuro ali, despedacei o meu, enquanto os outros comiam. Veio a Trelawney e disse que as migalhas espalhadas indicavam que eu teria novos amigos ou um novo amor. Espero que sejam amigos, que nunca são demais: o único amor da minha vida é o Andrew. E enquanto eu pensava isso aquela iguana traiçoeira dele, a Camélia, vinha por trás e lambia todas as migalhas dos meus bolinhos.

Pela manhã, mais tentações, dessa vez internacionais, vieram testar a minha vontade. Primeiro, foi uma caixa de bombons com xarope de bordo da Tia Anna, acompanhadas de uma carta em que ela me pedia para desistir da greve e criar juízo. Querias, pensei, mas mesmo assim guardei com todo carinho a carta da minha amada mestra. E, é claro, guardei os bombons, para comer quando a greve realmente acabasse.

E, sabem que mais? Pouco depois disso, uma coruja cinzenta, com as asas muito sujas de poeira, sobrevoou o pátio da escola, e deixou cair nas minhas mãos a primeira carta que o Sam me manda depois de ter partido daqui. Dizia ele:

Ei, pequena! Como vai minha Sonserina preferida?

Conforme promessa, venho orgulhosamente apresentar o doce que dez entre dez australianos adoram: o cinnamon oblivion. Come rápido que o feitiço de congelamento acaba em poucas horas. E vê se não atormenta muito o juízo do Snapão… hehehe!

Beijão do teu eterno ranger,

Samwise B.

O Sam, sempre o Sam… Mesmo de longe, parecia que ele estava a falar-me ao pé do ouvido. E a sobremesa de sorvete com maçã e canela, geladinha, era tentadora… mas… ainda assim, resisti bravamente, e para não desperdiçar o doce dei-o ao Paddy e ao Gabe. Os dois estavam a lidar com um dos pacotes do Prof. Blacksnake, que chegou ao mesmo tempo que a carta do Sam. Imensa coincidência. Como eu esperava, eles regalaram-se com o cinnamon oblivion… e eu saí de perto para não ver aquilo.

Naquela noite, meu estômago realmente doeu de fome. Eu bebia água, claro, e a Debbie andou a espalhar que eu comia pasta de dentes, o que até pode ser verdade, mas foi sem querer. Mas nada substitui um bom prato de comida e o resultado é que naquela noite sonhei com açordas e bacalhau com natas. Acordei cedo, com a barriga vazia e uma enorme fraqueza, e foi então que os conspiradores deram-me o golpe de misericórdia.

Chegou pelas mãos do Sr. Filch.

Pacote para a Srta. Souza, disse ele, com a cara enfezada que Deus lhe deu. Ele acabava de voltar de Hogsmeade e retirar a correspondência que vem no comboio. Pensei logo que era do meu pai, que não gosta de usar corujas, mas logo reconheci a caligrafia do meu primo Nuno nas costas do pacote, e soube que a encomenda era do Pendragão. Minha aldeia!

Neta querida, cá estamos eu e os teus primos como sempre a morrer de saudades. Antes de ontem pensei tanto em ti que não consegui pregar olho, e para consolar-me um pouco fui à cozinha e fiz duas medidas da tua sobremesa favorita. O Nuno comeu a fartar-se e ainda sobraram duas dúzias dos pastéis de natas que tanto adoras. Aqui vão, com um grande beijo dos primos que muito te querem e o amor da tua avozinha

Idalina

Pá, não sou de chorar à toa, mas ao ler aquilo meus olhos encheram-se d´água… e, é claro, encheu-se também a boca. Fiquei ali por um momento, a ler as palavras da minha avó, a pensar no tanto que ela gosta de mim… e no tanto que se afligiria a saber que estou sem comer há três dias…

E o cheiro dos pastelinhos encheu-me as narinas…

E a vista deles encheu-me os olhos…

E sem perceber a minha mão avançou e a minha boca se abriu e… CHOMP! Lá estava eu, a meter os pastéis na boca, uns após os outros, e a mastigá-los e a engoli-los, com as bochechas cheias como as de um esquilo. Era o fim da minha greve!

Felícia! Até que enfim! exclamou a Debbie, que voltara à Sala Comunal para apanhar uns cadernos. Estávamos preocupados, sabia?

Tu estavas, eu sei, respondi. Quem mais?

Tá brincando? A Norwenna, a Mildred, o Gabe, aquele gordinho da Lufa-Lufa que é seu amigo, a Pansy, o Levinsky, a Prof. Sprout, o…

Eu também, disse, timidamente, uma voz de menino. Olhei naquela direção e vi o Yan Snakeheart, o mais novo dos irmãos, a fitar-me com simpatia em seus olhos castanhos. Nunca tinha reparado muito no Yan, a não ser o fato de que ele é diferente do Seifer, mas desta vez percebi que tem um belo sorriso e uma expressão muito doce. E eu, que estava arrasada por ter me deixado vencer pelos pastéis de nata, senti-me um bocado melhor ao olhar para o Yan. Ele parecia compreender… solidarizar-se talvez, que sei eu?

Isto é um doce típico de Portugal. Foi a minha avó que fez, falei, estendendo o pacote com os três que restavam. Querem provar?

Demorou!, disse a Debbie, e avançou para o pastelinho. O Yan hesitou, por educação, mas também aceitou um, e eu peguei o último. Ficamos os três a comer e eu a pensar que a conspiração tinha vencido, e que não entrava para o quadribol este ano… mas, ao mesmo tempo, a pensar nos bombons da Tia Anna que estavam no fundo da minha valise. Vou comê-los ainda hoje, depois do jantar, pois afinal a greve acabou, e… ora bem, perdido por dez, perdido por mil. Acho que até Salazar Slytherin concordaria com isto!

Feitiço conjurado por Felícia Souza às 00:09 h

Fedelha em greve!

Mas você não vai mesmo comer nada?, perguntou Debbie Brown, num tom mais agudo que o de costume. Ontem já foi assim o dia inteiro, e, agora…

Deixa! Quando der fome de verdade ela come, disse Emília Bulstrode, estendendo a mão para o prato de roscas com creme. Era hora do café da manhã, e a maior parte dos alunos estava atacando as delícias proporcionadas pelos Elfos da cozinha. Era isso que, todos os dias, Felícia também costumava fazer. Mas hoje, ah, hoje era diferente. Hoje ela estava magoada, chateada, revoltada contra o mundo e principalmente contra Severo Snape. Ela estava…

Em greve de fome, já disse! afirmou, pela enésima vez, aos colegas que tentavam fazê-la voltar à razão.

Mas, Felícia, essa greve é ridícula, argumentou Paddy O´Connolly, que viera da mesa da Lufa-Lufa especialmente para isso. Você fez o teste para o time, como vários outros. E não passou, assim como mais quatro. Fazer greve para quê? Qual é o drama?

O drama, explicou, emburrada, a portuguesinha, é que o meu teste foi muito bom… e tu sabes disto, pois estavas lá, não estavas? Não viste aquele mergulho que eu dei atrás do pomo, com a minha nova Coutinho e Cabral?

Vi, sim. Achei radical. Mas…

Mas o quê? Não me interrompas, que não termina aí!, prosseguiu Felícia. Tu viste como eu cortei o caminho ao outro miúdo, que só enxergou a fumaça atrás de si. Viste a que alturas cheguei e o meu ziguezague por entre aquelas duas raparigas. Então, quando até mesmo o capitão do time já me havia elogiado, veio o Prof. Snape a dizer que eu era rápida, sim, mas que o teste era para artilheira e que eu não tinha nada que estar a tentar apanhar o pomo. E que se eu não podia perceber a diferença, não podia fazer parte do time. Tem cabimento isto?

Bom… Na verdade…, começou Pansy Parkinson, com uma risadinha.

O quê? Na verdade o quê? Eu estava nervosa, só isso! replicou ferozmente Felícia. Estava nervosa, empolguei-me, e lá saí atrás do pomo, que aliás só não peguei porque aquele lambisgóia do Levinsky deu-me um encontrão por detrás. Mas eu sou rápida, tenho reflexos, e sei muito bem as regras do quadribol… Custava o prof. Snape dar-me outra chance?

Não sei. Snape não é de dar segundas chances a ninguém. Honestamente, Felícia, disse Pansy, com seriedade, você ainda tem mais três anos pela frente, e é tão magrinha que até o vento carrega. Por que não espera pelo ano que vem?

Nada disso! teimou a garota, cruzando os braços. Eu quero outra chance e o Prof. Snape há de dar-ma, a não ser que me queira ver morrer à fome. Olha lá, ele está a olhar-nos fixo, da mesa dos professores. Ele já sabe o que estou a fazer e qual é a causa.

É… Deve saber, disse O´Connolly, com um suspiro. O problema é que ele provavelmente não se importa. Se a Prof. Brightbelt estivesse aqui era outra história, mas…

Pois!, exclamou Felícia, com um sorrisinho de triunfo. Anteontem, antes de começar a greve, eu já escrevi para o Canadá a contar-lhe tudo. Pode ser que o Prof. Snape não se importe comigo, mas ela de certeza importa-se. Se a minha greve não o fizer mudar de idéia… quem sabe a Tia Anna faz?

E, dizendo isso, ela deu um sorrisinho… mas este se destinava apenas aos colegas, diante de quem gostava de se mostrar esperta, tão astuta e oportunista quanto julgava que deviam ser os sonserinos. No fundo, Felícia bem que sabia, não se sentia assim, nem achava que esse era o melhor jeito de lidar com as coisas. O que queria, na verdade, era conversar com o professor, conseguir uma segunda chance… conseguir um pouco da sua atenção. Afinal, não tinha a Prof. McGonagall dito que a sua Casa em Hogwarts seria como a sua família? E tudo não tinha sido tão bom, até o ano passado? Por que as coisas não podiam voltar a ser como antes? Por que não tentar fazer com que os Snape voltassem a se importar com ela?

Estou em greve de fome e pronto, repetiu, com uma decisão que só existia da boca para fora. Os colegas se entreolharam, alguns sorrindo, outros claramente irritados com o que consideravam mais uma infantilidade. E enquanto isso, do outro lado do mar, um par de olhos oblíquos se estreitava ao ler as palavras rabiscadas em uma carta, e um suspiro acompanhava a exclamação de Anna Brightbelt.

Felícia… Quando é que você vai crescer, minha querida?

Feitiço conjurado por Felícia Souza às 22:30 h