Ofanato Penning Side, Londres, 30 de Maio de 1989.

Martin Christopher White consultou o relógio pela décima vez aquela manhã. Dez horas e quarenta e cinco minutos. Ele já estava esperando a mais de meia hora. Como era possível que demorassem tanto para atender uma pessoa naquele estabelecimento. Ele ainda tinha um milhão de coisas para fazer naquele dia. Ainda tinha que passar no apotecário do Beco Diagonal para comprar alguns tubos de ensaio, recipientes de lacre mágico e ingredientes para uma nova poção. Martin estava tentando desenvolver uma nova espécie de “gnomicida” para dar um jeito nos gnomos que vinham destruindo seu jardim.

Ele queria obter uma solução que afastasse os diabinhos de seu jardim, sem fazer-lhes mal. Contudo, o máximo que conseguira até o momento era uma gosma grudenta que, a principio, mantinha os gnomos presos ao chão. Como eram criaturinhas muito espertas, não só descobriram um jeito de desgrudar-se da meleca pegajosa, como também desenvolveram um jogo, onde formavam bolotas de meleca e atiravam de volta no bruxo. Martin desconfiava que o gnomo que conseguisse acertar seu nariz ganhava o jogo.

De repente, a porta da sala de espera se abriu e uma mulher de meia idade, morena, com o cabelo preso bem firme em um coque adiantou-se, pigarreando. Ela usava roupas formais – uma saia cor bege, com cardigã creme e sapatos pretos de salto alto. Tinha uma expressão de poucos amigos.

– Sr. White? – disse ela.

– Sim. – ele respondeu.

– Meu nome é Miranda McCallister. O senhor poderia me acompanhar, por favor?

Sem pestanejar, Martin levantou-se e caminhou até a porta por onde a mulher havia acabado de sair. A porta levava à uma pequena sala, onde havia duas poltronas giratórias transpostas por uma mesa. Fechando a porta logo após a entrada de Martin, a mulher gesticulou para que ele se sentasse. Em seguida, caminhou até a outra extremidade da mesa e sentou-se também. Atrás dela, uma imensa estante, abarrotada de livros, tomava toda a extensão da parede. Miranda continuava em silêncio, com uma expressão de poucos amigos. Martin pensou que aquela mulher deveria ser a diretora do estabelecimento. Um pouco nervoso, ele não parava de esfregar as palmas das mãos suadas na superfície da calça jeans. Miranda parecia ocupada com uma pequena pilha de papéis sobre a mesa, que ela analisava minuciosamente.

– O senhor sabe por que está aqui, Sr. White? – ela perguntou, sem tirar os olhos dos papéis.

– Não, senhora.

O “aqui” a que a Miranda se referia era o tal estabelecimento, isto é, o Orfanato Penning Side, em Londres. A que Martin tivesse conhecimento, ele jamais encaminhara qualquer solicitação de adoção ao orfanato, e tão pouco conhecia qualquer pessoa que trabalhasse naquele lugar. Fora uma surpresa e tanto receber a intimação judicial que exigia que Martin comparecesse ao Orfanato o mais breve possível, para tratar de assunto de seu interesse, como dizia a carta. E ali estava ele, agora, completamente desconfortável diante daquele mulher de aparência ranzinza e severa, sem ter a menor ideia do que o aguardava.

– O senhor tem irmãos, Sr. White?

– Tenho um irmão, sim.

– Thomas John White, não é isso?

– Correto.

A menção do nome do irmão o incomodou um pouco, mas Miranda não pareceu perceber.

– Muito bem. – ela continuou – E a quanto tempo tempo o senhor não vê seu irmão, Sr. White?

Martin não respondeu. Ele sabia exatamente quando fora a última vez que vira o irmão. Foi no final de Agosto de 1983, durante um jantar em família. Todos comiam em silêncio, como se tivessem acabado de voltar do enterro de um ente querido. E Martin sabia que era assim que seus pais haviam passado a pensar nele, como um filho morto, desde que recebera a carta – aquela maldita carta – aos onze anos de idade. A carta que o convidava a ingressar na instituição mágica de ensino mais prestigiada do Reino Unido, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Para qualquer um que tivesse o mínimo de bom senso e a mente livre das amarras do preconceito, a descoberta de uma criança excepcional seria uma grande alegria. Mas para os White, conservadores e religiosos, aquilo era uma abominação, o mesmo que saber que o filho fora diagnosticado com uma doença contagiosa mortal. Martin ainda se lembrava do dia em que um homem com roupas exóticas chegara a sua casa para conversar com os White sobre a Escola de Magia. Lembrava-se perfeitamente de como os pais reagiram, o olhar de repulsa que lançaram ao homem e como o trataram.

O único que não o julgou mal fora Thomas, seu irmão mais novo. Para ele aquele garotinho de 8 anos, ter um irmão bruxo era tão fantástico quanto descobrir um tesouro enterrado no fundo do quintal. E, quando Martin decidiu seguir com o estranho para a tal escola de magia, foi entre as lágrimas de Thomas que o pai, John White, expulsou o filho mais velho de casa, negando a Martin o direito de regressar ao lar no fim do período letivo. E como se já não bastasse, John ainda deixara claro que não iria contribuir com uma única moeda para sustentar aquela abominação. O estranho, que mais tarde revelou-se professor de Hogwarts, garantiu aos pais – e, em especial, ao pequeno Martin – que não se preocupassem, afinal, a escola tinha um fundo de apoio monetário justamente para auxiliar alunos em situações como aquela.

E assim, Martin despediu-se do irmão mais novo e da mãe, que não dissera uma única palavra durante todo o episódio. Mas Martin não guardava mágoas em seu coração, pois sabia que sua mãe havia sido educada a obedecer o marido e segui-lo de toda e qualquer forma. Mas ele lamentou profundamente o fato de não poder mais ver o irmão e, por um instante, quase vacilou em sua decisão de seguir em frente, mas algo em seu coração lhe dizia que aquela a decisão certa e que mais tarde, de alguma forma, o destino se encarregaria de unir os caminhos dele e do irmão uma outra vez.

Por diversas vezes, Martin buscou retomar os laços com sua família. Escreveu inúmeras cartas ao irmãos novo e à mãe. Algumas vezes, até escrevera ao pai, também, contando-lhes como era o mundo novo que ele havia descoberto e, sobretudo, sobre a falta que sentia de casa, de estar com sua família, mas jamais obteve resposta. A escola não permitia a presença de alunos durante o período de férias e, por isso, Martin acabou indo morar com um de seus professores – o mesmo que lhe entregara a carta de Hogwarts e lhe contara sobre sua verdadeira condição. E quando tentou voltar para a casa de seus pais, descobriu com choque e tristeza que os White haviam se mudado para longe, sem deixar qualquer informação sobre seu paradeiro, na esperança de que o filho “morto” jamais viesse assombrá-los. Martin nunca mais viu o irmão, ou a mãe, e tão pouco o pai.

– Alguns anos, pra dizer a verdade. – ele respondeu, por fim.

– Entendo.

Mirando pareceu considerar a informação por um breve instante, antes de prosseguir. Ela levou os olhos aos papel e, respirando profundamente, como se tomasse uma decisão ergueu os olhos para o homem à sua frente.

– A questão, Sr. White, é o que o seu irmão está morto.

Por um breve segundo, o coração de Martin parou. Mas aquele segundou pareceu se estender por uma vida, a vida que ele nunca teve ao lado do irmão. Como em um encantamento, todas as lembranças que ele tinha de Thomas vieram à sua memória. Os passeios de bicicleta, os acampamentos de verão na floresta, a ocasião em que o pai lhe ensinara a pescar. E Martin pensou em tudo o que perdeu ao fazer sua escolha, em tudo o que deixara para trás. Não vira Thomas crescer, não vira o homem que ele havia se tornado e o que havia conquistado na vida. E agora, através de uma completa estranha, Martin descobria que jamais teria a chance de recuperar esse tempo. Surpreendeu-se ao constatar as lágrimas escorrendo por seu rosto. Era como se seu coração estivesse, de repente, sem um pedaço.

– Ele faleceu há cerca de três anos. – continuou Miranda, estendo um envelope à Martin – O avião em que ele e a esposa viajavam caiu durante uma intensa tempestade. Eu lamento informar, mas o corpo nunca foi encontrado.

Então Thomas tinha uma esposa. Havia se casado. Quanto da vida do irmão querido Martin havia perdido?

Ainda em choque, Martin vislumbrava a manchete de um jornal trouxa, onde os destroços de um avião podiam ser vistos em uma densa floresta. Logo abaixo, as fotos dos que haviam morrido no acidente. Martin não demorou para reconhecer, com olhos marejados, as feições de um homem de olhos azuis e cabelos castanhos, bem parecido com seu pai. Ao seu lado, uma belíssima mulher de olhos castanhos e um sorriso alegre. A legenda logo abaixo dizia “os renomados pesquisadores Thomas e Susan White.”

Sem aguentar olhar por mais tempo, Martin devolveu o jornal à Miranda e, fungando profundamente, enxugou os olhos com as costas das mãos. Ele evitou encarar a mulher a sua frente por alguns segundos, permanecendo em silêncio, como se tentasse se anestesiar de toda aquela dor repentina antes de seguir em frente.

– Sr. White – ela continuou – Eu não pedi que o chamassem aqui apenas para comunicar sobre esse triste incidente.

Por um segundo, Martin pareceu surpreso. Ergueu os olhos para Miranda, sentindo que suas sobrancelhas arqueavam-se.

– Acontece que seu irmão tem um filho.

Martin endireitou-se na cadeira, inclinando o corpo para frente, como se estivesse se esforçando para ouvir o que Miranda dizia. De repente, toda aquela conversa começava a fazer sentido.

– O nome dele é Henry e, atualmente, tem seis anos de idade. – Miranda continuou – Ele está sob nossos cuidados desde os três anos de idade, quando o acidente aconteceu. Na ocasião, não sabíamos da existência de qualquer parente vivo que pudesse assumir a guarda do garoto. Foi somente depois de muita procura que finalmente obtivemos informação sobre o seu parentesco com Thomas White.

– Eu… Eu não sabia que Thomas havia tido um filho – foi o que Martin conseguiu responder.

Por alguns segundos, Miranda permaneceu em silêncio, apenas observando. Era como se ela estivesse dando um tempo para que a mente daquele homem encaixasse as peças de toda aquela trama, até que ele mesmo se conduzisse ao final.

– Sr. White, nossa missão nesta instituição não é apenas amparar para crianças e jovens órfãos, mas garantir que eles venham a ter uma família, um lar que possam vir a reconhecer como seu.

– Sim, eu entendo. – ele respondeu.

– Então – ela continuou, colocando cada palavra cuidadosamente – o senhor compreende por quê eu pedi que o chamassem aqui, hoje?

Era óbvio. Se o garoto não tinha mais nenhum outro parente vivo que pudesse assumir sua guarda, e de repente eles encontravam um irmão perdido do pai do menino…

– Sim, senhora.

– Muito bem. – ela consentiu.

Miranda folheou os papéis que mantinha em mãos e, tirando do meio deles uma pequena fotografia, estendeu-a à Martin, que a tomou em mãos. Era impressionante como o garoto se parecida com Thomas, exceto pelos olhos, que eram iguais aos de Susan. Tinha o mesmo sorriso caloroso e gentil que Martin vira na fotografia dela, no jornal. Ele ficou encarando a foto pelo que pareceu um longo momento, e se surpreendeu não com as novas lágrimas que escorriam por seu rosto, mas pelo sorriso que havia brotado em seus lábios.

– O senhor gostaria de conhecê-lo? – Miranda perguntou.

– Sim, por favor.

– Acompanhe-me, por favor.

Miranda McCallister levantou-se e, adiantando-se, abriu a porta para que o homem a acompanhasse. Os dois voltaram pela sala de espera, tão vazia como quando Martin ali estivera esperando. Passaram um vasto corredor com janelas amplas, que davam visão ao pátio central do orfanato, onde uma duzia de crianças corria e brincava. Aproximando-se, Miranda e Martin pararam a certa distância dos pequenos.

– Henry, querido. – ela chamou, a voz de repente bem mais gentil e atenciosa do que minutos antes – Venha até aqui, por favor.

Ao ouvir seu nome, o garoto largou a bola com a qual vinha se divertindo com alguns amiguinhos e correu ao encontro da diretora.

– Henry, eu gostaria que você conhecesse o Sr. White.

– Olá, Sr. White. – ele respondeu, sorrindo para o homem.

Martin não conseguiu dizer absolutamente nada. Apenas caiu de joelhos diante do garoto e, tomando-o em seus braços, abraçou-o de tal forma que pode sentir o o coraçãozinho do menino batendo rápido de encontro ao seu peito. Um pouco tímido, Henry deixou que os bracinhos retribuíssem o gesto. E finalmente, depois daquele primeiro contato, Martin o soltou de leve, colocando as mãos em seus ombros e olhando fixo em seus olhos. Por um breve segundo, foi como se estivesse olhando para Thomas – o irmão que ele havia perdido.

– Você pode me chamar de Martin.

Henry sorriu, e foi como se um raio de sol atravessa seu rosto de encontro à Martin. Ele ainda não fazia ideia de quem era aquele desconhecido, que o abraçara de forma tão calorosa. Mas algo em seu coração lhe dizia que era um homem bom, alguém em quem ele poderia confiar, alguém que o levaria para casa e o ajudaria a encontrar seu lugar no mundo. Quanto a Martin, depois de tantos anos, ele sentiu que finalmente seu coração havia recuperado o pedaço perdido. E dessa vez, ele se encarregaria de fazer todas as escolhas certas, para que aquele pedacinho de seu passado jamais se perdesse outra vez, mas que florescesse sempre, daquele dia em diante.

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A despedida.

Sam e Marjorie estavam sentados, de mãos dadas, num banquinho de madeira nos jardins da estalagem onde ela estava hospedada, em Hogsmeade. Conversavam seriamente. As lágrimas teimavam em correr pelo rosto da moça, embora ela relutasse.
Braithwaite acabara de revelar seu segredo. As palavras dele perfuraram sua alma como punhais. Em sã consciência, ela não acreditava que pudesse ser algo duradouro, nem queria ter se envolvido tanto. Mas no fundo, sabia que já estava entregue, apaixonada e sofrendo com a despedida próxima.

Ele parou de falar, fitando os olhos de Marjorie. Ela viu sua imagem refletida nos olhos dele. Então entendeu. Havia encontrado quem ela buscara a vida toda. Mas por ironia dos destino não poderiam ficar juntos.
Entendeu também que ela significava para ele tanto quanto ele para ela.

– Marjorie – ele recomeçou a falar – eu gostaria de poder ficar com você aqui. Ou em qualquer outro lugar. Desde que fosse para sempre. Eu sei, tudo aconteceu muito rápido. E eu não esperava me envolver dessa maneira… No entanto, tenho aqui só mais uns poucos dias…

Ela permanecia em silêncio, agora olhando a grama abaixo dos seus pés.

– Parece impossível que possamos ficar juntos… O tempo está contra nós. Mas acredito que talvez algum dia, haja um jeito de mudarmos isso… se você quiser, é claro.

Ela levantou a cabeça, observando-o com seus grandes olhos azuis, ainda marejados de lágrimas.

– Sam – fez uma pausa, acariciando seu rosto com a mão – isso seria maravilhoso. E o que eu mais queria na vida agora. Mas acho que não devemos alimentar esperanças. Você ainda vai nascer daqui há 3 anos! Não poderíamos ficar juntos!

– Sempre há um jeito! Marjorie, você pode achar estranho, não acreditar… mas eu… eu a amo! Eu sei que foi muito repentino, e é algo que eu não posso explicar, somente sentir. Eu te amo, srta. McGonagall. Preciso que você acredite nisso. Mesmo que não possamos ficar juntos.

Eles se abraçaram fortemente, e as lágrimas dela agora umideciam o ombro de Sam.

– Eu acredito em você, sr. Braithwaite… ou melhor… sr. Snape – murmurou, quase sem voz – e eu também o amo. Muito!

– Brightbelt Snape – sem hífen, e riu.

Permaneceram abraçados mais alguns minutos. Então eles se afastaram e Sam continuou:

– Tenho uma coisa aqui para você. Para lembrar-se sempre de mim.

Tirou um pacote das vestes, entregando-a. Ela abriu e não pode conter o sorriso. Segurava o tecido vermelho bordado em dourado, com o brasão da Grifinória reluzindo na parte anterior da veste, e o nome “Snape” bordado nas costas.

– Abrigo de quadribol da Grifinória, 2014. Achei que você iria gostar, afinal, você me disse que foi uma daquelas grifinórias caxias, que faria qualquer coisa pela sua casa…

Ela pôs a mão no pescoço, tirando uma corrente de ouro que usava, com um pingente de iniciais “MM”. Enlaçou o pescoço de Sam, colocando-o nele.

– Eu não havia me preparado para uma despedida tão rápida… Espero que esse pingente sirva para lembrar-se de mim. Tenho esse cordão desde que nasci. Viveu comigo por 20 anos. Agora segue com você, já que eu não posso fazê-lo.

Beijaram-se e abraçaram-se mais uma vez. Agora não era só Marjorie quem chorava. Salazar também.

Feitiço conjurado por Misty McGonagall às 11:00 h

A verdadeira história de Sam (parte 2)

Cenário: a sala de LM, no fim da tarde. Com os olhos cheios de lágrimas, Anna fita Sam, que acaba de se revelar como o filho dela, vindo do futuro, Salazar B. Snape.

ANNA. Você escondeu isso da gente, durante tanto tempo… Por quê?
SAL. Porque eu tenho regras a seguir. Não pense que foi fácil… o tempo todo sem poder dizer quem eu era a você, ao meu pai, às pessoas que me viram crescer e que sempre admirei. Mas as leis de Sandman são claras, e também as da Brigada de Cronos. Só Dumbledore podia saber, o tempo todo, quem era eu.
ANNA. Brigada de Cronos? O que é isso?
SAL. Uma facção da Ordem da Fênix. Através de vários métodos, viajamos no tempo para prevenir, ou desencadear, certas situações. O meu método é australiano: eu me conecto com o Tempo do Sonho. Mas tenho que usar as portas de Reino de Sandman, ou Morpheus, como o Senhor dos Sonhos é chamado no Ocidente, e ele tem leis muito rígidas para quem atravessa seus portais. A sorte foi Helena e Gustavus terem estado lá e criado uma brecha.
ANNA. E a sua vinda tem a ver com essa guerra de que todos falam?
SAL. De certa forma, mas não está em meu poder impedi-la. Minha meta, além de pegar Helmut e Sorolenko, era ajudar o Paddy, o que acho que não consegui… e deixar a pesquisa encaminhada. E deixo também alguns objetos que poderão vir a ser úteis. O Paddy, que aliás sabe quem eu sou, vai ficar com uma arma de Wakantanka: o Arco da Intenção.
ANNA. Uau! Texugo poderoso!
SAL. Hehehe, é… e também tenho algumas coisas para o pessoal da Sonserina. Ah, e o bumerangue, claro. Cuide bem dele, porque um dia, quando seu filho for para a Austrália, você vai dar a ele o presente que ganhou do seu amigo desaparecido, Sam Braithwaite.
ANNA. Desaparecido? Por quê?
SAL. Porque esse nome e essa aparência foram criados com o propósito de vir aqui. Ao retornar para Frogbreath, volto a ser Salazar Snape, aquele que toda semana recebe uma coruja… com cartas e lembrancinhas da sua mãe coruja.
ANNA (comovida). Ah, Salazar. Você é um amor. Parece que, apesar das diferenças entre nós, seu pai e eu fizemos um bom trabalho de equipe com você.
SAL. Pode estar certa disso. Quer dizer, o produto final eu não posso garantir. Mas, sem querer puxar o saco, eu tive uma infância ótima.
ANNA. Aqui em Hogwarts?
SAL. É… brincando com meu amigo Artie, o filho de Gui e Giovanna Weasley, e aprontando em cada canto do castelo. Em todas as férias a gente viajava para lugares legais. E, apesar de ter recebido algumas doses do que o Snapão chama de velha e boa disciplina britânica, vocês me deram todo o amor e atenção de que eu precisava.
ANNA. E você acabou ficando mesmo na Lufa-Lufa?
SAL. Não. Eu escolhi essa Casa porque queria ficar próximo da Mavis e do Paddy. Além disso, ao compor o perfil do Sam eu resolvi mostrar mais o meu lado boa-praça, e isso combinava mais com a Lufa. Na realidade, é como eu disse ao Sorolenko: sou legal com quem merece, mas estou longe de ser cem por cento bonzinho.
ANNA. Hum… então você deve ser sonserino. Seu pai deve ter ficado muito…
SAL. Não! Eu não era da Sonserina. (sorri, ante a surpresa de Anna). Eu tinha tudo para ser, passei a infância sonhando com isso, mas o Chapéu Seletor decidiu que se ficasse lá eu nunca sairia da sombra do meu pai. Então, fui para a Casa que me traria mais desafios. Para mim ou para qualquer pessoa com o meu sobrenome.
ANNA. Ai. Ai, não acredito. Você caiu na Grifinória, meu filho?
SAL. Isso. Foi um choque para todos, e para mim não foi nada fácil. Mas os perrengues que passei lá me ajudaram a crescer, e também a perceber que devia trabalhar pela integração entre as Casas. Afinal, elas são complementares, todo mundo tem qualidades das quatro.
ANNA. Eu sei. Mas seu pai… ih, ele deve ter detestado te ver na Grifinória.
SAL. Ah, claro. E também detestou várias das coisas que eu fiz depois, especialmente os contos eróticos que publiquei com pseudônimo feminino, para levantar uma grana…
ANNA (arregalando os olhos). Caramba!
SAL. … e o fato de ter largado um ótimo emprego em uma multinacional de Poções para criar cavalos alados. Ele achava que tudo ia dar errado, como realmente deu, e levei tempo para reencontrar meu caminho. Mas reencontrei, felizmente, e estou aqui. E lá em 2027 eu sinto que meu pai voltou a ter orgulho de mim. Especialmente depois da Ordem de Merlin.
ANNA (encantada). Você ganhou a Ordem de Merlin? Não diga! Que barato!
SAL. Digo sim, e não fui só eu. Por nossa bravura ao salvar um povoado trouxa, assolado por uma enchente, em 2025, nós todos a recebemos: eu, você, meu pai, Neli e Ichabod. Toda a família, menos Tia Sara e as crianças Crane, que estavam em Snape Manor.
ANNA (ainda mais encantada). Crianças? Então, eu… eu vou ser vovó?
SAL. Vai. Por enquanto é só dos filhos de Neli, mas nenhuma avó de sangue vai ser mais amada do que você por aqueles dois pentelhos.
ANNA. Putz. (luta contra as lágrimas). Que sonho. E o seu pai, vai estar bem?
SAL. Ah, o Snapão vai estar firme e forte, aterrorizando a molecada em Hogwarts. Mas ele vai ter uma surpresa ao longo dos próximos anos. Ele achava que você ia passar a vida toda indo com ele aos eventos de Poções… e é ele que vai estar sempre fazendo malabarismos com as aulas para acompanhar você aos eventos de Literatura Mágica.
ANNA. Por Manitou. Que loucura! Espere até ele ouvir isso!
SAL. Er… Mãe… Ele não pode saber essas coisas agora. E você… (respira fundo) Você também terá que esquecê-las, a partir do ponto em que eu dei a mancada da lontra.
ANNA. Esquecer? Mas por quê?
SAL. Porque são as regras! Escute, você nem devia saber que realmente ia ter um filho. Imagina você me criando, me vendo crescer… e sabendo de tudo que viria a acontecer comigo no futuro. Coisa de louco, não é?
ANNA. Eu ia saber administrar!
SAL. Não, mãe. Ninguém sabe. Uma coisa é uma profecia, outra é ter estado em carne e osso na presença de alguém que você só deve conhecer no futuro. Não dá certo mesmo.
ANNA. E o Paddy? Vai continuar sabendo de você?
SAL. Não, vou apagar a memória dele também. Eu só contei para ele porque precisava de companhia para ir até a floresta. Fui eu, sem dizer quem era, que encontrei o Gagarin e o convenci de que você era a única pessoa a poder ajudá-lo. E olha que sorte que eu levei o Paddy: fui picado pelos mosquitos e, se não tivesse ajuda, era uma vez Sam Braithwaite.
ANNA. E Salazar Snape, não?
SAL. Talvez. Foi um risco que corri: o de morrer neste tempo, sem saber se nasceria normalmente daqui a poucos anos. Provavelmente não nasceria, e você e meu pai teriam outro filho, e o futuro iria mudar, mas essa é uma outra história. Nesta que estamos vivendo, você vai se esquecer desta conversa, vai ver o Sam indo para a Austrália e ter dele uma recordação cada vez mais distante. Tanto que eu, Salazar, mal terei ouvido falar no australiano gente-boa até ganhar o bumerangue… que um dia ele deixou com a Anna… e que eu vou trazer para cá, para deixar com você, depois de chegar à conclusão que o tal de Sam não podia ser outro se não eu mesmo.
ANNA. Putz! Isso é difícil até de acompanhar, quanto mais de entender!
SAL. Eu já desisti. Sei apenas que é… mágica. É assim que fica provada a sua tese: é muito mais divertido escrever fantasia do que ficção científica.
ANNA. Ah, Salazar. (Balança a cabeça, olhando para ele) Não consigo acreditar que você tem que ir assim. Eu… Eu queria…
SAL (abraçando-a). Shhh. Não chore, mãe…
ANNA (lutando contra as lágrimas). Não vou chorar. Só quero ficar um pouquinho… abraçando você, posso?
SAL (fungando). Pode…

Os dois ficam abraçados por algum tempo, em silêncio. Nenhuma música toca ao fundo, mas se houvesse uma trilha sonora certamente seria esta:

Eu insisto em cantar diferente do que ouvi.
Seja como for, recomeçar.
Nada há… mas há de vir.
Me disseram que sonhar era ingênuo. E daí?
Nossa geração não quer sonhar.
Pois que sonhe a que há de vir.

Eu preciso é te provar
Que ainda sou o mesmo menino
Que não dorme, a planejar travessuras
E fez do som da tua risada um hino.

SAL (desprendendo-se de Anna). Acho que agora devemos descer. Tem alguém subindo.
ANNA. São os alunos da Sibila.
SAL. Seja quem for, eles têm que me ver assim. (Assume a aparência de Sam Braithwaite)
ANNA. Como eu queria que seu pai pudesse te ver, como você é de verdade, e falar com você. Não vai mesmo contar a ele?
SAL. Não dá. Não pense que eu não adoraria dar um abraço no Snapão, mas é arriscado demais. Com ele não dá pra dizer o que eu preciso te dizer agora.
ANNA. Adeus?
SAL. Ainda não.

Ele toca a testa dela, olhando nos seus olhos. Sem resistir, inclina-se para beijar seus cabelos, enquanto tira das vestes a varinha de aveleira. Ergue-a sobre a cabeça de Anna, respira fundo, e só então murmura a palavra que não pode deixar de ser dita.

Obliviate.

OBS. A música incluída é Travessuras, de Oswaldo Montenegro. Para saber mais sobre a varinha de Salazar (uma relíquia, posso garantir!) leia Um Bruxo de Futuro, a primeira fic do site (ainda semiconstruído) http://www.snapeshots.blogspot.com

Feitiço conjurado por Anna Brightbelt Snape às 10:42 h

A verdadeira história de Sam (parte 1)

Apesar das emoções vivenciadas pelos que dele tomaram parte, o incidente na Floresta Proibida teve um desenlace que se pode dizer burocrático. Os alunos ainda dormiam quando regressamos, e só os que estavam na ala hospitalar viram quando Grisha, ainda sem andar, foi transportado até lá em uma maca. Totalmente recuperado graças a um contrafeitiço de Severo (Amor I love you, even more!), Hagrid instalou a harpíona que eu havia capturado em uma gaiola provisória, e depois se juntou a nós no escritório de Dumbledore, a quem contamos tudo que acontecera. O Diretor ouviu tudo com calma e, em seguida, determinou que o caso fosse comunicado ao Ministério da Magia.

Assim, no início da tarde, dois investigadores chegaram via chave de portal.Sem qualquer contestação, eles aceitaram o relato de Dumbledore, mas depois passaram quase três horas interrogando a todos nós, principalmente Sam. Como Severo havia previsto, disseram que ele teria que responder a um processo pela morte de Sorolenko, mas que o julgamento iria talvez levar meses, e até lá Sam podia viajar normalmente para a Austrália. Que diferença do mundo trouxa, onde ele nem poderia deixar a cidade!

Concluído esse arranjo, os agentes jantaram no Salão Principal (observados por todos os alunos, entre os quais circulavam mil boatos, como era de se esperar) e depois foram levados à presença de Helmut, que também interrogaram durante horas. Fizeram uma pausa para dormir e de manhã retomaram seus trabalhos, dessa vez com Grisha. Só na hora do almoço ficamos sabendo da sua decisão: eles iam levar Helmut para Azkaban naquela mesma tarde, e lá ele seria julgado, com base no que tinha confessado e em nossos depoimentos. O mais provável é que pegasse uma pena de média duração, talvez até curta, se colaborasse com mais informações sobre Voldemort e os Comensais. O corpo de Sorolenko seria transportado para Londres e entregue à viúva (e não preciso dizer que a existência de uma Sra. Sorolenko me deixou um tanto abalada). Quanto a Grisha, ficaria sob a custódia de Dumbledore até se recuperar, e o Ministério mandaria buscá-lo quando acontecesse. Havia boas chances de ele ser solto após um ou dois meses.

Isso porque eu fiz questão de depor a favor dele, disse eu a Sam, quando mais tarde nos vimos sozinhos. Afinal, ele tentou ajudar. E você sabe que é preciso coragem para desertar Voldemort.

Sei. É uma das razões pelas quais admiro tanto o Snapão. Falando nisso, eu vi a cara feia que ele fez quando você contou que tinha recebido o recado do Gagarin, e que não disse nada para ele… Como você vai driblar a fera?

Ah… eu peço desculpas, com jeitinho, respondi, um pouco vermelha, e Sam riu. Nós estávamos junto à janela, na sala de LM, admirando os reflexos que o Sol deixava na superfície do lago, e apesar de toda a confusão eu não conseguia deixar de pensar que Sam iria embora dentro de poucos dias. Eu teria realmente adorado se ele prolongasse sua estada em Hogwarts.

A escola vai ficar triste sem você, disse eu. Sprout já está inconsolável, e Paddy me confidenciou que nunca teve um amigo tão próximo. E olha que ele é Lufa-Lufa.

Grande Paddy! Também vou sentir a falta dele. E lamento não ter podido ajudar o Texugo Enamorado. Eu tentei aproximá-lo da Mavis, fiz de tudo para que ele aparecesse aos olhos dela como um herói, mas… parece que ela não consegue ver ninguém além do Hagrid.

É verdade. Mas Paddy é mesmo um herói. E você também, com aquele bumerangue, que aliás eu achei o máximo.

Mesmo? Que bom, disse Sam, animado. Porque eu vou deixar ele pra você, como uma lembrança do seu companheiro de batalha.

E, dizendo isso, ele passou às minhas mãos a peça de madeira polida e pintada, que transmitia uma suave energia às pontas dos meus dedos. Era a magia que falava: magia de xamã, mais antiga que a de meu povo, que escapava ao meu conhecimento, mas não à minha alma. Por tradição, um presente como esse não se recusa, mas se retribui, e eu peguei uma bolsa de couro, enfeitada com conchas, e a coloquei nas mãos de Sam.

Isso não é nada comparado ao seu presente, mas fui eu que fiz, expliquei, e ele assentiu, com a solenidade que o momento pedia. E agora me ensine como usar o bumerangue. Especialmente a parte das cobras e aranhas.

Você não vai trazer esses animais, replicou Sam. Como qualquer arma xamânica, ele vai conjurar os animais cujas medicinas você conhece. Então, onde para mim são dingos, cobras e aranhas, para você são lobos, coiotes…

E gansos! O que farei com um ganso?, perguntei, rindo. E com uma tartaruga?

Bom, todos os animais têm seu poder, você sabe. Certamente você encontrará uso para a tartaruga. E para a lontra também.

Para a … lontra? O sorriso em meus lábios morreu quando ouvi isso. Eu não tenho a medicina da lontra, Sam Braithwaite… ou seja qual for o seu nome, murmurei, olhando nos olhos dele. Um calafrio me percorreu de alto a baixo: eles pareciam ter mudado de formato desde a última vez em que eu o encarara. Para que fui fazer aquela pergunta?

Mas agora eu tinha começado e iria até o final.

Não tenho a medicina da lontra, mas em breve terei: estou praticando, disse eu, cruzando os braços.Mas eu nunca te disse isso, nem falei sobre o lobo, embora do coiote todos saibam. E, por falar nisso, nunca vi um dingo, mas sei reconhecer um coiote quando vejo um, e é um coiote o que você tem tatuado na perna. Você, e eu, e todos os meus companheiros de Clã em Wakantanka; e eu diria sem medo de errar que esse também seria o seu Clã, porque nós dois temos o mesmo jeito de olhar para o mundo. Mas, por outro lado, você sabe tudo sobre Poções, e notei que já chegou aqui arrumando a mesa de trabalho de um jeito que só o Snape arruma. E além disso você se parece com meu marido… e tem a mesma alergia rara da irmã dele. É muita coincidência, não é?

É verdade. E, sabe, durante anos, tive que tomar todos os meses um antídoto contra as picadas de mosquito-rajado, disse Sam, calmamente. Tudo porque se sabia que minha tia era alérgica… eu achava isso um exagero dos meus pais. Como poderia sequer sonhar que os mosquitos quase me matariam… na Floresta onde estive tantas vezes… quase trinta anos depois que nasci?

Olhou-me, com os lábios crispados, como se a emoção não lhe permitisse sorrir. Milímetro a milímetro, então, vi a cor castanho-avermelhada do seu cabelo dar lugar a um preto de azeviche, e suas feições se distorceram levemente, enquanto, num perfeito acento britânico, ele continuava a falar.

Foi por uma boa causa, mas menti para todos, exceto Dumbledore. Meu rosto engana, mas não tenho 19, e sim 27 anos. Venho mesmo da Austrália, mas não sou estudante, e sim funcionário da Escola Frogbreath; e antes disso fui aluno de Hogwarts, formado em 2017. Sei que faltam quase vinte anos, mas também faltam quase três anos para eu vir a nascer: este que você vê aqui veio do futuro, através de uma brecha no Reino dos Sonhos, deixada por Helena Troy e Gustavus Cappdioccian. E vim de lá para tentar ajudar Hogwarts, especialmente você e o Snape… Meu pai, acrescentou ele, olhando-me através das lágrimas, com uns olhos que já não eram azuis, mas negros e oblíquos como os meus. Como se alguém houvesse gritado Lumus Maximus!, então, compreendi tudo, e minhas mãos se ergueram para tocar o rosto fino e curtido de Sol de Sam Braithwaite…

Sal Brightsnape…

Salazar Brightbelt Snape, sem hífen, por favor.

Meu filho!

Feitiço conjurado por Anna Brightbelt Snape às 09:42 h

Das anotações de Marjorie McGonagall

Estou apreensiva e ansiosa. Que a situação em Hogwarts estava nada tranquila, eu já sabia. Mas o cerco está se fechando mais rápido do que eu imaginava.
Meu tempo aqui é curto, e temo não conseguir terminar a minha tarefa em tempo hábil.
E se não bastasse tudo… agora me preocupo com Sam.

Nos encontramos na tarde de sábado, no Madame Puddifoot, e acabou acontecendo. Eu tentava resistir mentalmente, mas todo o resto conspirava contra a minha consciência. Acabei me rendendo aos encantos do senhor australiano. Uau, que beijos! Carinhoso, simpático, zeloso, gentil…

Saímos do café e fomos a Hogwarts. Eu precisava encontrar Misty e despachá-la para Grimmauld Place, onde nossos pais a estavam aguardando. Conversei com tia Minerva e Dumbledore, dizendo da necessidade de enviá-la imediatamente, para acalmar o coração da mamãe. Como ela já fez os NOMs e as aulas já acabaram, não se opuseram. Anakin deve estar ajudando-a fazer as malas a essa hora. Melhor assim, quero vê-la longe de Hogwarts o mais breve possível, até que possa voltar em segurança. Uma pena eu não poder fazer muita coisa pelos demais.

Depois de resolvida a minha pendência mais urgente no castelo, Sam, que me esperava do lado de fora da sala de Dumbledore, segurou minha mão e me levou apressado, sorrateiro, em direção a… a cozinha???

– Sam, você já está com fome?
– Shhh, eu disse que há um lugar que gostaria de te mostrar.

Foi quando apareceu uma porta. Muito parecida com a porta da Sala Precisa. Sam a abriu e meu queixo caiu. Era uma enorme suíte antiga, um tanto empoeirada pelo desuso, cheiro de gato e continha um armário furioso, remexendo-se freneticamente.

– Sam, o que há naquele armário?
– Um bicho-papão! Hehehehe, quer ver?
– Não, obrigada – eu disse sorrindo.

Ficamos ali, conversando, namorando e aproveitando a companhia um do outro até o domingo à tarde. Desde então, eu não o vi mais, nem tive notícias.

Não estou com um pressentimento muito bom. Sinto que há algo de muito pior acontecendo. Sinto cheiro de perigo. E sinto o cheiro metálico de sangue.

Braithwaite, onde estará você agora?

Feitiço conjurado por Misty McGonagall às 08:19 h