Avoada, Irritadinha e Tonta

Prólogo: Este post é um “remake” de um outro bem antigo. Se passa no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando as maluquinhas Arwen, Alexis e Dani Lupin estavam no seu terceiro ano em Hogwarts e apesar de muito amigas, ainda não tinham os esquemas de aprontar conjuntamente. ;)

 

– Eu não acredito! Não posso acreditar! Essa detenção foi o cúmulo da baixaria!

A pequena terceiranista da Grifinória, Arwen Potter, seguia pelos corredores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts bufando e pisando alto. Ela seria capaz de azarar qualquer um que tentasse cruzar seu caminho naquele momento. O motivo de tanta zanga era mais uma detenção, dessa vez muito injusta, dada pelo professor mais amado da escola: Severo Snape.

O fato é que na noite anterior, ela precisou atender o chamado do Diretor da escola à noite, demorando-se um pouco mais no escritório do Professor Dumbledore. Ao retornar saltitante e faceira para a sala comunal da Grifinória, certa de que não estava fazendo nada de errado pois fora chamada pelo poderoso chefão, eis que ela dá de cara com a última pessoa que ela gostaria de ver naquele momento – o amado idolatrado salve salve professor ensebado de Poções.

– Perambulando pelos corredores após o toque de recolher, Srta. Potter?

Ela ficou muda, encarando o professor, com o rosto pálido. A menina não gostou nem um tico do tom de voz empregado pelo morcegão.

– Vocês grifinórios se acham acima das ordens superiores, não é mesmo? Todos os professores e responsáveis pela escola estão se empenhando em garantir a segurança dos senhores, mas vocês, grifinórios, consideram todas essas medidas desnecessárias, estou absolutamente convencido disso.

– Mas professor, eu… – a garota tentava se justificar.

– Detenção, senhorita. Amanhã informo data e horário. Agora pode ir.

– Professor Snape! Eu estou voltando do escritório do Professor Dumbledore! Ele me chamou lá, não estou desobedecendo nenhuma ordem.

Um risinho sarcástico se esboçou nos lábios finos do mestre das Poções.

– Pode ser. Mas não gosto do seu sobrenome.

E girando nos calcanhares, o ser engordurado seguiu adiante, deixando a garota estupefata e completamente descrente do que acabara de acontecer. Arwen então juntou o pouco de dignidade que lhe restava e zarpou imediatamente para a sua sala comunal, antes que Filch ou outra pessoa mal intencionada aparecesse e ela se ferrasse mais um pouco.

A chegada do novo dia não melhorou a sorte da mocinha. Mal terminara a aula de Transfiguração e Arwen fora abordada por um aluno da Lufa Lufa que lhe trazia um bilhete. Remetente? É, o morcego ensebado.

 

“Prezada Srta. Potter,

Favor comparecer nas masmorras no próximo sábado, após a partida de quadribol Grifinória x Sonserina para cumprir a sua detenção, às 13h. Não serão tolerados atrasos.

A tarefa a ser executada será lavar manualmente, sem uso de magia, os uniformes usados pelo time da Sonserina.

Atenciosamente,

S. Snape.”

 

Sem palavras para expressar toda a sua indignação, ela seguiu furiosa, rumo aos terrenos externos do castelo. Acertaria algumas pedras no lago para aplacar sua raiva, ou o almoço lhe causaria uma indigestão, se comesse naquele estado de ânimo.

A garota soltou uma pequena imprecação ao ver ao longe que a sua querida faia já estava ocupada por duas garotas. Pensando em expulsá-las de lá, na marra, para ruminar seu ódio mortal ao homem sem shampoo, seguiu firme em seu propósito até o seu recanto favorito. Entretanto, se acalmou um pouco ao perceber que se tratava de suas amigas, Alexis Dumbledore, colega de turma e de casa, e Dani Lupin, da Corvinal, também do terceiro ano. As duas mocinhas sentadas no gramado levantaram os olhos para ela quando perceberam que alguém se aproximava, e Arwen pode notar que as garotas também estavam com cara de poucos amigos.

– Então? Qual o motivo das caras de quem comeu bolo de caldeirão solado e estragado? – a grifinória recém chegada questionou as outras duas meninas.

– Nós estávamos aqui falando amenidades… – Alexis fez uma cara forçada de desinteresse – Estávamos comentando o ataque histérico do nosso querido professor de Poções para com a minha pessoa. E lá vou eu de novo, sempre com as mesmas comadres imundas da Ala Hospitalar.

– E eu, ganho detenções maravilhosas pelo menos uma vez a cada 15 dias. – Dani Lupin desabafou – A de hoje é: ajudar os elfos no jantar de segunda feira. Caramba, não me recordo nem de Harry Potter e Rony Weasley ganharem detenções com essa freqüência. Isso tudo porque ele mediu as ervas que piquei na aula e o tamanho final não estava de seu agrado. Francamente!

– Ok, acho que venci. – Arwen se pôs a explicar o episódio da noite anterior e mostrou às amigas o pergaminho que acabara de receber. As duas arregalaram os olhos.

– Isso já é crueldade… – Alexis estava indignada com a audácia do professor. Arwen, recolhendo de volta o pergaminho maldito, respirou fundo.

– Pois é, amigas, acho que ninguém na história de Hogwarts pegou uma detenção tão cabeluda quanto essa que ganhei de presente… E à toa!

– Sabem o que é pior? Essa não foi a primeira vez e com certeza não será a última. Teremos detenções e detenções até o final dos nossos dias nesta escola. Eu sei que apronto de vez em quando *cof cof* mas acabo levando muito mais castigos que os outros só porque sou filha do Lupin. E não é segredo para ninguém que o morcego ensebado odeia o papis, é só ver a cara que ele faz de quem tem bomba de bosta debaixo do nariz toda vez que o poderoso Lupão está por perto.

– E eu então? – Alexis comentou revoltada – Eu nem apronto tanto assim, mas como o mal educado do tio Snape parece que lê os pensamentos da gente sem pedir permissão… Ehr… é só eu pensar alguma respostona que lá vou eu de novo para as minhas amigas comadres.

– Eu apronto de vez em quando, não vou negar… – a menina Potter comentou, encarando o chão – Mas o maior problema é que eu sou azarada demais. Parece que eu estou sempre no lugar errado, na hora errada, com a pessoa errada. E ele ainda teve o descaramento de falar que estou detenta porque ele “não gosta do meu sobrenome”. Putz, que culpa eu tenho de ter o mesmo sobrenome do encrenqueiro do Potter?

Alexis suspirou mais uma vez.

– E agora você vai passar os embalos de sábado à tarde bancando o elfo doméstico para o time de quadribol da Sonserina… Deprimente.

As outras duas concordaram com a cabeça. Dani Lupin deu continuidade ao muro de lamentações:

– É… nós aprontamos. Cada uma com sua traquinice. E mesmo sem motivo algum, nós sempre nos damos mal. O que me faz pensar… Papis me conta tanta coisa da época da escola… Como ele e os amigos marotos estavam quase sempre safos das detenções? Vou tomar nota disso, é um assunto a se conversar seriamente com ele…

Arwen, de repente, se recordou de uma conversa que tivera com Dani Lupin meses atrás, quando ela mencionou os apelidos dos marotos amigos do Lupão.

– Aluado… Amofadinhas… Pontas… – ela pensava alto.

– Hein? – Dani e Alexis perguntaram ao mesmo tempo.

Arwen continou pensando alto.

– Avoada… Irritadinha… Tonta.

As outras duas continuaram encarando a amiga falando sozinha sem compreender patavinas.

– Ok, se cada uma de nós apronta isoladamente e sempre se dá mal, acho que uma saída razoável é unirmos forças contra Aquele-Que-Acha-Que-Sou-Elfo-Doméstico. Assim, não faríamos apenas uma pequena travessura, mas planos maleficamente calculados, sem falhas e à seis mãos. E convenhamos, é mais difícil pegar três do que uma de nós, não acham?

– Opa opa, espera aí, madame – Alexis balançava a cabeça, tentando organizar as idéias – Deixa eu ver se eu entendi. Você quer fundar uma organização não oficial para logros e brincadeiras anti Seboso? E que essa entidade seria uma espécie de Marotos de calcinha?

– É, é mais ou menos por aí… – Potter concordou com o raciocínio da amiga.

Dani Lupin abriu um sorrisão. Olhinhos brilhando de felicidade e contentamento. E logo em seguida, a cara de dúvida.

– Mas Arwenzinha… Os marotos eram quatro, e não três.

– E quem precisa de um Rabicho puxa saco atrás da gente??? – a menina respondeu.

As amigas caíram na risada.

 

“JURAMOS SOLENEMENTE NÃO FAZER NADA DE BOM, PRINCIPALMENTE QUANDO O ASSUNTO FOR O SEBOSO.”

Assinado: Avoada, Irritadinha e Tonta.

 

E assim nasceram as Marotas.

marotasnolago

Pela Marotada toda ali em cima. \o/