Ofanato Penning Side, Londres, 30 de Maio de 1989.

Martin Christopher White consultou o relógio pela décima vez aquela manhã. Dez horas e quarenta e cinco minutos. Ele já estava esperando a mais de meia hora. Como era possível que demorassem tanto para atender uma pessoa naquele estabelecimento. Ele ainda tinha um milhão de coisas para fazer naquele dia. Ainda tinha que passar no apotecário do Beco Diagonal para comprar alguns tubos de ensaio, recipientes de lacre mágico e ingredientes para uma nova poção. Martin estava tentando desenvolver uma nova espécie de “gnomicida” para dar um jeito nos gnomos que vinham destruindo seu jardim.

Ele queria obter uma solução que afastasse os diabinhos de seu jardim, sem fazer-lhes mal. Contudo, o máximo que conseguira até o momento era uma gosma grudenta que, a principio, mantinha os gnomos presos ao chão. Como eram criaturinhas muito espertas, não só descobriram um jeito de desgrudar-se da meleca pegajosa, como também desenvolveram um jogo, onde formavam bolotas de meleca e atiravam de volta no bruxo. Martin desconfiava que o gnomo que conseguisse acertar seu nariz ganhava o jogo.

De repente, a porta da sala de espera se abriu e uma mulher de meia idade, morena, com o cabelo preso bem firme em um coque adiantou-se, pigarreando. Ela usava roupas formais – uma saia cor bege, com cardigã creme e sapatos pretos de salto alto. Tinha uma expressão de poucos amigos.

– Sr. White? – disse ela.

– Sim. – ele respondeu.

– Meu nome é Miranda McCallister. O senhor poderia me acompanhar, por favor?

Sem pestanejar, Martin levantou-se e caminhou até a porta por onde a mulher havia acabado de sair. A porta levava à uma pequena sala, onde havia duas poltronas giratórias transpostas por uma mesa. Fechando a porta logo após a entrada de Martin, a mulher gesticulou para que ele se sentasse. Em seguida, caminhou até a outra extremidade da mesa e sentou-se também. Atrás dela, uma imensa estante, abarrotada de livros, tomava toda a extensão da parede. Miranda continuava em silêncio, com uma expressão de poucos amigos. Martin pensou que aquela mulher deveria ser a diretora do estabelecimento. Um pouco nervoso, ele não parava de esfregar as palmas das mãos suadas na superfície da calça jeans. Miranda parecia ocupada com uma pequena pilha de papéis sobre a mesa, que ela analisava minuciosamente.

– O senhor sabe por que está aqui, Sr. White? – ela perguntou, sem tirar os olhos dos papéis.

– Não, senhora.

O “aqui” a que a Miranda se referia era o tal estabelecimento, isto é, o Orfanato Penning Side, em Londres. A que Martin tivesse conhecimento, ele jamais encaminhara qualquer solicitação de adoção ao orfanato, e tão pouco conhecia qualquer pessoa que trabalhasse naquele lugar. Fora uma surpresa e tanto receber a intimação judicial que exigia que Martin comparecesse ao Orfanato o mais breve possível, para tratar de assunto de seu interesse, como dizia a carta. E ali estava ele, agora, completamente desconfortável diante daquele mulher de aparência ranzinza e severa, sem ter a menor ideia do que o aguardava.

– O senhor tem irmãos, Sr. White?

– Tenho um irmão, sim.

– Thomas John White, não é isso?

– Correto.

A menção do nome do irmão o incomodou um pouco, mas Miranda não pareceu perceber.

– Muito bem. – ela continuou – E a quanto tempo tempo o senhor não vê seu irmão, Sr. White?

Martin não respondeu. Ele sabia exatamente quando fora a última vez que vira o irmão. Foi no final de Agosto de 1983, durante um jantar em família. Todos comiam em silêncio, como se tivessem acabado de voltar do enterro de um ente querido. E Martin sabia que era assim que seus pais haviam passado a pensar nele, como um filho morto, desde que recebera a carta – aquela maldita carta – aos onze anos de idade. A carta que o convidava a ingressar na instituição mágica de ensino mais prestigiada do Reino Unido, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Para qualquer um que tivesse o mínimo de bom senso e a mente livre das amarras do preconceito, a descoberta de uma criança excepcional seria uma grande alegria. Mas para os White, conservadores e religiosos, aquilo era uma abominação, o mesmo que saber que o filho fora diagnosticado com uma doença contagiosa mortal. Martin ainda se lembrava do dia em que um homem com roupas exóticas chegara a sua casa para conversar com os White sobre a Escola de Magia. Lembrava-se perfeitamente de como os pais reagiram, o olhar de repulsa que lançaram ao homem e como o trataram.

O único que não o julgou mal fora Thomas, seu irmão mais novo. Para ele aquele garotinho de 8 anos, ter um irmão bruxo era tão fantástico quanto descobrir um tesouro enterrado no fundo do quintal. E, quando Martin decidiu seguir com o estranho para a tal escola de magia, foi entre as lágrimas de Thomas que o pai, John White, expulsou o filho mais velho de casa, negando a Martin o direito de regressar ao lar no fim do período letivo. E como se já não bastasse, John ainda deixara claro que não iria contribuir com uma única moeda para sustentar aquela abominação. O estranho, que mais tarde revelou-se professor de Hogwarts, garantiu aos pais – e, em especial, ao pequeno Martin – que não se preocupassem, afinal, a escola tinha um fundo de apoio monetário justamente para auxiliar alunos em situações como aquela.

E assim, Martin despediu-se do irmão mais novo e da mãe, que não dissera uma única palavra durante todo o episódio. Mas Martin não guardava mágoas em seu coração, pois sabia que sua mãe havia sido educada a obedecer o marido e segui-lo de toda e qualquer forma. Mas ele lamentou profundamente o fato de não poder mais ver o irmão e, por um instante, quase vacilou em sua decisão de seguir em frente, mas algo em seu coração lhe dizia que aquela a decisão certa e que mais tarde, de alguma forma, o destino se encarregaria de unir os caminhos dele e do irmão uma outra vez.

Por diversas vezes, Martin buscou retomar os laços com sua família. Escreveu inúmeras cartas ao irmãos novo e à mãe. Algumas vezes, até escrevera ao pai, também, contando-lhes como era o mundo novo que ele havia descoberto e, sobretudo, sobre a falta que sentia de casa, de estar com sua família, mas jamais obteve resposta. A escola não permitia a presença de alunos durante o período de férias e, por isso, Martin acabou indo morar com um de seus professores – o mesmo que lhe entregara a carta de Hogwarts e lhe contara sobre sua verdadeira condição. E quando tentou voltar para a casa de seus pais, descobriu com choque e tristeza que os White haviam se mudado para longe, sem deixar qualquer informação sobre seu paradeiro, na esperança de que o filho “morto” jamais viesse assombrá-los. Martin nunca mais viu o irmão, ou a mãe, e tão pouco o pai.

– Alguns anos, pra dizer a verdade. – ele respondeu, por fim.

– Entendo.

Mirando pareceu considerar a informação por um breve instante, antes de prosseguir. Ela levou os olhos aos papel e, respirando profundamente, como se tomasse uma decisão ergueu os olhos para o homem à sua frente.

– A questão, Sr. White, é o que o seu irmão está morto.

Por um breve segundo, o coração de Martin parou. Mas aquele segundou pareceu se estender por uma vida, a vida que ele nunca teve ao lado do irmão. Como em um encantamento, todas as lembranças que ele tinha de Thomas vieram à sua memória. Os passeios de bicicleta, os acampamentos de verão na floresta, a ocasião em que o pai lhe ensinara a pescar. E Martin pensou em tudo o que perdeu ao fazer sua escolha, em tudo o que deixara para trás. Não vira Thomas crescer, não vira o homem que ele havia se tornado e o que havia conquistado na vida. E agora, através de uma completa estranha, Martin descobria que jamais teria a chance de recuperar esse tempo. Surpreendeu-se ao constatar as lágrimas escorrendo por seu rosto. Era como se seu coração estivesse, de repente, sem um pedaço.

– Ele faleceu há cerca de três anos. – continuou Miranda, estendo um envelope à Martin – O avião em que ele e a esposa viajavam caiu durante uma intensa tempestade. Eu lamento informar, mas o corpo nunca foi encontrado.

Então Thomas tinha uma esposa. Havia se casado. Quanto da vida do irmão querido Martin havia perdido?

Ainda em choque, Martin vislumbrava a manchete de um jornal trouxa, onde os destroços de um avião podiam ser vistos em uma densa floresta. Logo abaixo, as fotos dos que haviam morrido no acidente. Martin não demorou para reconhecer, com olhos marejados, as feições de um homem de olhos azuis e cabelos castanhos, bem parecido com seu pai. Ao seu lado, uma belíssima mulher de olhos castanhos e um sorriso alegre. A legenda logo abaixo dizia “os renomados pesquisadores Thomas e Susan White.”

Sem aguentar olhar por mais tempo, Martin devolveu o jornal à Miranda e, fungando profundamente, enxugou os olhos com as costas das mãos. Ele evitou encarar a mulher a sua frente por alguns segundos, permanecendo em silêncio, como se tentasse se anestesiar de toda aquela dor repentina antes de seguir em frente.

– Sr. White – ela continuou – Eu não pedi que o chamassem aqui apenas para comunicar sobre esse triste incidente.

Por um segundo, Martin pareceu surpreso. Ergueu os olhos para Miranda, sentindo que suas sobrancelhas arqueavam-se.

– Acontece que seu irmão tem um filho.

Martin endireitou-se na cadeira, inclinando o corpo para frente, como se estivesse se esforçando para ouvir o que Miranda dizia. De repente, toda aquela conversa começava a fazer sentido.

– O nome dele é Henry e, atualmente, tem seis anos de idade. – Miranda continuou – Ele está sob nossos cuidados desde os três anos de idade, quando o acidente aconteceu. Na ocasião, não sabíamos da existência de qualquer parente vivo que pudesse assumir a guarda do garoto. Foi somente depois de muita procura que finalmente obtivemos informação sobre o seu parentesco com Thomas White.

– Eu… Eu não sabia que Thomas havia tido um filho – foi o que Martin conseguiu responder.

Por alguns segundos, Miranda permaneceu em silêncio, apenas observando. Era como se ela estivesse dando um tempo para que a mente daquele homem encaixasse as peças de toda aquela trama, até que ele mesmo se conduzisse ao final.

– Sr. White, nossa missão nesta instituição não é apenas amparar para crianças e jovens órfãos, mas garantir que eles venham a ter uma família, um lar que possam vir a reconhecer como seu.

– Sim, eu entendo. – ele respondeu.

– Então – ela continuou, colocando cada palavra cuidadosamente – o senhor compreende por quê eu pedi que o chamassem aqui, hoje?

Era óbvio. Se o garoto não tinha mais nenhum outro parente vivo que pudesse assumir sua guarda, e de repente eles encontravam um irmão perdido do pai do menino…

– Sim, senhora.

– Muito bem. – ela consentiu.

Miranda folheou os papéis que mantinha em mãos e, tirando do meio deles uma pequena fotografia, estendeu-a à Martin, que a tomou em mãos. Era impressionante como o garoto se parecida com Thomas, exceto pelos olhos, que eram iguais aos de Susan. Tinha o mesmo sorriso caloroso e gentil que Martin vira na fotografia dela, no jornal. Ele ficou encarando a foto pelo que pareceu um longo momento, e se surpreendeu não com as novas lágrimas que escorriam por seu rosto, mas pelo sorriso que havia brotado em seus lábios.

– O senhor gostaria de conhecê-lo? – Miranda perguntou.

– Sim, por favor.

– Acompanhe-me, por favor.

Miranda McCallister levantou-se e, adiantando-se, abriu a porta para que o homem a acompanhasse. Os dois voltaram pela sala de espera, tão vazia como quando Martin ali estivera esperando. Passaram um vasto corredor com janelas amplas, que davam visão ao pátio central do orfanato, onde uma duzia de crianças corria e brincava. Aproximando-se, Miranda e Martin pararam a certa distância dos pequenos.

– Henry, querido. – ela chamou, a voz de repente bem mais gentil e atenciosa do que minutos antes – Venha até aqui, por favor.

Ao ouvir seu nome, o garoto largou a bola com a qual vinha se divertindo com alguns amiguinhos e correu ao encontro da diretora.

– Henry, eu gostaria que você conhecesse o Sr. White.

– Olá, Sr. White. – ele respondeu, sorrindo para o homem.

Martin não conseguiu dizer absolutamente nada. Apenas caiu de joelhos diante do garoto e, tomando-o em seus braços, abraçou-o de tal forma que pode sentir o o coraçãozinho do menino batendo rápido de encontro ao seu peito. Um pouco tímido, Henry deixou que os bracinhos retribuíssem o gesto. E finalmente, depois daquele primeiro contato, Martin o soltou de leve, colocando as mãos em seus ombros e olhando fixo em seus olhos. Por um breve segundo, foi como se estivesse olhando para Thomas – o irmão que ele havia perdido.

– Você pode me chamar de Martin.

Henry sorriu, e foi como se um raio de sol atravessa seu rosto de encontro à Martin. Ele ainda não fazia ideia de quem era aquele desconhecido, que o abraçara de forma tão calorosa. Mas algo em seu coração lhe dizia que era um homem bom, alguém em quem ele poderia confiar, alguém que o levaria para casa e o ajudaria a encontrar seu lugar no mundo. Quanto a Martin, depois de tantos anos, ele sentiu que finalmente seu coração havia recuperado o pedaço perdido. E dessa vez, ele se encarregaria de fazer todas as escolhas certas, para que aquele pedacinho de seu passado jamais se perdesse outra vez, mas que florescesse sempre, daquele dia em diante.

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Atualização do elenco, personagens secundários e elenco antigo

Depois da entrada triunfal do Henry, eu estava devendo uma atualização do elenco do nosso futuro longa metragem. rs

Eis que finalmente atualizamos o quadro. Aproveitei e incluí dos personagens secundários até o momento, os pais da Arwen e os pais do Chris.

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Elenco principal: Arwen – Alexandra Daddario / Alexis – Hailee Steinfeld / Dani – Ellen Page / Chris – William Moseley / Daryl – Logan Lerman / Josh – Ben Barnes / Misty – Georgie Henley / Bill – Zachary Gordon / Ludi – Birdy / Selina – Jennifer Lawrence / Gabe – Tyler Posey / Seifer – Callan McAuliffe / Fabian – Zoe Aggeliki / Wenna – Normani Kordei / Henry – Johnny Simmons

Elenco secundário: Liv – Liv Tyler / Bryan – Tom Everett Scott / Cal – Zooey Deschanel / Andy – Ben McKenzie

E aqui a lista disponível no IMDB.

E conforme o prometido há mil anos, o elenco antigo! Ui!

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Elenco antigo: Arwen – Katie Holmes / Alexis – Natalie Portman / Dani – Rachel Bilson / Chris – Chris Evans / Daryl – Jared Leto / Josh – Hayden Christensen / Misty – Mary Kate Olsen / Bill – Tobey Maguire / Anna Brightbelt – Tia Carrere / Selina – Christina Aguilera / Gabe – Danny Masterson / Seifer – Jason Behr / Fabian – Jessica Simpson / Wenna – Catherine Zeta-Jones / Anna Valerious – Kate Beckinsale / Moonlight – Alexis Bledel / Amy – Avril Lavigne / Felicia – Vivien Cardone / Heather – Dulce Maria / Julianne – Emma Roberts / Cypri – Evangeline Lilly / Suze – Mariska Hargitay.

E aqui também a lista no IMDB.

Poxa, acho que melhorou consideravelmente o elenco, pelo menos no quesito noção básica de idade, rs.

10 anos!

É isso aí! Há 10 anos foi ao ar o nosso primeiro modesto post.

Foram muitas idas e vindas, ficamos uma eternidade fora do ar, e mesmo agora que estamos on line outra vez, estamos só engatinhando. Mas o propósito hoje é estar aqui para quem quiser ler e escrever. Não há obrigação, nem prazos, nem nada, apenas o prazer de aparecer sempre que der na telha.

Para comemorar esse dia memorável, nada mais justo que colocar no ar o nosso primeiro layout, o mais divertido e o mais cara de Accio até hoje: o primeirão feito pelo nosso Daigo, ou Bill MacMillan para os accianos de plantão. Aquele layout que materializou nossa crise de riso durante a madrugada, enquanto ele, meu irmão, lia Harry Potter e a Ordem da Fênix e eu preparava planos de aula para os meus alunos da faculdade, e que virou a maior viagem na maionese dos blogs potterianos daquela época.

Hoje é dia de festa, bolo de caldeirão, suco de abóbra, sapos de chocolate e muita cerveja amanteigada. É dia de enfeitar a Sala Precisa (quem lembra?) e fazer montinho nos amigos, porque dez anos são dez anos.

Primeiro layout: aqui.

Happy Accio pra nós!

accio 10 anos

 

Update – Galeria das fantasias:

Harry Potter e a Ordem da Fênix

(ou Accio Staff e os PotROmaníacos)

Para comemorar o Halloween em grande estilo e com um clima bem nostálgico, um post extenso, é verdade, mas épico. Ele foi escrito nos dias antigos do Accio, e trata-se de uma fic off topic, quando os membros do site se debandaram para o cinema trouxa para assistir a estréia de Harry Potter e a Ordem da Fênix nas telonas. Por volta do dia 05/08/2007, a aventura estava totalmente escrita, mas não se sabe porque a dita cuja nunca foi ao ar. Vale ressaltar ainda que essa fic nada mais é do que uma releitura mágica das nossas próprias experiências cinematográficas – de todos nós, os autores malucos do Accio – na ocasião da estréia do filme. Portanto, a maioria dos fatos relatados aqui, pasmem, é verídica e qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência.

 

Parte 1 – Ida ao cinema

Sabemos que demoramos para postar alguma coisa referente ao filme, mas vocês têm idéia de quão difícil é botar tanta gente de casas diferentes, juntos, para assistir um evento trouxa? Os grifinórios e lufas providenciaram os ingressos, mas só arrancaram os sonserinos do conforto gélido das masmorras por chantagem da tia Anna, com seus maravilhosos sanduíches de bacon. Depois de argumentarem com os corvinais que ir ao cinema seria algo muito instrutivo, nosso elenco finalmente saiu de Hogwarts para ver o filme Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Arwen Potter e Alexis Dumbledore foram as primeiras da turma a chegar no recinto. Para fazer jus ao nome da escola (Hoggy!!! Hoggy!!!), elas foram adequadamente uniformizadas. Resultado: a população do cinema trouxa encarando absurdamente as duas, como se elas tivessem saído das telas.

Trouxa desconhecida 1 (mas eu juro que parecia a Mione!): Ei, ei, você de orelha grande! Posso tirar uma foto com você?

Alexis: Claro que ela vai, por que não? Tudo para ver um trouxa feliz. Sorria, Zoreia, diga xiiiiiiiiiiis!

Arwen: ¬¬ 

Bill, de gaiato na história: Eu bem que podia ter saído na foto também, a trouxa é bem gatinha…

Trouxa desconhecida 1: Ei, você! Nossa, parece tanto o Harry!!!

Bill: *sem palavras*

Como todos chegaram cedo na esperança de conseguirem bons lugares (na época, não se vendiam assentos marcados nos cinemas) para toda essa trupe, obviamente eles se sujeitaram à ignorância dos seres desprovidos de magia, ouvindo o que não deviam enquanto esperavam a projeção começar. Claro que ninguém tem culpa de nascer trouxa, mas ainda assim, os comentários não deixaram de ser fantásticos.

Vale destacar alguns diálogos, só para vocês ficarem com um gostinho deste evento memorável:

Diálogo 1

Trouxa anônimo 1: Harry pega a japinha!

Bill  se remexe incomodado na poltrona e fala entre os dentes: Eles estão falando da Cho? Mas ela é chinesa, p***a!

Trouxa anônimo 2: Como vc sabe?

Trouxa anônimo 1/Bill, botando a cabeça entre os dois trouxas: Vi no trailer! / Eu sou da casa dela, oras!

Diálogo 2

Trouxa anônimo 1, querendo aparecer:  Quando aparecer o Harry, vamos gritar: HARRY HARRY?!

Trouxa anônimo 2: Não, só na hora do quadribol!

Um dos sonserinos marca a cara dos dois para azarar na saída do cinema: Fala sério, o Lorde das Trevas voltando e o trouxa quer saber de quadribol?

Depois de uma olhada da tia Anna em torno, as pessoas ficaram mudas (ou pelo menos passaram a falar mais baixo). As luzes apagaram e começaram a rodar os trailers. Trinta segundos depois, começaram a pipocar luzinhas e anteninhas, seguido por vozes distantes que não pertenciam aos presentes na sala de projeção.

Trouxa dona das luzinhas e anteninhas, indecisa entre assistir ao filme ou a jogo de futebol: gooooooooooooooooooooooooooooool!

E a galera toda em uníssono (sem nem saber direito o que estava acontecendo, só para se sentirem inseridos na bagunça): GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!

Arwen vira-se rouca de tanto gritar e indecisa quanto ao motivo, para Dani Lupin: O que tá havendo? Jogo de quadribol?

 

Parte 2 – O filme

Raios coloridos para todos os lados e rádios, celulares e projetor ficaram parcialmente danificados. Um ou outro trouxa remexe em fios e consegue que seus aparelhos voltem a funcionar e ouvem o restinho do jogo do Brasil. Antes que a vaia começasse, tia Anna manda um reparo para a cabine de projeção e a sessão pode finalmente continuar.

Diálogo 3

Alexis Dumbie, na cena com os tios de Harry, engasgando com a pipoca: Que roupa mais pin-up (moçoilas da década de 30, que andavam com umas roupitchas fashion e pernas de fora. Jogue o termo na busca de imagens do google e você logo vai sacar o que é uma pin-up) é essa da tia Petúnia?

Fabian, dando tapinhas nas costas da neta do homi: Até que a roupitcha é bonitinha, eu só queria saber de onde vai pular o amante dela, por que um modelito desse não deve ser sido escolhido para o dublê do pai do Crabbe!

Diálogo 4

Trouxa anônimo 1, quando os Weasleys aparatam: Olha! Eles teletransportam!

Diálogo 5

Trouxa anônimo: Ih, olha só o Dobby!

Gabe, olhando para trás: Acho que o Kretcher (Monstro) não vai gostar nadinha dessa comparação.

Dani Lupin, jogando um piruá em direção ao trouxa: E o Dobby não merece essa ofensa, viu?

Diálogo 6

Fabian, cutucando  Alexis Dumbledore: Nunca imaginei ver o Lorde das Trevas com roupas trouxas! Mas até que ele está bem para um morto vivo, não?

Alexis: É, ele está todo bonitão. E olha que não sou chegada nos tipos peçonhentos e sem nariz…

Norwena: Eu não acredito que as pessoas tenham tanto medo de uma pessoa que não tem nariz!

Arwen Potter: Putz, é mesmo, tá até parecido com um cantor trouxa nesse terninho chiquetoso, o … Droga, não tô lembrando o nome!

Trouxa anônimo (e intrometido): Michael Jackson!

Selina, caindo na gargalhada: É, e os dois têm problemas com garotinhos!

(observação: nessa época, Michael Jackson ainda pertencia ao mundo dos vivos, vindo a falecer apenas 2 anos depois).

 

Parte 3 – A Armada Dumbledore

Diálogo 7

 Sobre Neville Logboton – por Dani Lupin e Fabian Rain

Dani Lupin:  Esse é o Neville? Como cresceu!

Fabian, torcendo o nariz ao olhar a foto dos pais do Neville na 1ª formação da Ordem da Fênix: É, mas continua com a cara de paspalho de sempre! Também, o que poderíamos esperar do filho da Olga Prestes? Por Slytherin, que cabelo é esse?!

Hendrika, implicando em voz baixa: Quem desdenha quer comprar!

Cypri, se assegurando que a sonserina não tinha ouvido: Fica quieta, Hendrika!

Diálogo 8

Sobre o beijo

Trouxa anônimo 1: Olha lá, olha lá o matinho crescendo!

Trouxa anônimo 2: Harry vai beijar na boca!

Trouxa anônimo 1: Vai deixar de ser bv!

Trouxa anônimo 2: Tá pegando…..

Enquanto isso, o casal 20 da sonserina e a monitora de poções e seu noivo aproveitam o “intervalo” do filme para darem suas próprias versões de como devem ser os beijos cinematográficos. Quem pode faz, quem não pode comenta né?!

Arwen olha discretamente para algumas poltronas mais a frente e vê a cabeleira cinza do corvinal Belmont e suspira resignada.

Bill, voltando do banheiro: E aí, o que eu perdi?

Fabian: Um monte de trouxa que nunca beijou se realizando através da façanha do Potter de pegar a CHOrona. Agora sai da minha frente que eu quero ver se me botaram na Brigada Inquisitorial!

 

Parte 4 – Fim do filme

Diálogo 9

Tia Anna puxa o copo de refrigerante enquanto Dani e Suze se concentram no reconhecimento dos pais quando a tela mostra os Marotos adolescentes

Trouxa anônimo: O Snape era emooooo!!!

Tia Anna, engasgada com o refrigerante e com um olhar de ódio para o garoto: O cof..é ah…disse cof..delho infeliz?

Suze: Ah droga, já acabou o mergulho do Harry? Mas que memória fraquinha o Prof. Snape tem hein tia Anna!

Diálogo 10

Um dos garotos trouxas tenta puxar um “Vai Harry Potter” durante a luta com os comensais, mas algum outro mais sensato deu-lhe um beliscão antes que começasse.

Fabian: O que o pai do Draco faz de calças compridas? E que viadice é essa máscara?

Alexis nem escuta, pois está muito ocupada balançando a varinha como se também estivesse no duelo phodástico.

Bill: Olha lá, parece um monte de Darth Vaders!

Arwen, ao ver os comensais puxando as varinhas: Puxa, fiquei desapontada agora… Achei que fossem puxar sabres de luz ao invés de varinhas.

Diálogo 11

Enquanto a pequena criatura conhecida como Dani Lupin se rompia em lágrimas na parte do véu, Fabian comenta, com a sensibilidade de um trasgo montanhês: A Belatriz Lestrange está muito bem para alguém que passou os últimos 15 anos em Azkaban, não acham?!

Diálogo 12

Sobre Luna Lovegood, por Alexis Dumbledore, Gabe Lupos e Suze Pettigrew.

Final do filme e todos esperam que não haja mais nenhum problema na relação trouxas-bruxos na sala do cinema, que ganhou um carpete formado por pipoca, bolas de papel e outros dejetos. Na parede, Luna pega a mão do Harry.

Trouxa 1: Vai lá cara, pega outra!!!

Trouxa 2: Garanhão!!!!

Trouxa 3: Esse aí é dos meus!!!

 

Parte V – Praça de alimentação

Diálogo 13

O Voldie é mau pela falta de nariz ou não tem nariz por que é mau? – por Norwena, Gabe, Suze, Dani e Arwen

Norwena: Eu mantenho a convicção de que tudo que Voldemort fez, ele fez porque queria um nariz. Só um nariz.

Gabe, empolgado com a idéia: Sim, essa é a real motivação dele.

Suze, tentando fazer os dois sonserinos caírem na real: Mas ele certamente tinha um nariz antes de ficar mau!

Arwen: Aí está. ele é mau pela falta de nariz ou não tem nariz por que é mau?

Dani Lupin: Eis a questão!

 

É isso aí! Feliz Halloween pra todos nós!

Avoada, Irritadinha e Tonta

Prólogo: Este post é um “remake” de um outro bem antigo. Se passa no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando as maluquinhas Arwen, Alexis e Dani Lupin estavam no seu terceiro ano em Hogwarts e apesar de muito amigas, ainda não tinham os esquemas de aprontar conjuntamente. ;)

 

– Eu não acredito! Não posso acreditar! Essa detenção foi o cúmulo da baixaria!

A pequena terceiranista da Grifinória, Arwen Potter, seguia pelos corredores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts bufando e pisando alto. Ela seria capaz de azarar qualquer um que tentasse cruzar seu caminho naquele momento. O motivo de tanta zanga era mais uma detenção, dessa vez muito injusta, dada pelo professor mais amado da escola: Severo Snape.

O fato é que na noite anterior, ela precisou atender o chamado do Diretor da escola à noite, demorando-se um pouco mais no escritório do Professor Dumbledore. Ao retornar saltitante e faceira para a sala comunal da Grifinória, certa de que não estava fazendo nada de errado pois fora chamada pelo poderoso chefão, eis que ela dá de cara com a última pessoa que ela gostaria de ver naquele momento – o amado idolatrado salve salve professor ensebado de Poções.

– Perambulando pelos corredores após o toque de recolher, Srta. Potter?

Ela ficou muda, encarando o professor, com o rosto pálido. A menina não gostou nem um tico do tom de voz empregado pelo morcegão.

– Vocês grifinórios se acham acima das ordens superiores, não é mesmo? Todos os professores e responsáveis pela escola estão se empenhando em garantir a segurança dos senhores, mas vocês, grifinórios, consideram todas essas medidas desnecessárias, estou absolutamente convencido disso.

– Mas professor, eu… – a garota tentava se justificar.

– Detenção, senhorita. Amanhã informo data e horário. Agora pode ir.

– Professor Snape! Eu estou voltando do escritório do Professor Dumbledore! Ele me chamou lá, não estou desobedecendo nenhuma ordem.

Um risinho sarcástico se esboçou nos lábios finos do mestre das Poções.

– Pode ser. Mas não gosto do seu sobrenome.

E girando nos calcanhares, o ser engordurado seguiu adiante, deixando a garota estupefata e completamente descrente do que acabara de acontecer. Arwen então juntou o pouco de dignidade que lhe restava e zarpou imediatamente para a sua sala comunal, antes que Filch ou outra pessoa mal intencionada aparecesse e ela se ferrasse mais um pouco.

A chegada do novo dia não melhorou a sorte da mocinha. Mal terminara a aula de Transfiguração e Arwen fora abordada por um aluno da Lufa Lufa que lhe trazia um bilhete. Remetente? É, o morcego ensebado.

 

“Prezada Srta. Potter,

Favor comparecer nas masmorras no próximo sábado, após a partida de quadribol Grifinória x Sonserina para cumprir a sua detenção, às 13h. Não serão tolerados atrasos.

A tarefa a ser executada será lavar manualmente, sem uso de magia, os uniformes usados pelo time da Sonserina.

Atenciosamente,

S. Snape.”

 

Sem palavras para expressar toda a sua indignação, ela seguiu furiosa, rumo aos terrenos externos do castelo. Acertaria algumas pedras no lago para aplacar sua raiva, ou o almoço lhe causaria uma indigestão, se comesse naquele estado de ânimo.

A garota soltou uma pequena imprecação ao ver ao longe que a sua querida faia já estava ocupada por duas garotas. Pensando em expulsá-las de lá, na marra, para ruminar seu ódio mortal ao homem sem shampoo, seguiu firme em seu propósito até o seu recanto favorito. Entretanto, se acalmou um pouco ao perceber que se tratava de suas amigas, Alexis Dumbledore, colega de turma e de casa, e Dani Lupin, da Corvinal, também do terceiro ano. As duas mocinhas sentadas no gramado levantaram os olhos para ela quando perceberam que alguém se aproximava, e Arwen pode notar que as garotas também estavam com cara de poucos amigos.

– Então? Qual o motivo das caras de quem comeu bolo de caldeirão solado e estragado? – a grifinória recém chegada questionou as outras duas meninas.

– Nós estávamos aqui falando amenidades… – Alexis fez uma cara forçada de desinteresse – Estávamos comentando o ataque histérico do nosso querido professor de Poções para com a minha pessoa. E lá vou eu de novo, sempre com as mesmas comadres imundas da Ala Hospitalar.

– E eu, ganho detenções maravilhosas pelo menos uma vez a cada 15 dias. – Dani Lupin desabafou – A de hoje é: ajudar os elfos no jantar de segunda feira. Caramba, não me recordo nem de Harry Potter e Rony Weasley ganharem detenções com essa freqüência. Isso tudo porque ele mediu as ervas que piquei na aula e o tamanho final não estava de seu agrado. Francamente!

– Ok, acho que venci. – Arwen se pôs a explicar o episódio da noite anterior e mostrou às amigas o pergaminho que acabara de receber. As duas arregalaram os olhos.

– Isso já é crueldade… – Alexis estava indignada com a audácia do professor. Arwen, recolhendo de volta o pergaminho maldito, respirou fundo.

– Pois é, amigas, acho que ninguém na história de Hogwarts pegou uma detenção tão cabeluda quanto essa que ganhei de presente… E à toa!

– Sabem o que é pior? Essa não foi a primeira vez e com certeza não será a última. Teremos detenções e detenções até o final dos nossos dias nesta escola. Eu sei que apronto de vez em quando *cof cof* mas acabo levando muito mais castigos que os outros só porque sou filha do Lupin. E não é segredo para ninguém que o morcego ensebado odeia o papis, é só ver a cara que ele faz de quem tem bomba de bosta debaixo do nariz toda vez que o poderoso Lupão está por perto.

– E eu então? – Alexis comentou revoltada – Eu nem apronto tanto assim, mas como o mal educado do tio Snape parece que lê os pensamentos da gente sem pedir permissão… Ehr… é só eu pensar alguma respostona que lá vou eu de novo para as minhas amigas comadres.

– Eu apronto de vez em quando, não vou negar… – a menina Potter comentou, encarando o chão – Mas o maior problema é que eu sou azarada demais. Parece que eu estou sempre no lugar errado, na hora errada, com a pessoa errada. E ele ainda teve o descaramento de falar que estou detenta porque ele “não gosta do meu sobrenome”. Putz, que culpa eu tenho de ter o mesmo sobrenome do encrenqueiro do Potter?

Alexis suspirou mais uma vez.

– E agora você vai passar os embalos de sábado à tarde bancando o elfo doméstico para o time de quadribol da Sonserina… Deprimente.

As outras duas concordaram com a cabeça. Dani Lupin deu continuidade ao muro de lamentações:

– É… nós aprontamos. Cada uma com sua traquinice. E mesmo sem motivo algum, nós sempre nos damos mal. O que me faz pensar… Papis me conta tanta coisa da época da escola… Como ele e os amigos marotos estavam quase sempre safos das detenções? Vou tomar nota disso, é um assunto a se conversar seriamente com ele…

Arwen, de repente, se recordou de uma conversa que tivera com Dani Lupin meses atrás, quando ela mencionou os apelidos dos marotos amigos do Lupão.

– Aluado… Amofadinhas… Pontas… – ela pensava alto.

– Hein? – Dani e Alexis perguntaram ao mesmo tempo.

Arwen continou pensando alto.

– Avoada… Irritadinha… Tonta.

As outras duas continuaram encarando a amiga falando sozinha sem compreender patavinas.

– Ok, se cada uma de nós apronta isoladamente e sempre se dá mal, acho que uma saída razoável é unirmos forças contra Aquele-Que-Acha-Que-Sou-Elfo-Doméstico. Assim, não faríamos apenas uma pequena travessura, mas planos maleficamente calculados, sem falhas e à seis mãos. E convenhamos, é mais difícil pegar três do que uma de nós, não acham?

– Opa opa, espera aí, madame – Alexis balançava a cabeça, tentando organizar as idéias – Deixa eu ver se eu entendi. Você quer fundar uma organização não oficial para logros e brincadeiras anti Seboso? E que essa entidade seria uma espécie de Marotos de calcinha?

– É, é mais ou menos por aí… – Potter concordou com o raciocínio da amiga.

Dani Lupin abriu um sorrisão. Olhinhos brilhando de felicidade e contentamento. E logo em seguida, a cara de dúvida.

– Mas Arwenzinha… Os marotos eram quatro, e não três.

– E quem precisa de um Rabicho puxa saco atrás da gente??? – a menina respondeu.

As amigas caíram na risada.

 

“JURAMOS SOLENEMENTE NÃO FAZER NADA DE BOM, PRINCIPALMENTE QUANDO O ASSUNTO FOR O SEBOSO.”

Assinado: Avoada, Irritadinha e Tonta.

 

E assim nasceram as Marotas.

marotasnolago

Pela Marotada toda ali em cima. \o/