Monitoria de Poções – parte 2 – A rasteira no Morcegão

No dia seguinte, no mesmo escritório…

– Então Snape está fora por ordens suas… – a professora McGonagall repetia as instruções que acabara de receber do diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts – E você quer que eu administre a prova de monitoria de poções no lugar dele.

Dumbledore assentiu, balançando discretamente a cabeça.

– Exato, Minerva. Sabe como é o Severo, tem um Gringotes inteiro de bons predicados, mas em se tratando de sua própria casa, ele infelizmente não será capaz de ser imparcial. Eu ficaria feliz se os alunos das demais casas inscritos no processo seletivo tivessem a mesma chance que os sonserinos. Afinal, trata-se de avaliar a capacidade de cada estudante e não de bairrismo ou favoritismos.

– E muito bem pensado não ser eu a ministrar esta prova. – Flitwick pontuou – afinal, como tenho uma aluna inscrita, ele poderia insinuar de algum modo que estou favorecendo-a. E como não temos grifinórios candidatos a esta monitoria, Minerva é a melhor escolha, sem sombra de dúvida. Concordo com sua postura de neutralizar as coisas, Dumbledore, isso permite que todos tenham as mesmas chances de obter a vaga.

Minerva McGonagall ajeitou os óculos e assentiu.

– Certo então. Hoje à noite, depois do jantar, estarei nas masmorras aplicando a prova. E quem corrigirá o teste? Se for o Severo, todo este trabalho poderá ter sido em vão…

– Não se preocupe, Minerva, ao finalizar a prova, nos reuniremos na sala dos professores junto de outros colegas que queiram participar e faremos um mutirão. Assim ele não precisará se sentir prejudicado caso algum aluno da Sonserina não consiga  a vaga e a bolsa. E antes que eu me esqueça, pretendo divulgar o resultado amanhã logo cedo, antes do retorno de Severo.

– Muito bem, então está tudo acertado. Quando ele voltar, o resultado já estará divulgado e se necessário, explicamos a ele como procedemos para a escolha do monitor. Caso seja alguém da Sonserina, ele ficará muitíssimo feliz, e caso seja de alguma outra casa, ele terá certeza de que tudo foi feito da maneira mais clara possível. – o professor de Feitiços finalizou a conversa sobre os ajustes para a seleção do monitor de Poções.

– Se já terminamos, posso me retirar? Gostaria de finalizar alguns detalhes para a aula de hoje. – a professora de Transfiguração disse, já se levantando.

– Pauta decidida e encerrada. Até mais tarde, caros amigos. – o diretor cumprimentou McGonagall e Flitwick com um aceno e os dois se retiraram de seu escritório.

Monitoria de Poções – parte 1 – A missão inesperada

Era tarde da noite e o homem de preto caminhava lentamente pelos corredores. Desde a Copa Mundial de Quadribol e o infeliz incidente envolvendo supostamente ex-Comensais da Morte, os ânimos estavam ligeiramente alterados nas esferas superiores do castelo. Qualquer bruxo inteligente poderia perceber que havia algo de errado na atmosfera. No entanto, ninguém ousava arriscar um palpite sobre exatamente o que estaria acontecendo, ou estaria por acontecer. Só restava esperar os sinais, mantendo-se mais atento ao seu redor. E aquele chamado súbito que recebera viera a confirmar suas suspeitas.

Parou elegantemente diante de duas gárgulas de pedra e, dizendo a senha, deixou que elas abrissem o caminho, revelando uma escadaria de pedra em espiral. Adiantou-se, subindo o primeiro degrau e logo foi levado ao hall de entrada do escritório tão conhecidamente peculiar. Não precisou bater na porta nem se fazer anunciado de alguma forma. A pesada porta se abriu, mostrando mais à frente um velho sentado atrás de uma escrivaninha. O olhar penetrante do homem atravessou os óculos de meia lua e encontrou os pequenos e escuros do recém chegado. Um modesto sorriso se desenhou no rosto do mais velho.

– Boa noite, Severo. Que bom que veio logo. Venha, sente-se aqui. – o Professor Dumbledore disse, apontando gentilmente a poltrona diante de sua escrivaninha.

Severo Snape aceitou o convite, sentando-se, enquanto mantinha o olhar cravado no professor.

– E então? – ele disse sem demonstrar emoção – Não esperava um chamado seu tão cedo. O que houve?

Alvo Dumbledore não o observava mais. Estava entretido conjurando uma bandeja com duas xícaras de porcelana, um bule fumegante de chá e uma cesta com biscoitos de gengibre.

– Aceita um chá, Severo? – ele perguntou enquanto servia sua própria xícara. O outro meneou a cabeça negativamente.

– Não, obrigado. – e Snape nada mais disse, aguardando o que quer que o antigo professor de Transfiguração tivesse a dizer.

O diretor sorveu um gole do seu chá, repousando a xícara no pires logo a seguir. Cruzou os finos e longos braços apoiando-os na mesa e encarou o mestre das Poções.

– Tenho uma tarefa para você, Severo.

–  Que seria?

– Nada demais. – Alvo disse aparentando displicência – Somente observar algumas coisas interessantes. E uma pessoa em específico. Não será nada difícil para você, Severo. – e estendeu a mão para Snape, entregando-lhe um envelope pardo – Suas instruções estão aqui.

O outro se apropriou do pergaminho que lhe era oferecido, abrindo-o imediatamente. Ao terminar de ler, olhou outra vez para o velho.

– Certo. E quando posso partir?

– Acredito que amanhã pela manhã você já poderá ir em segurança. – Dumbledore cruzou os dedos entrelaçando as mãos sobre a escrivaninha – Como se trata de algo bem simples, creio que em dois ou três dias você finalizará com sucesso esta missão.

Snape ponderou por um segundo.

– Não vejo problema algum em partir imediatamente ou amanhã, como preferir. Mas e quanto àquela prova de monitoria? Não estou interessado nisso, afinal não foi idéia minha selecionar um monitor para cada disciplina lecionada nesta escola, incluindo Poções. Mas em se tratando da minha competência enquanto professor desta instituição, gostaria de saber como se desenrolará o processo seletivo na minha ausência. A prova será remarcada?

– Não acredito que haja necessidade de remarcação, afinal trata-se somente de uma monitoria interna, não? Outro professor pode perfeitamente ministrar a sua prova e eu mesmo ou algum professor de outra disciplina podemos corrigi-la, caso você venha a se atrasar por algum motivo.

– Certo então. – o homem de cabelos oleosos e nariz adunco se levantou polidamente – Finalizamos por hoje?

– Creio que sim, Severo. Boa viagem e tome cuidado.

O professor de Poções girou nos calcanhares, enfurnando sua capa negra atrás de si e se retirou do escritório de Alvo Dumbledore.

 

Comunicado urgente para a Armada de Dumbledore

De: Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore – Primeira Classe de Merlin – Diretor de Hogwarts
Para: Armada de Dumbledore

Caros alunos.

Infelizmente este pergaminho tem caráter repreensivo.
Gostaria que os senhores e senhoritas se lembrassem continuamente do nome que deram ao grupo: Armada de DUMBLEDORE.
Este grupo de alunos seletos tem uma função diversa das que tenho observado.
Em hipótese alguma aceitaremos na Armada alunos que ousem a desrespeitar ordens do Diretor ou qualquer outro superior.
Quero lembrá-los ainda que EU SEMPRE SEI O QUE SE PASSA AQUI. Afinal, Severo Snape não aprendeu legilimência sozinho.

Recados especiais:
Senhorita Heather Evans: Acredito piamente que um professor ensinando qualquer aluno a se defender será muito melhor do que alunos instigando alunos a fazerem coisas erradas.
Senhorita Jenjon: Eu CONTINUO de olho na senhorita.
Senhor Potter: Acho que é desnecessário dizer que estou de olho em todos os seus passos desde o dia em que o senhor nasceu.

Sem mais, despeço-me.
Lembrem-se que a punição será severa para aqueles que desrespeitarem as regras.
Estamos em tempos de guerra e não podemos nos dar ao luxo de cometer erros graves.

Alvo Dumbledore.

Feitiço conjurado por Alvo Dumbledore às 19:57 h

Coruja enviada para os membros da Armada de Dumbledore

Caros alunos.
Sei e reconheço que vocês estão aqui com as melhores intenções.
Realmente é gratificante ver alunos tão empenhados e dedicados em ajudar, principalmente em dias tão difíceis.
Mas receio que algumas regras ainda necessitam ser seguidas.
Apesar de velho, eu ainda sou o diretor desta escola. E responsável por ela. E por muito mais coisas do que os senhores podem imaginar.
E gostaria que os senhores confiassem em mim.
Se eu não solicitei a ajuda do Professor Severo Snape para ensinar Legilimência a Harry Potter, tenho sérias razões para isso.
Portanto, eu não gostaria de ver nenhum aluno… vejam bem, NENHUM aluno que porventura tenha essas faculdades desenvolvidas ensinando isso a Harry.
Esse era o meu temor quando permiti que uma aluna ensinasse a Harry oclumência.
Então, por hora, ficam encerradas aqui todas as atividades de oclumência de Harry Potter, o que passará a ser uma incumbência exclusiva do Professor Snape.
Espero ter sido claro. E a punição será dolorosa para aquele que desobedecer minhas ordens.

Alguns recados individuais:
Srta. Alexis… não precisa ficar tão brava. Seu avô é velho, mas ainda sabe o que faz.
Srta. Jenjon: Estarei de olho na senhorita. Por favor, comporte-se. Não quero me arrepender do que fiz.
Srta. Anna: Como foi a viagem? A recepção foi calorosa, eu suponho.
Srta. Arwen: Empenhe-se em seus estudos. Eles são extremamente necessários.
Sr. William: Eu sei… eu sempre sei. Mas confio no senhor. Pode me procurar em meu escritório? Preciso dar uma palavrinha.
Srta. Julie e Srta Maria Luiza: Acalmem-se, seus pais estão em segurança.
Srta. Daniela Lupin: precisamos marcar esta festa para alegrar um pouco isto aqui.

Aos demais, atenção. Todo o cuidado é pouco nesse momento.

Atenciosamente:

Albus Dumbledore
Primeira Classe de Merlin
Diretor de Hogwarts

Feitiço conjurado por Alvo Dumbledore às 19:48 h