A dura reflexão de Helena

Helena respirou fundo ao ver as pessoas indo a Hogsmeade. Precisava mesmo ficar sozinha por um tempo, pensando. “Maldito Dumbledore”, pensava ela. “Sempre ocupado demais para me receber, ainda por cima com a estúpida da aluna atacada.”

Não fazia uma hora, ela tinha voltado de uma entrevista breve com o diretor da escola ? e bem decepcionada, pra dizer a verdade. Não sem razão, afinal, tratava-se de seu ‘irmão’ Tom. Mas precisava entender que o que o Homem havia dito fazia o maior sentido.

Em sua mente, Helena buscava uma indicação de que sua decisão era acertada. “Não faz sentido tentar recuperar o Tom”, pensou consigo mesmo, suspirando. ” Não há Tom para ser recuperado.”

Ela precisava fazer o que devia fazer, mas obviamente, não era nada fácil. Por mais odioso que fosse Lord Voldemort, ainda persistia o pensamento de que, por trás daquela máscara de medo, havia o seu amado irmãozão, que tinha ciúmes de tudo e todos. Maldição.

Além do quê, por mais que negasse, estava voltando a se acostumar com Hogwarts. Gradualmente, seu apego por aquele lugar ia aumentando, assim como a apreciação pela companhia de Gabriel Lupos e Norwenna de Klausenburg, assim como as dos sonserinos que conhecera.

“Até mesmo a namoradinha nova do Lupos. Que aliás, é bem melhor do que a sobrinha amalucada do Lockhart.”, riu consigo mesma a vampira, e imediatamente sacudiu a cabeça. No que estava pensando?

Ela deveria abandonar tudo enquanto ainda era tempo ou provavelmente se acovardaria.

“Mas ainda tem a tal da Beckinsale. Ela realmente parece se encaixar nos escritos. Hm. Tenho certeza de que o Lupos saberá ajuda-la, mas ainda assim há o Poderoso Chefão atrás dela. E da minha casa!”, se indignou Helena.

Quem sabe fosse melhor deixa-la se virar? Afinal, se ela realmente estivesse predestinada, não seria exatamente um prepotente que iria pará-la.

“Ela precisa aprender a se tornar vampira para finalmente tomar o primeiro gole de sangue da noite.”, decidiu Helena para si mesma. ” Ainda assim, eu vou deixar minhas instruções, caso ela ache os papéis.”

A vampira foi interrompida em seus pensamentos por um miado alto.

– Arkana! – disse ela em voz alta, não podendo se conter ao ver sua velha companheira.

A gata poltergeist deu um ronronar satisfeito quando sua amiga a pôs no colo e acariciou.

– Tem cuidado bem da Felicinha, não é? – perguntou a vampira – Ela é uma boa menina, você sabe.

Arkana sorriu daquele jeito felino e seu olhar pousou interrogativamente no rosto da outra.

– É, eu estou indo embora novamente. E não vou voltar. Você sabe o que isso significa, minha querida Arkana?

Helena não falou mais nada, mas internamente, sentia que a gata compreendia. Ela seria livre para fazer o que bem entender. Talvez ficasse protegendo Felícia e ajudando o cachorro estúpido do Lupos a não se meter em confusão. Talvez fosse embora para sempre. Quem sabe?

A vampira sentiu que qualquer que fosse a decisão, ela seria acertada.

Só não sabia se estava falando de sua própria ou de Arkana.

Feitiço conjurado por Helena Troy às 20:22 h

Toc, toc.

O tempo estava frio, como já fazia há alguns dias. O salão comunal estava cheio de pessoas desanimadas com seus deveres escolares, e eu era uma delas. Descrever o período histórico que Binns me pedia nem era tão dificil assim, mas sabe aqueles momentos em que você não consegue se concentrar?

O ar estava tenso, pesado – na verdade, parecia que ia desabar sobre todos nós. Curvei-me sobre o livro de História da Magia, e tentei absorver o conteúdo de algumas linhas, porém mesmo lendo em voz alta, meus pensamentos divagavam longe.

Soltei um suspiro e desisti de tentar fazer qualquer coisa que exigisse concentração. Afinal, Mdm.Pomfrey dissera pra eu não me esforçar, certo? Isso se encaixa na categoria. Pus-me a observar a sala.

Parecia que estavam todos ali, esperando por algo. Um milagre, talvez, e rápido, de preferência. Gabriel estava a um canto, fazendo o dever, entediadíssimo, ao lado de Selina, que parecia ter terminado o seu. Ela estava conversando com Fabian Rain, e ambas estavam empolgadíssimas.

No outro canto, tínhamos Felicinha, que parecia entretida numa conversa com Ian, irmão de Seifer Snakeheart. Um pouco mais adiante, numa sombra, até a tal garota estranha, como eu sempre suspeitei, estava. Acho que seu nome é Anna, mas não tenho certeza.

O ar ficou ainda mais pesado, e uma chuva começou a cair. Fraca, irritante, com poucos trovões. Eu fui até a janela e coloquei a cabeça pra fora, bem a tempo de ver ao longe, no horizonte, um lindo raio cair.

_ Ei, Wenna, contemos os segundos pra ver a quanta distância está o próximo raio! – falou ao meu lado uma das garotas menores, Debbie.
Um clarão cortou a nossa frente, e eu prendi a respiração, contando para mim mesma.

Um

Talvez porque eu estivesse me segurando pra não respirar, mas uma pequena tontura se apossou de mim, e eu me apoiei no parapeito da janela.

Dois

O vento uivou forte por um momento, e as pessoas na sala silenciaram, de súbito. Poderia ouvir a respiração acelerada de um rapaz, e meus olhos ficaram vesgos um instante.

Três.

Um estrondo fez-se ouvir e muita gente pulou de susto. A porta escancarou-se de uma vez, e parada diante dela, todos podiam ver uma figura séria, de estatura média, lábios finos e ligeiramente vermelhos, da mesma cor dos olhos, e a pele mais pálida do que qualquer um naquela escola.Seus cabelos revoltos e negros como asas de um corvo, foram jogados pra trás, molhados por causa da chuva. Ela deu um sorriso pontiagudo e sarcástico, antes de dizer com ironia:

_ Honestamente, eu esperava uma recepção um pouco mais animada.

Algumas pessoas se entreolharam, enquanto Helena Troy entrava no salão comunal, tirava a pesada capa de chuva, e era recepcionada pelos miados altos de uma gata extremamente branca.

_ Helena? – ouviu-se a voz trêmula de Gabriel dizer.

_ Ah, finalmente, alguém lembrou do meu nome, foi? – ela disse, olhando doce e friamente para o rosto do garoto.

_ Helena, Helena, Helenaaaaaa!! – falou empolgadíssima Felícia, que correu pra dar um abraço apertado na amiga. – Senti sua falta, sabia!?

_ Acredite, eu também senti a de vocês. – falou a garota, retribuindo o carinho. – E tem cuidado bem da Arkana?

_ Ela se cuida sozinha….parece você. – disse Gabe, abrindo espaço com Felícia, e dando um grande abraço na garota. – Todos nós sentimos sua falta.

O murmúrio correu solto no Salão, e eu fiquei meio imobilizada, olhando para Helena. Mesmo depois de tantos anos, ela ainda me fascinava completamente.

_ Olha, é a Troy..

_ Quem é a vampira? – falou Selina em tom jocoso, caçoando da pele branca da menina.

_ Ela foi monitora ano passado. Depois daquela guerra, foi embora e eu nunca mais a vi. – disse Fabian olhando para ela – Dizem que é boa pessoa.

_Hm.. – falou a moça de cabelos azuis com o olhar pensativo.

Helena se desvencilhou de Gabe, Felicia, e de todos que vieram falar com ela, vindo em minha direção.

_ Oi…Helena. – eu disse, meio timidamente.

Para minha surpresa ela me abraçou. Eu abracei-a de volta, e dei um sorriso.

_ É bom ver que você está bem, Ilusionista. Muito bom mesmo. – disse ela pra mim, e depois mais baixinho – Você ainda consegue me dar aquela ilusão?

_ Claro. – eu disse – O Sol não vai te atingir enquanto não sair do terreno da escola.

_ Obrigada, – respondeu dando um beijo no meu rosto. – Mas me diga…tem alguma coisa meio estranha por aqui, ou eu estou captando uma presença bizarra?

_ Não que eu saiba, Hell. – falou Gabriel que estava ao lado.

_ Parece…não é algo forte, como seu cheiro de cachorro molhado, nem tampouco algo fortemente sutil como o meu. É algo…diferente. – ela disse com o rosto preocupado. – Seja lá quem for, já percebeu que eu estou aqui.

Olhei ao meu redor, preocupada, e vi que Anna, a garota mais estranha, tinha sumido de sua sombra particular.

Helena deu de ombros, e juntou-se ao pessoal, que trazia cerveja amanteigada da cozinha pra comemorar a volta da vampira mais interessante do pedaço.

Ainda assim, eu sentia que tinha algo errado.

Feitiço conjurado por Norwenna de Klausenburg às 13:46 h

Sunday, Bloody Sunday…

Carta extraviada por motivos desconhecidos

Para:Gabriel Lupos,
De: ———–

Gabe,

Finalmente, eu tomei coragem e fiz o que você me recomendou. De todas as coisas que eu posso falar que você já me deu de conselhos estúpidos, essa é uma das exceções.
Eu nunca me senti tão bem na minha vida. Não quero mais nada da vida, a não ser conhecer o mundo, o meu lugar. O nervoso estava me deixando louca.
Hogwarts era um bom lugar, mas eu não tinha mais porque continuar naquele antro de lamúrias. Quero me distanciar o quanto possível daquele lugar, e esquecer da vida que levei lá. Não quero lenbrar de Gustavus com mais do que respeito e saudade, não quero lembrar que talvez fosse meu dever ajudar a minha pupila Gabriella, não quero lembrar que tive que enfrentar meu destino naquele pátio.

Sentirei falta de algumas coisas…sentirei falta do vinho delicioso, sentirei falta da professora Anna e da menina Felícia (para quem, aliás, deixei Arkana), daquele pessoal gostoso com quem costumavamos conversar. Sentirei falta de nossas conversas, e de nossas discussões, e da minha afirmação como superiora (vampiros são os melhores!)…
Mas deixei tudo pra trás…eu enfrentei uma batalha naquele lugar, e quero viver em paz..ou não. O som das lutas chega aos meus ouvidos,e tomei o gosto novamente por sangue humano.
Hoje eu matei um homem. Um ladrãozinho de meia-tigela, não tinha por que viver. Senti quando seu coração parou de bater, e me deliciei com o sangue que escorria por minha goela… Nada, Gabriel, nada substitui sangue. O Vinho é bom, mas é fraco.

Voltando as origens. Voltando as origens.

Estou procurando a verdade, Gabriel…estou procurando o lado certo para tomar quando a batalha do fim do mundo começar. Eu sei do que estou falando, e você ouvirá falar de mim em breve, de uma maneira não tão…agradável.

O sol já vai nascer e eu preciso encontrar um lugar para descansar. Perdi a ilusão que me protegia do gigante amarelo. Norwenna está livre e a caminho dos exércitos de meu irmão…irá morrer.

Adeus, Gabriel, Adeus.

Tornaremos a nos ver quando for tarde demais…

Beijos,

Helena S. Troy.

P.S – Cuidado com o que você não vê.

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I can´t believe the news today
Oh, I can´t close my eyes
And make it go away
How long?
How long must we sing this song?
How long?
how long ´cause tonight we can be as one
Tonight

Helena sorriu para si, deixando o castelo para trás. Não voltaria nunca mais a por os pés naquele lugar, e isso a deixava satisfeita. Já bastavam seus pesadelos quando dormia, não precisava de pesadelos acordada.
Sonhos de mortes, das batalhas que lutaria.

Broken bottles under children´s feet
Bodies strewn across the dead end street
But I won´t heed the battle call It puts my back up
Puts my back up against the wall

A estrada a sua frente estava escura,mas ela trazia consigo o fogo, a luz e a determinação que lhe era peculiar.
O sangue manchava-lhe os dentes, antes, excepcionalmente brancos.

Sunday Bloody Sunday
Sunday Bloody Sunday
Sunday Bloody Sunday
And the battle´s just begun
There´s many lost, but tell me who has won
The trench is dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters Torn apart
Sunday Bloody Sunday
Sunday Bloody Sunday

As veias saltavam-lhe ao percorrer velozmente a estrada em busca de outra vítima. De preferencia alguém com culpa no cartório.
Matar a fazia esquecer da dor de perder alguém…olho por olho dente por dente.

Wipe the tears from your eyes
Wipe your tears away
Oh, wipe your tears away
Oh, wipe your tears away
(Sunday Bloody Sunday)
Oh, wipe your blood shot eyes
(Sunday Bloody Sunday)
Sunday Bloody Sunday
(Sunday Bloody Sunday)
Sunday Bloody Sunday
(Sunday Bloody Sunday)

“De colchão em colchão
Chego a conclusão
Meu lar é no chão”

Helena continuou seguindo o ritmo da noite. Viveria para sempre nele. Sorriu. Ter aquele pensamento em mente lhe agradava. “Liberdade”, gritou ela para a noite vazia.A vampira localizou algo que poderia se tornar abrigo temporário.
Cavando fundo seu buraco no celeiro, ela pulou e cobriu-se como poderia.
O sol nascia.

*Título e trechos de Sunday, Bloody Sunday, U2.

Feitiço conjurado por Helena Troy às 18:54 h

Campanha Troy para o mundo ficar menos hipócrita

Aviso pregado no Mural Sonserino
Campanha Troy para o Mundo Ficar Menos Hipócrita:
Caros colegas de Casa,
Eu, Helena Troy do quarto ano, estou fundando aqui a designada Campanha Para o Mundo Ficar Menos Hipócrita.
Como vocês bem sabem, acabamos de sair de uma guerra contra as “Forças Do Mal”.Estamos todos passeando pelo castelo com as caras mais moribundas, e os olhos cheios de lágrimas.
ENTÃO, eu me pergunto, HÁ NECESSIDADE de ficar perguntando “Está tudo bem com você?” toda vez que nos cruzamos?
Nós já sabemos a resposta.
E sabemos ainda melhor que não há nada que ajude nessas situações.
Por favor, se você acha essa campanha uma M****, leia essas duas palavras: NÃO LIGO.
Não venha me encher o saco, e nem me perguntar se já superei, se está tudo bem, nem mostrar sua solidariedade.Não é isso que eu e outros queremos.
Então, se você acha isso absurdo, um belo F****-se pra você e não dê atenção a esse singelo aviso.
Participe, e ajude a tornar o mundo um lugar menos hipócrita.
Ass: Helena S.Troy

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Hogsmeade tornou-se um lugar estranho após os ataques.Vejo as pessoas reconstruindo o que faz parte de suas vidinhas, e não sinto a menor pena nem vontade de ajudar.

Porém, peguei o gosto de passear por entre os escombros e ver que, como um bando de formigas, tentamos reconstruir o formigueiro após Deus (com seus delicados pés e sua lupa divina) destruir tudo o que levamos tanto tempo para fazer.

E foi naquela tardezinha medíocre logo depois da volta da Romênia, a qual prefiro nem comentar para não me voltarem as lágrimas da despedida de minha aprendiz Gabriella, que conheci o bar mais estranho que já havia visto.

Era uma porta verde que dava acesso a ele, e estava semi-aberta.Não me perguntei se poderia entrar, simplesmente fui passando pelo longo corredor que dava acesso a uma sala pequena, iluminada apenas por uma lareira.

_O que você quer aqui? – perguntou-me rudemente um rapaz de por volta seus 27 anos, que provavelmente era o proprietário.

_Eu vou lhe dar uma chance para adivinhar o que vim fazer num bar. – disse irônicamente.

Ele franziu a sobracelha e deu um meio-sorriso. Virou um copo e serviu-me um drink estranhamente azul, o qual bebi imediatamente.

_Não era Fogo Hiroshima o qual eu procurava, mas serve-me. – disse depositando firmemente o copo no balcão.

_Você é menor de idade. – apontou ele.

_Na verdade, sou mais velha que você.Mas isso não interessa agora.- eu falei jogando alguns galeões ali.

Ele atirou as moedas de volta.

_Por conta da casa, vovó.

Dei de ombros.

_Você quem sabe.

Feitiço conjurado por Helena Troy às 14:30 h