Que venha a tal vida nova

Ai, que bom, orelhudinha querida, que bom que você voltou pra gente!!!

Minha vista ainda estava embaçada, mas pude enxergar Dani Lupin me agarrando pelos ombros e me abraçando, muito agitada e feliz. Alexis também estava em cima da minha cama e… Harry, sentado ao lado, me olhava sorrindo.

Forcei um sorriso para todos. Não era fácil acordar ali, do que eu considerava um sonho muito malévolo. Como a atmosfera estava mais leve, eu até acreditei por um instante estar saindo de um pesadelo. Mas logo a visão de madame Pomfrey colocando Alexis na cama e a dor que senti nas costas me disseram que talvez não tivesse sido um pesadelo.

– Dani, eu… quer dizer, o que está acontecendo? Onde está a minha mãe? Eu sonhei ou ela…

– Shhh, descanse, vai ficar tudo bem – foi Harry quem respondeu, suspirando – e você não sonhou…

Ele continuou me olhando com um ar de tristeza que me fez compreender. As lágrimas voltaram a correr pela minha face. Durante o sono comatoso de dias, eu me via perdida na floresta sozinha, no escuro, procurando por ela… ela havia morrido, mas eu não queria acreditar. Sentia frio, desalento, tristeza, desânimo. E agora, ao acordar para o mundo, constato que é tudo verdade. Eu não tinha mais a minha mãezinha, aquela que me era mais cara no mundo, minha vida, meu ninho. O que eu vou fazer sem ela?

– Mas… onde ela está? – perguntei enquanto procurava em volta, como se pudesse localizá-la.

Harry sentou-se mais perto. Segurou minha mão entre as suas.

– Os elfos da floresta a levaram – respondeu por fim.

– Arwenzinha, querida, vai ficar tudo bem, olha só, você não está sozinha não, viu? Você tem a mim, à Alexis e ao Harry aqui… – tentava me animar minha grande amiga, Dani Lupin.

Nesse instante, um moço de meia-idade, louro, de aparência cansada entrou na enfermaria e caminhou em nossa direção. Remo Lupin sentou-se numa cadeira entre a minha cama e a de Alexis.

– Bom ver que a nossa menina está acordada! Seja bem-vinda de volta, Arwen! E essas lágrimas? Ei, fique feliz. Você está viva.

– Sim, mas minha mãe não… e o que eu vou fazer agora? Professor Lupin, eu não tenho mais ninguém, o senhor sabe, meu pai morreu antes de eu entrar em Hogwarts… não tenho avós, nem tios, nem primos, nem nada. Minha mãe era tudo o que eu tinha nessa vida! Me conforta saber que pelo menos alguém a tirou da floresta.

Minha voz embargava e eu não saberia dizer se eu realmente falei tudo isso ou se pensei e não consegui pronunciar metade das palavras. Lembrei do pedido que ela me fez. Eu não podia. Simplesmente não podia!

– Professor, alguém pode me contar o que aconteceu? Por que Volde… ahn… Vocês-sabem-quem foi embora e não me matou também?

Lupin e Harry entreolharam-se. Lupin limitou-se a dizer que Harry tinha sido responsável por aquilo, que ele havia tentado sair do castelo, mas não conseguiu e que tentou “outros meios, se é que me entende” para me livrar. Minha consciência pesou ainda mais. Como cumprir o que minha mãe pediu ao morrer?

– Quanto para onde ir… essas férias você iria passar um tempo com os elfos, lembra-se? Ainda pode ir, se quiser. Acho que sua mãe ficaria feliz. E quanto aos demais dias, você pode ficar conosco, em Hogsmeade… embora um outro casal já tenha manifestado desejo de que você fique com eles até atingir sua maioridade.

Olhei desconfiada para ele. Outro casal? E quem estaria interessado na minha guarda?

– Quem?
– Os Dumbledore… – e olhou sorrindo marotamente para Alexis, encostada num monte de travesseiros. Ouvindo isso, ela sentou num salto, com os olhos arregalados.

– Hã? Arwen vai ficar com a gente? Vai? Diga professor, ela vai ser minha irmã???

Ele sacudiu a cabeça afirmativamente – Se ela quiser, é claro.

– Tá brincando, professor??? Claro que eu quero!!!

– E vocês estão convidadas a ficar uns dias em nossa casa, não é, Dani? Acho que minha filha marota não vai suportar ficar tanto tempo longe de vocês duas…

****************************************************

Expresso Hogwarts- a caminho de Kings Cross, Londres, onde o sr. e a sra. Dumbledore nos esperaria. Eu iria para Lothlórien daí alguns dias e até lá, ficaria na casa dos pais da Alexis. Dani Lupin ficou em Hogwarts.
Durante a viagem, minha amiga me contou suas peripécias na batalha, os mortos, os feridos, a história da poção e a escolha dos beneficiados. Fiquei imensamente triste por Anna, que a essas alturas já deve estar bem adiantada no ritual de cura, em Wakantanka. Contou do chilique do Snape, depenando e exsanguinando as harpíonas. Ele agora deve me odiar mais que tudo nesse mundo.
Harry falou pouco. Estava mais sério que de costume. Sem jeito, eu diria.
A par de tudo, comecei a digerir os últimos acontecimentos.
O que se faz com uma dor sem tamanho? Queria poder arrancá-la de mim e jogar no lixo junto com a dúvida que me consome. Tudo o que eu mais queria era um momento de paz.

ferias01

Feitiço conjurado por Arwen Lórien Potter às 14:35 h

Fatos dos últimos dias. Não olhe se quiser boas noticias.

Cheguei a Noruega. O clima está horrível. Parece estar me acompanhando. Bem capaz de que agora que deixei a Inglaterra, lá esteja sol…

Bom, acontece muitos sonhos, ou melhor, pesadelos estavam me atormentando… Além de toda as outras pressões e preocupações.

Eu tinha que falar com Alice pela morte de Laura, e isto era inevitável. Não importava o quanto isso fosse trágico e horrível para mim. Eu tinha de falar com ela. Pois mais cedo ou mais tarde ela perceberia, sendo assim, melhor que fosse por mim.

Amor… Eu comecei sentando ao lado de sua maca. Seus pés já estavam quase perfeitos, novamente. Isso fora duas semanas depois do término da guerra. Eu tenho que falar algo importante com você.

Diga, Gabriel. Aliás, não querendo interromper, mas assim que achar Laura, diga para ela me visitar.. Pois mesmo tendo brigado com ela, eu sinto sua falta. Ela sorriu. Eu sorri de volta. Era completamente inevitável, pois além das piadas do August, que me traziam momentos de alegria, aquele sorriso foi a única coisa que me deu uma felicidade boa. De aquecer o coração, após o fim da guerra.

O assunto não é agradável. E este é um dos que não possui lado bom… Me impressionava com a minha falta de sutileza. Há pessoas que achariam bastante sútil o meu começo, mas para mim, não era o suficiente…. Alice, meu amor, Laura sofreu um ataque na Floresta…

Mas ela está bem, não?!?! Está aqui na enfermaria?! Ou foi para algum hospital? A essa altura ela já chorava e eu também.

Não, não e também não. Ela fa… Engoli em seco… Faleceu. Então ela chorou mais forte. Algumas lágrimas ainda persistiam a cair dos meus olhos, mas já estavam cessando. Deixei ela apoiar a cabeça no meu ombro e molhar minha camisa.

Mas me diga, ela sofreu muito? Quem a matou? Ela tentou se recompor em vão.

Foi Rodolphus Lestrange. Já capturei o crápula. A essa altura está em Azkaban com os aurores mais renomados. Não, ela não sofreu. Acho que foi melhor assim.

Bom, o resto vocês já devem imaginar como foi e eu, pessoalmente não gosto de sofrer. E quando lembro dessas coisas, estou sofrendo.

Bom, agora outro ponto-pressão é a tristeza de Helena, minha melhor amiga de muito tempo atrás. Gustavus morreu também, porém ainda não tive tempo para chorar por ele. Mas tive para me preocupar com minha amiga, apesar de perceber que ela deve seguir seu próprio rumo e enfrentar sua própria dor. Não posso fazer nada.

Outra coisa foi o fato de eu estar ajudando a reconstruir o castelo. Bom, eu mais ajudei limpando a floresta de certos bichos mortos e matando os que, porventura, sobraram. Lá aconteceu outra cena dramática e, acreditem, estou cansando delas….

Após um tempo, eu, Fangs e Bolhinha (Estavam me ajudando), encontramos um smokemaker, porém não nos ouviu. E nós seguimos ele. Ele fez um caminho que foi dar numa clareira enorme, com uma área maior do que a colina Rawenclaw. De vários outros caminhos, surgiam smokemakers também. Todos se reuniram no meio da clareira. E como algo mágico, começaram a brilhar em diversas cores.

Eu não acredito! Eles estão recarregando energia. Bolhinha disse no meu ouvido.

Bolhinha, por favor, não me venha falar de smokemakers. Aliás, nem sei porque segui um. Se meu objetivo nessa ajuda na floresta é esquecer a morte de Laura.

Ai, ai, ai! Gabe, você não está entendendo a proporção disso. Isso quer dizer que nesta clareira está o portal do Mundo da Fantasia que deu passagem aos smokemakers… Este é o último destes dois séculos, XX e XXI. Nós temos que fechá-lo e mandar os smokemakers de volta. Porque eles são horríveis e se reproduzem rápido. Além do que após um mês de vida, um smokemaker já pode atacar.

Ótimo, mas como faremos isso? Perguntei enquanto sorria de orelha a orelha. Aqueles bichos do demônio estavam prestes a ir embora.

Eu conheço uma magia antiga. Mas com tantos smokemakers, precisarei de mais duas fontes de magia e elas estão com você.

Captei e coloquei, um em cada lado da fada, no chão, o punhal de Sal e a minha varinha.

Magia do tempo dos eremitas do leste e das bruxas do oeste.
Quando os três mundos viviam em harmonia.
Quando seres ignorantes não tinham medo em seus corações.
E que, seres mágicos, pessoas e sonhos viviam em paz.

Preciso de ajuda para seres mágicos,
O vento levar ao mundo separado
Para eles destinado.

Nossa, a voz de Bolhinha estava incrivelmente diferente. E então, maravilhado, eu vi das pontas da minha varinha, do punhal (Que ficou verde de novo) e da boca de Bolhinha, sair uma luz amarelada que fez um escudo momentâneo em cima de toda a floresta e reuniu todos os smokemakers na clareira, ou melhor, no grande buraco de luzes piscantes e giratórias que ela havia virado.

Bolhinha estava sendo puxada para ele também.

Gabe, eu estou sendo levada também…

Bolhinha, está na hora de decidir se você vai para o seu mundo e me deixa ou fica comigo aqui e só vê ele daqui 200 anos.

Ai, ai, ai!! É muito difícil para mim… Hm… Por dentro ela parecia travar uma batalha com seu coração. Eu queria que ela ficasse. Afinal, não posso perde-la! Ela é muito importante para mim! EU FICO!!!

E o portal se fechou.

Bom, além disso tudo, ainda tenho sonhos da noite da morte de Laura.. Mas isto eu conto depois, pois é um capítulo masoquista a parte…

E além de tudo, ainda tenho tempo para ser monitor dos pequenos que ficaram e arrumar a mala do professor Snape.. Ai, Anna, melhore!

Feitiço conjurado por Gabriel Lupos Black às 17:37 h

As verdades sobre nós…

_Par.

Eu pedi e fechei os olhos com força. Eu sabia que a Morte sorria, mas eu não queria saber o resultado daquele jogo.Poderia ser o maior presente ou a maior decepção.

_Helena, pode abrir os olhos.Você ganhou. – falou uma voz conhecida ao pé de meu ouvido.

Aquela voz…aquela voz…

_GUSTAVUS! – eu me pendurei no pescoço dele e ele delicadamente me afastou.

_Na verdade, sou só uma sombra do que fui.Se você não me deixar partir, nós nunca poderemos nos reencontrar, Hell… – ele disse com um sorriso gentil.

_Eu não entendi, Gus..o que você quer dizer?Eu sinto tanto a sua falta…eu matei aquele filho da mãe do Ragnarok, ele nunca mais vai poder…

_Não, Helena.

_Não o que?

Ele sorriu e me fez sentar na poltrona.Voltei os olhos para o redor da sala, que parecia a mesma, mas tanto Sandman quando a Morte já haviam partido.

_ Helena, quando eu morri, descobri a natureza de nós vampiros…por favor, me escute, isso talvez seja importante num futuro próximo. – ele falou decidido, com uma voz que eu nunca havia ouvido Gustavus usar – Os vampiros não tem alma. Nós perdemos a nossa alma quando somos abraçados. Quando morremos, vamos parar num outro mundo, parecido com o nosso, mas fantasmagórico. Nossa missão, é procurar nossa alma de volta, para então renascermos na Terra.Esse é o nosso pacto com a Morte.

Ele disse tudo aquilo de um trago só e eu tomei um choque.Normalmente, a versão que se corria era de que éramos humanos que não queriam morrer pois sabíamos que iriamos para o inferno…e fizemos um pacto para que isso só acontecesse por causa de um ataque ou algo do genero.Quando morressemos nessas circustâncias, seguiriamos o caminho que tanto adiamos, que era direto para baixo.

_ É, eu sei o que você deve estar pensando, minha Helena, mas garanto que o que digo-te é a mais pura verdade.Quando voltamos a Terra, seguimos nosso caminho até encontrar um vampiro e recomeçamos os ciclos. – ele disse firmemente – Cada um tem um caminho que irá seguir.Nossas almas, Helena, são puras.Na verdade, nós somos imortais para que possamos cumprir nossas missões na Terra. Eu cumpri a minha, que era te proteger.A sua haverá de se cumprir ainda, meu amor.

“Nós nos reencontraremos, Helena, num futuro, quando eu encontrar minha alma e renascer.Ainda esperarei outros 200 anos até rever-te.Mas até lá, não haverá ninguém que eu ame.Eu só sirvo para você.” continuou ele num tom apaixonado me envolvendo com seus braços. ” Porém, descobri que você não pode se apegar à minha figura…pois não conseguirei partir para a minha busca se você continuar a chorar por mim.E….e você não estava destinada só a mim.Seu destino é encontrar outra pessoa…e ele haverá de te fazer feliz até que sua hora chegue.E se ele não fizer, eu vou lá e quebro ele inteiro!”

Nesse ponto eu vi que os olhos dele marejaram e ele teve de me soltar.

_Por isso, meu amor, não se prenda a mim, e não chore quando eu partir.Você ainda tem que encontrar a felicidade.Eu sei que é dificil, porque outro igual a mim, só na minha proxima vida.Sabe como é, não é todo dia que a gente acha alguém tão gostoso…

Então, ele abriu um sorriso.E naquele sorriso sacana, eu vi o meu antigo Gustavus. O olhar sarcástico, o sorriso sacana. Não pude deixar de retribuir e comentar:

_ Eu não te disse, mas logo que te vi te achei bem feiozinho viu…

Ele deu uma gargalhada cristalina e me deu um beijo de leve nos lábios.Foi aí que começou a flutuar.

_Helena, eu ia esquecendo de te dizer! Vá até a clareira certa na Floresta…e você vai achar algo que precisará muito.

_Não irei esquecer.Te amo, Gustavus. – eu disse alto.

_Eu sei.Eles me chamam, Helena Servoleo Troy. Até mais!

E foi sumindo aos poucos, até que só restou um sorriso sacana e o eco da gargalhada dele.

_Vai em paz, meu gatinho de Cheschire. – eu desejei sarcásticamente.

Num estalo final, ele sumiu.

E, como se eu tivesse corrido uma maratona, acordei.Então, lançando um olhar para a janela, soube o que deveria fazer.

——————————————————

Gabriel acordou no meio da noite, como as vezes acontecia, e tentou se lembrar do sonho que tivera.Não conseguiu e isso o irritou um pouco. Pé ante pé, resolveu ir até uma das janelas para ver se a noite o animava.
Seus olhos estavam quase fechando quando notou um vulto negro que se movia pelo pátio em direção a Floresta.
Gabriel ficou alarmado.Seria uma criatura que escapou da batalha e do extermínio na floresta?
Farejou.
_Ah, Helena… vai dormir. – disse ele reclamando e voltou para cama.

Helena envolta em seu manto negro apenas deu um meio-sorriso para o lobisomen e seguiu seu caminho em direção as árvores.

Feitiço conjurado por Helena Troy às 16:25 h

O herdeiro da Casa dos Black

Cenário: Sala de reuniões da “Mui Antiga e Nobre Casa dos Black”. Haviam passado apenas alguns minutos das seis horas da manhã, e vários dos integrantes da Ordem da Fênix estavam reunidos. Adhara e Misty foram trazidas por Tonks, ainda vestindo pijamas. As duas garotas protestavam freneticamente por serem tiradas da cama de madrugada. Tonks deixou as duas paradas, de pé, no meio do grupo que as olhava com desaprovação. As garotas tinham a nítida sensação que a “reunião” para a qual foram convocadas àquela hora não se referia, como Misty havia sugerido, que os membros da Ordem da Fênix tivessem mudado de idéia e as deixassem participar das decisões do grupo, mas tinha muito a ver com o incidente envolvendo o quadro da Sra Black e as pipocas no dia anterior.

Adhara olhava à sua volta por cima das cabeças das pessoas ali sentadas. Entretanto, Quim Shacklebolt estava de pé, e seus olhos se encontraram por um instante. A garota sentiu o estômago dar uma cambalhota. Ele se matinha impassível, sério, parecia realmente zangado. Adhara se perguntava se teria que o ouvir o velho discurso do auror a respeito da boa educação pela milésima quarta vez. Foi então que a porta da sala de reuniões se abriu e o diretor de Hogwarts apareceu.

Dumbledore tinha a aparência cansada, e um longo pergaminho nas mãos. As meninas perceberam que ele tinha uma das mãos estranhamente agredida. A pele estava enegrecida e ele usava um anel antigo no dedo médio. Misty tentou cutucar a amiga sem que ninguém notasse, mas esta tarefa se tornava muito mais difícil quando nenhuma das duas usava as capas da escola e quando havia uma dúzia de bruxos adultos encarando-as por todos os lados. Parecia que todos ali sabiam do que se tratava a tal reunião, menos as duas garotas. Por que ninguém falava?? O que teria acontecido de tão absurdo a ponto de fazer Dumbledore abandonar a própria escola em ruínas, para estar ali, às seis horas da manhã, e com aquela cara?? Que hipogrifos havia naquele pergaminho que ele segurava?

A voz de Dumbledore quebrou o silêncio.

AD: Foi encontrado no Gringotes. É legítimo.
NT: Não há nenhuma possibilidade de que tenha sido alterado, Dumbledore?
AD: Nenhuma, Ninfadora. Aqui está o único e verdadeiro Testamento de Sirius Black.
AB: O o quê?? Como assim, testamento?
QS: A partir de fontes seguras, e com o excelente trabalho de alguns membros da Ordem, cuja atuação não vêm ao caso, senhorita McGonagall, nós descobrimos que Sirius não deixou seus bens para você, Adhara.

Misty arregalou os olhos. Como ele sabia o que eu estava pensando??

AB: Quim, me poupe. Você não acha que eu vou cair nessa, acha? Quem mais poderia herdar essa casa e tudo mais que pertenceu ao Sirius?? EU sou irmã dele. A única que resta, diga-se de passagem.
QS: Dumbledore tem a prova em suas mãos.

O diretor desenrolou o pergaminho e começou a lê-lo. Adhara sentia o chão desaparecer sob seus pés frente às palavras de Alvo Dumbledore. Não era possível, Sirius não faria isso. Ele não poderia ter feito isso! As palavras contidas no pergaminho não deixavam dúvidas. Todos os bens pertencentes em vida a Sirius Black eram agora propriedade de Harry Potter.

Justamente o Potter-macieira! A garota se recusava a acreditar que o irmão havia preferido o afilhado a ela. Ela percebeu que Misty gesticulava à sua frente, mas não lhe deu atenção. As palavras do senhor Weasley e de Tonks pareciam não entrar em seus ouvidos, elas simplesmente passavam de um lado para o outro. Afinal ELA tinha direitos. ELA era herdeira legítima dos Black. Adhara, e não Harry Potter. Que diabos Sirius tinha na cabeça para deixar tudo – a casa, a conta no Gringotes, até mesmo Bicuço – para Harry? Ela não merecia nada? Tudo que ela levaria de herança do irmão que tanto amara era o anel que ele havia lhe dado há dois anos, o anel com o brasão dos Black? A garota mantinha o olhar inexpressivo, repleto de frustração, raiva, impotência. Decepção.

Shacklebolt ouvia-lhe os pensamentos. Quando encontrou uma brecha, em que a menina respirava pesadamente, ele tomou a palavra.

QS: Não culpe o seu irmão. (não estou culpando, estou apenas exigindo os meus direitos!) Tenho certeza que ele fez o que melhor que pôde. (ah sim, claro, o melhor que ele podia fazer era proteger a macieira mesmo…) Mesmo que você não concorde, Adhara, (claro que eu não concordo, o que você queria? Que eu desse pulinhos e soltasse balões de felicidade?) você não é herdeira legítima de nada aqui. (ah sim, vai querer você também insinuar que eu sou uma bastarda? Já não basta a ‘mamãezinha’ no quadro não?). Você não foi reconhecida pelo velho Hadar Black em vida. (por isso mesmo, Sirius deveria saber que ele era a única pessoa que poderia deixar algo para mim).

NT: Ou talvez – Tonks media as palavras – Sirius imaginasse que se você fosse a herdeira, você não teria a boa vontade de dividir o que é seu com Harry…
AD: Mas eu tenho absoluta certeza, senhorita Black, que o jovem herdeiro de Black não fará objeções a respeito da sua permanência nessa casa.
NT: Obviamente, Adhara, você vai continuar freqüentando a casa, vai ficar morando aqui.
AB: Claro que não. Se tudo isso aqui é do bebezinho Potter, ele que fique com a casa, com as tapeçarias… até mesmo com o Monstro! Eu não vou viver de favor. Vou embora daqui agora mesmo.
AD: Sinto desapontá-la, mocinha, mas a senhorita não vai a lugar algum. Vai permanecer aqui, sob a guarda de Shacklebolt, como seu irmão assim desejou. Já foi dito, Harry não faz questão alguma de lhe tirar daqui.
AB: Vocês… são desprezíveis! Eu sou maior de idade, posso ir pra onde eu quiser.
QS: É mesmo? Vá então, quero ver pra onde você vai. Pra quem vai pedir socorro.
AB: Misty, vamos embora daqui.
NT: Misty não vai a lugar algum. Não adianta fazer cara feia, vocês duas. Vocês vão lá pra cima trocar de roupa. Adhara, não se esqueça que seu estágio no Ministério da Maga começa hoje.
AB: Você não manda em mim.
QS: Enquanto você estiver aqui dentro, mocinha, vai acatar as ordens que lhe forem dadas sim senhora. Agora apresse-se, você irá comigo ao Ministério. Estou saindo em meia hora.

Adhara lançou ao homem de quase dois metros o que lhe pareceu seu olhar mais arrogante e frio, e saiu da sala, arrastando Misty pelo braço e batendo as portas. Nem mesmo os berros insanos do quadro no corredor a fizeram voltar a si.

Feitiço conjurado por Adhara McClaggan Black às 11:15 h

O Chamado da Floresta

Passei os dias indo para todos os cantos, feito fantasma.Não falei com ninguém mais do que o suficiente e minha cabeça parecia vazia. Agora, eu estava diante da possibilidade de ter que levar Gabriella para o mundo vampiro, e entroná-la, com o recebimento de uma carta de minha avó, que está desesperada.
Eu não conseguia pensar em nada, e vira-me forçada, diversas vezes, antes de dormir, a encarar a morte de Gustavus.

Permaneci ajudando na reconstrução da torre Snape, mas muito pouco, estava mais envolvida com os trabalhos que estavam sendo feitos na Floresta Proibida, eliminando o que sobrava de criaturas maléficas, e possíveis ninhos de bichos indesejáveis.

A Floresta parecia me atrair, tudo ali me parecia mais convidativo que a masmorra parcialmente destruída da Sonserina e que tanto me lembrava o que eu queria que partisse em paz.

Sentia a necessidade de ir a floresta.Precisava me aconselhar.

Eu me sentia perdida. Completamente perdida. E foi então, que lembrei de um presente…que eu escondera debaixo de meu travesseiro, para que me desse sonhos bons.

A pedra de churinga de Salazar.

E naquela noite, dormi agarrada com aquela pedra, que tanto parecia me confortar.

Uma sala enevoada apareceu..havia uma lareira, e poltronas.Um quadro mostrava os ciclos da lua, enquanto sangue caia numa poça e uivos eram ouvidos, como que sussurrados.Então, ouvi uma porta se abrir, e alguém entrar.

“Helena? Helena Troy! Que bom que me chamou…mas você parece preocupada.O que aconteceu?” Salazar Snape fez questão de correr para atender meu chamado, e estava sentado na minha frente indo direto ao assunto.

“O Gustavus, Salazar.Morreu.” eu respondi, secamente. ” Mas você sabia,não sabia?”

” Helena, eu sinto muito mesmo…eu gostava dele, era um…”

“Você sabia o tempo todo que ele ia morrer, não sabia?”

“Helena, eu…”

“Me responda, Salazar.Eu quero apenas uma resposta.Sabia ou não?”

Ele cruzou os braços, contrafeito e o cabelo caiu-lhe sobre a face.

“Sabia.”

“Imaginei. Por que você não…?”

“Helena, tão bem quanto eu, você sabe que o destino é praticamente imutável.Você sabe.As viagens no tempo estão estritamente programadas.Não havia como fugir. Eu nunca havia ouvido falar de você até vir pra cá, e de Gustavus muito menos. Vocês fizeram questão de não deixar marcas na passagem por Hogwarts, apenas em quem os conhecia.” Salazar disse confiante e eu não tive como rebater.

“Eu preciso de ajuda..um conselho, talvez. Há algo na Floresta que está me chamando.Eu tenho certeza.O que você acha que eu devo fazer?” eu perguntei na lata para ele

“Você sabe que não ouviria o que eu falasse.Mesmo que eu colocasse minha opinião.” ele sorriu para mim, e eu tive que concordar.

Ele foi sumindo gradualmente, e em seu lugar uma segunda figura surgia… eu tinha certeza de quem era, e mesmo que não tivesse, não era preciso perguntar.

Sandman sempre surgia com graça, elegância, e qualquer um que gostasse de lendas tanto quanto eu, reconheceria seus cabelos negros e olhos estrelados.Ele sorria para mim.

_Então, minha princesa Helena…seu aniversário é amanhã, não é mesmo? – perguntou ele para começar a conversa.

_Bom, é…mas sabe, rei Sandman, eu não sou mais uma princesa e… – eu tentava demonstrar tanto respeito quanto sentia.

_Bobagens, eu diria. Sua mãe tinha o sangue de uma rainha.Consequentemente, corre em suas veias o sangue azul da realeza. Então, mesmo não assumindo o trono, você sempre será uma princesa.

_Mas ninguém precisa saber disso – eu falei para completar o que Sandman disse.

_Exato. – ele abriu um sorriso branco – porém não é para discutir sua nobre linhagem que eu tão rudemente retirei Snape daqui.Amanhã, hoje na verdade já que passa da meia-noite, é seu aniversário.Permita-me ser o primeiro a cumprimentar-te por isso. – ele beijou de leve a minha mão – e deixe-me dar um presente a você.

A porta rangeu e se abriu.Entrou uma garota, ao estilo puro gótico, muito bela ao seu jeito.

_Minha irmã, a Morte.

_Oi! – ela sorriu e acenou.

Então era aquela a menina da qual os vampiros tinham um pacto, e era ela mesma que viera buscar o meu amado naquela noite.

_Olá – eu disse meio sem voz.

_ Meu irmão tem um apreço muito grande por você.Como é seu aniversário, eu decidi ajudá-lo a te dar um presente.Se você ganhar de mim em algum jogo de sua preferencia, eu posso deixar você conversar com algum morto por…mais ou menos 1h..

Ai meu São Guinefort.Sandman é o melhor.Mas…caraco, ganhar da Morte, não é uma coisa muito fácil…

_E aí, o que vai ser?

_Par ou Ímpar?

Feitiço conjurado por Helena Troy às 20:29 h