Monitoria de Poções – final – A Loba vence as cobras

Olá. Meu nome é Daniela Lupin, tenho 14 anos, obviamente sou estudante e, modéstia à parte, sou uma aluna bastante aplicada. Minha vida poderia ser considerada normal se: 1) eu não fosse uma bruxa (aprendiz, na verdade) e 2) eu não fosse filha adotiva de um lobisomem. Aliás, se não fosse por esse último fato mencionado, minha vida na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts seria um pouco menos traumática. Não! Não há nada de errado com o meu papis! Ele é maravilhoso e perfeito como ele é e eu não poderia desejar outro melhor! O problema é que ano passado, ele veio como convidado do nosso diretor lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas. E desde então, a velha rixa entre ele e o nosso professor de Poções veio à tona. Não por causa do papis, claro, porque ele é um lord, mas por causa do Morcegão. O Morcego odeia o meu pai. E né, me detesta por tabela. Não bastasse o fato de ele já não ir muito com a minha bela e marota carinha por causa das minhas amigas, que ele também detesta, ainda tive que agüentar mais essa. Pelo menos eu não sou da Grifinória, nem tenho o sobrenome da minha amiga Zoreia, senão eu realmente seria eleita o saco de pancadas oficial de Hoggy. Não sobraria nada da implicância do morcego velho nem para Harry Potter, anotem o que estou dizendo.

Bom, vou parar de enrolar e ir direto ao assunto. A monitoria de Poções. É, eu sei, parece uma maluquice sem tamanho eu tentar a monitoria depois de tudo isso que eu expliquei ali em cima. Mas eu não podia deixar passar, afinal é a minha matéria favorita, apesar do professor não ajudar muito. Eu simplesmente não poderia permitir que essas besteiras me afetassem e me impedissem de tentar. Muito provavelmente estou assinando minha sentença de ser o elfo doméstico das masmorras até o fim dos meus dias nesta escola, mas essas questões são apenas bobagens frente às possibilidades para nosso futuro, não? É o que eu penso.

Enfim, depois da prova ministrada pela professora McGonagall, eu me saí muito bem. Respondi todas as questões teóricas com rapidez e a prova prática foi moleza. Lógico que fiquei curiosa para saber o que houve com o chatonildo do morcego ensebado, mas não posso reclamar, posso? Assim foi muito melhor para mim, já que eu era a única aluna não sonserina naquela masmorra. E então, no dia seguinte à prova, saiu o resultado no mural do saguão de entrada da escola. Fui ao céu e voltei quando vi meu lindo nominho no topo da lista! Passei! A vaga é minha! Uhu!

Mas claro que a coisa não acabou por aí. Assim que Snape chegou de sua misteriosa ausência, ele trepou nas tamancas por causa do resultado. Fiquei sabendo por fontes ultra confiáveis (aham, eu juro que não vou falar que foi o meu diretor, porque ele nuuuunca faria isso!), que o morcegão reclamou, esbravejou, acusou os professores de complô contra seus alunos e exigiu uma revisão das provas por uma banca examinadora externa. Que todas as provas foram submetidas a uma nova correção, que a prova prática foi anulada por insistência do nosso professor xiliquento e que um novo resultado seria divulgado. E assim aconteceu. E mais uma vez, eu passei. Só mudou a ordem dos nomes abaixo do meu. Eu continuo dentro. Como só existe uma vaga, apresento-lhes a mais nova monitora de Poções de Hogwarts: Daniela Lupin.

Eu sei que agora, depois de todo esse rolo, essa vitória vai parecer mais um ato masoquista do que qualquer outra coisa, uma vez que se antes ele já tinha seus motivos para ficar no meu pé, agora então, nem quero pensar no que vai ser. Mas estou feliz, porque era o que eu mais queria, então parabéns pra mim! Quero festa de comemoração! Alô marotada, que horas vamos fazer nossa guerra de panquecas com direito a dancinha da vitória e briga de travesseiros?

E que venham os dias enfurnados nas masmorras!

Monitoria de Poções – parte 3 – Dani Lupin vai à luta

Daniela Lupin seguiu apressada pelos corredores iluminados apenas por alguns archotes flamejantes, em direção às masmorras do professor Snape. Ela, anteriormente bastante segura de si, começava a sentir uma pontinha de ansiedade. Afinal, ela não era uma das alunas mais queridas do amado idolatrado salve salve mestre das Poções. Ainda assim, continuou caminhando rumo ao seu objetivo, chegando finalmente às portas da sala de aula. Ela deu um suspiro profundo e as abriu. Não estava atrasada, mas tinha consciência de que estava chegando em cima do horário marcado. Um pequeno mar de cabeças se virou em sua direção. Todos os candidatos já estavam a postos aguardando a chegada do professor. Todos, sem exceção, eram da Sonserina.

Dani se dirigiu de maneira bem altiva rumo à uma carteira livre na primeira fileira, bem defronte à mesa do professor. No trajeto, ela pode notar os olhares curiosos de alguns candidatos. Outros a observavam com um sorriso escancarado de deboche, e alguns ainda, a encaravam com visível ar de contrariedade pela audácia da corvinal, por ela se candidatar a um cargo que deveria ser de um deles por direito. Lupin deu de ombros, ignorando as reações dos concorrentes, tomando finalmente o seu assento. Não tardou muito e ela sentiu uma bolinha de papel lhe atingir a cabeça. Virou-se para trás para ver quem fora o retardado que implicara com ela, e ouviu uns risinhos irritantes.

– Mas é muita audácia da filha postiça do lobisomem aparecer por aqui, não? – uma garota ria abertamente, enquanto apontava para a marota. Os outros caíram na gargalhada.

A marota Avoada tentou se controlar, não daria motivos para que Snape a descartasse mesmo antes de começar a prova. Respirou fundo mais uma vez e virou-se para frente, encarando a lousa negra, enquanto o restante da turma se esvaía em risadas sarcásticas, fazendo comentários maldosos sobre ela. “Quem ri por último, ri melhor”, ela pensou. Tão logo tivesse oportunidade, ela daria um jeito de ir à forra. Naquele momento, entretanto, ela só queria se concentrar no exame que estava por vir.

– Silêncio, por favor. Somente penas e tintas sobre a mesa.

A voz feminina austera e autoritária ecoou nas masmorras. Os sonserinos viraram-se assombrados para se certificar de que não se tratava de uma pegadinha. Dani, porém, sorriu satisfeita. Encarou sorrindo a professora de Transfiguração, que tomava posse temporária da escrivaninha do morcegão, sentando-se diante da turma.

– Boa noite. O professor Snape precisou se ausentar e fiquei encarregada de ministrar o teste de monitoria para os senhores. A prova será dividida em duas etapas, a primeira será a avaliação teórica e em seguida, teremos uma breve prova prática. Já sabem o comportamento que espero dos senhores, portanto concentrem-se e boa sorte.

Dani Lupin sorria sem esconder nenhum dente. As coisas começavam a se movimentar a seu favor mesmo antes que ela pensasse em que azaração usar contra aquela cambada de despeitados. Silenciosamente, ela agradecia a Merlin, Morgana, Circe e a todos os grandes bruxos das grandes eras históricas, por interceder a seu favor. Esfregando as mãos uma na outra, ela recebeu seu pergaminho, se debruçou sobre ele e começou a responder avidamente as questões.