Todo mundo em pânico

Copa Mundial de Quadribol – final

 

– Josh, o que… Como você… Você aparatou aqui?! – Arwen falava baixo, encarando o colega corvinal bastante surpresa. Afinal, Joseph Belmont tinha praticamente a mesma idade que ela e que todos os outros que estavam mais atrás, e a marota não tinha dúvidas: o rapaz acabara de aparatar bem diante do seu nariz.

– Essa é uma história longa e secreta, mas é para ser contada em outra ocasião. Você não está sozinha aqui, não é? – ele perguntou, mas não esperou resposta, logo conseguiu visualizar o grupo mais adiante – Vem, melhor ficarmos todos juntos. – e começou a andar ao lado da menina, ambos com passos bastante apressados.

Enquanto caminhavam, Arwen sentia um ligeiro rubor tomar suas bochechas, e também um tico de palpitação – fato comum todas as vezes que ela punha os olhos no amigo corvinal. Porém, a despeito dos sintomas adversos que ela experimentava naquele momento, não pôde deixar de reparar na floresta ao seu redor, e de novo, sentiu aquela estranha sensação de já conhecer aquele lugar.

– Boa noite, pessoal. – Belmont cumprimentou os demais ao se aproximarem deles. Todos viraram para trás, sobressaltados com a voz diferente que lhes falava, mas Alexis abriu um sorriso enorme ao reconhecer o recém chegado. O corvinal era seu amigo de infância e companheiro de muitas traquinagens.

– Josh! Que bom te ver por aqui! – Dumbledore o cumprimentou com um abraço de urso – Perdido no meio do mato, pandão? Vejo que você acabou encontrando uma marota fujona… – Alexis finalizou com um olhar de esguelha para a amiga e um sorrisinho estranho que Arwen fingiu não entender.

Belmont fez cara de paisagem, parecendo não ter ouvido o último comentário da amiga. Se apresentou para quem ele não conhecia, e analisando a localização do grupo de colegas e o trajeto dos vândalos no acampamento, considerou que onde estavam, poderiam ficar muito vulneráveis.

– Pessoal, acho que aqui estamos muito expostos.  Creio que podemos nos posicionar mais ao fundo, longe da visibilidade do acampamento. Como desconhecemos o que eles pretendem exatamente, não acredito que seja seguro ficar aqui, nas vistas deles. – o rapaz sugeriu, já avaliando a rota que fariam mais para o interior da floresta.

Todos concordaram, inclusive Seifer, que nem tentou abrir a boca para contestar. Logo o grupo seguia em silêncio, rumo à uma pequena clareira, onde eles se acomodaram sentados no chão, dispostos em círculo. Novamente, a cama de folhas de Callista foi conjurada por Dani Lupin e os garotos puderam descansar um pouco enquanto esperavam pela resolução do tumulto.

Arwen não comentou nada com os demais sobre a forma como encontrara Joseph. Diante da reação do rapaz, ela percebeu que era um segredo e que deveria ficar calada. Dani e Alexis desenhavam no chão com gravetos algo que parecia um jogo da velha. Seifer olhava para os lados e para trás freneticamente, ainda com o rosto pálido e as mãos trêmulas. Gabe puxou uma garrafinha do bolso, que havia conseguido com um bruxo estrangeiro durante a tarde, ao vencer uma aposta, e engoliu o seu conteúdo numa tacada só. O hidromel era muito precioso e em quantidade muito pequena para ser compartilhado com tanta gente. Potter continuava a observar o local intrigadamente, tentando se recordar de onde ela poderia conhecer aquela floresta. E Chris encarava diretamente o corvinal. Ele acabara de reconhecer o rapaz que afrontou o bando mascarado e fora desarmado de imediato.

– Desculpa me intrometer desta forma, mas você conseguiu recuperar sua varinha, Belmont? – Storm interrogou, sem rodeios – Desculpe, não pude deixar de ver o que aconteceu, quando você se aproximou dos caras no acampamento…

– Consegui – Joseph replicou, ríspido – Tentei fazer alguma coisa e, como você viu, falhei miseravelmente. Aqueles caras não estavam de brincadeira, é um bando perigoso.

– Josh querido, desculpa, mas isso de se meter a herói e encarar sozinho um bando de gente bizarra tocando terror num evento público é coisa de grifinório! – Alexis comentou com o amigo– É óbvio que isso não ia prestar!

Antes que Belmont pudesse responder à amiga, o grupo se assustou ao ouvir a voz exaltada de Dani Lupin.

– Gabriel Lupos, o que pensa que está fazendo? Saia já de cima de mim! – enquanto esbravejava, ela tentava se desvencilhar de um Gabe que havia passado o braço em seu ombro e deitado a cabeça no peito da garota, enquanto resmungava falas desconexas.

– Zó zaio se focê casar comigo, donzela de gelo! Lobinha e Lupos, Lupos e Lobinha, olha como zoa bem aos nozzos zouvidos!

– Eu sou uma garota COMPROMETIDA, entendeu? E nem no meu pior pesadelo eu teria qualquer coisa com você, cruza de trasgo com ogro!

– Comprometida, Lobinha? Vozê está namorando? Num sabia, quem é o felizardo? Mas não importa, não sou ciumento… – o garoto insistia, visivelmente alterado.

– Mas meu amado livro de poções é, caia fora! Minha relação com ele é muito séria! E TIRA A MÃO DAÍ!

O clima de tensão foi quebrado pelo ataque de Gabe, visivelmente alterado por causa do hidromel, que causou risos da maioria dos presentes naquele grupo pouco comum. Arwen e Alexis tentavam segurar as gargalhadas e tirar Gabriel de cima da Lobinha antes que ela acertasse o rapaz com um cruzado de direita ou pior, o azarasse.

Tudo aconteceu muito rápido. Num instante, estavam todos rindo e os ruídos do acampamento pareciam estar distantes. No minuto seguinte, os garotos começaram a ouvir gritos desesperados e uma coisa que emitia uma luz verde intensa e brilhante irrompeu no céu, clareando o local onde estavam. Arwen virou a cabeça para cima e viu o crânio enorme subindo no firmamento, com uma cobra saindo da boca como uma língua tenebrosa, envolto em uma nuvem de fumaça esverdeada. A constatação dos fatos caiu sobre ela como um raio. Acabara de se lembrar de onde conhecia aquele lugar. Era a floresta do pesadelo que tivera na noite anterior, e o que ela viu no céu naquele sonho era justamente aquele crânio. Lembrou-se com clareza do pavor que ela sentiu ao ver aquela imagem no pesadelo, mas agora que estava diante dela de verdade, não compreendia o porquê de tanta histeria. Até que ouviu a voz trêmula de Seifer balbuciando alguma coisa e parou para prestar atenção.

– A… marca… Né, quem se importa com a caveira? O Lord da cobra de marca dark… A cobra negra do lord dos crânios.. Não, ninguém tem medo dele, ele já era… Mas o que… O Lord das Trevas…

– Vem Arwen! Snakeheart! Corram! – Dani Lupin apressava os dois, puxando-os, enquanto Josh guiava o grupo em direção à orla da floresta.

Mesmo com o clima tenso, ao perceber Gabe dando no pé junto deles, apesar do hidromel, a Lobinha não se fez de rogada.

– Pois é, né? Até o Gabe que estava mais para lá do que pra cá encontrou as pernas e meteu o pé…

Eles voltaram a correr, desta vez mais rápido do que antes, fazendo o caminho oposto. E antes que pudessem tomar outra trilha e desviar do acampamento, foram interceptados por Liv, Bryan e Andy.

– Graças ao bom Merlin, vocês estão bem. – Liv falou, abraçando a filha e as meninas.

– Pessoal, hora de voltar. Quem quer que tenha conjurado aquilo no céu, afugentou nossos perseguidores de trouxas. – Bryan informou os jovens e seguiu adiante, assumindo o lugar de Belmont no comando do grupo.

Enquanto retornavam, Arwen seguia pensativa. Sentia um incômodo estranho ao lembrar-se do pesadelo. Não foi a primeira vez que ela sonhara coisas que vieram a acontecer de fato, mas em geral eram fatos sem maior importância. E diante da reação de Seifer mencionando o tal Lord e do desespero geral da população bruxa presente no incidente, ela acabou tirando as suas próprias conclusões.

– Mãe, aquilo no céu é a…

– É a Marca Negra, Zoreiudinha. – Dani Lupin completou a frase de Arwen antes que Liv pudesse responder. – Por isso a galera deu no pé desesperada. A propósito, Snakeheart, você… Seifer? Seifer Snakeheart?

Os garotos olharam ao redor e perceberam que Seifer havia sumido.

 

Por Arwen, Josh e pinceladas de Dani Lupin

Coração de cobra

Copa Mundial de Quadribol – parte 4 

 

Tão logo o grupo formado por Arwen, Alexis, Dani Lupin, Gabe e Chris levando uma Callista desacordada conseguiu alcançar a orla da floresta, eles se depararam com a figura de um rapaz moreno e de aparência ligeiramente arrogante que estava recostado numa das árvores, com os braços cruzados diante do tórax, observando de modo até um pouco divertido, o desespero do povo em debandada.

– Onde os bobocas vão correndo desse jeito? Com medinho deles, é? Pensei que grifinórios fossem mais corajosos… – ele provocou Arwen e Alexis, saindo finalmente do conforto do seu tronco de árvore e se postando no caminho das meninas – Ah, mas que coisa! Tem um sonserino aqui no meio! O que você faz com esse pessoal, Lupos? Perdeu o juízo, foi?

– Dá licença, Snakeheart – Arwen falou, tentando manter o controle diante da situação. Ela não tinha nada contra Seifer, nem contra nenhum outro sonserino assim, de forma gratuita, mas definitivamente aquele não era momento para conversa fiada.

– E ainda tem uma corvinal ali no meio. Tsc tsc, povinho mal acompanhado, hein? – o sonserino continuou provocando, e virou-se para os dois garotos do grupo – Se eu fosse vocês, escolhiam melhor com quem andar, rapazes.

– Respeito é bom e conserva os dentes, Snakeheart. Agora some daqui! – Alexis estava perdendo a paciência com o garoto. Ela parou diante dele e o encarou com visível ar de afronta, a mão já no bolso da calça segurando a sua varinha, para o caso de precisar sacá-la rapidamente.

Antes que o sonserino empacado pudesse pensar em responder à altura, Gabriel tentou apressar a galera, empurrando a turma para adiante.

– Gente, é melhor corrermos, aqueles malucos estão colocando fogo em tudo o que vêem pelo caminho e estão seguindo nessa direção. Snakeheart, outra hora nós conversamos, o negócio aqui parece sério…

O sangue de repente pareceu sumir da face de Seifer. Como assim, estavam vindo na direção onde eles estavam? Ele desviou para o lado, deixando o grupo passar apressado, mas ao verificar que Lupos dissera a verdade, se pôs a correr atrás deles.

– Ei, esperem por mim!

– Mudou de idéia, foi filhote de ogro? – Dani Lupin espetou o moreno – Quem é que está com medinho agora mesmo?

– Medinho?! Ehr… Quem está com medo aqui? – Seifer suava frio, passando a mão nervosamente na testa – Quem tem medo de uns malucos fora de si encapuzados e mascarados que gostam de artes das trevas? É, quem falou em medo aqui? Ninguém tem medo deles, quem tem medo de capuz de trouxas com varinhas? Quem tem trevas de máscara viradas de cabeça pra baixo no ar de capuz do Lord? Ninguém, não estou vendo ninguém.

Alexis revirou os olhos, impaciente, enquanto os demais ouviam o monólogo nervoso de Snakeheart sem entender patavinas. O que diachos havia acontecido com o garoto para que ele, de repente, parasse de falar coisa com coisa? Enquanto isso, as pernas de Seifer tremiam como varas de bambu ao vento. É verdade que todos estavam assustados com a cena doentia que presenciavam, mas não entendiam o porquê da reação repentinamente exarcerbada do sonserino.

Eles correram mais um pouco e finalmente conseguiram um local aparentemente resguardado, mas que ainda oferecia visibilidade do que acontecia nos acampamentos. Dani conjurou uma cama de folhas para Chris repousar sua mãe, ainda desmaiada, e os seis se puseram a assistir as atrocidades que aconteciam mais ao longe.

Como que impulsionada por uma força desconhecida, Arwen virou-se para trás e viu apenas o breu da floresta. Uma estranha sensação de déjà vu percorreu a mente da garota, que acabou por desgarrar-se momentaneamente do grupo, indo mais para dentro da mata. Não se afastou muito e os demais não perceberam que ela havia saído de perto deles. A marota fixou o olhar num determinado ponto, que sabe-se lá porque chamou a sua atenção, e empunhou a varinha, enquanto dava mais alguns passos para o interior da floresta.

– Lumus! – e a luz suave vinda da varinha de Arwen iluminou fracamente o ponto que ela fixava.

Crack.

No local que a garota observava, apareceu repentinamente um rapaz alto, de cabelos e olhos escuros, que se sobressaltou quando se viu sendo observado, como se a menina diante de si esperasse que ele aparecesse ali, exatamente naquele momento. E antes que ela pudesse gritar de susto ou falar alguma coisa, ele colocou dedo indicador na frente dos lábios de Arwen, pedindo silenciosamente que ela não fizesse barulho.

(continua)

 

Por todo mundo aí em cima.

O começo do caos

Copa Mundial de Quadribol – parte 3

 

– Gente, que jogo… bizarro! – Alexis não se cansava de repetir, enquanto caminhavam de volta para o acampamento, após o fim do jogo – Como assim, a Irlanda não pega o pomo, mas vence a partida? Eu sei que o Krum provavelmente percebeu que não ganhariam de modo algum e por isso encerrou o jogo de qualquer jeito, mas ainda assim, o final foi simplesmente bi-zar-ro.

– Também achei. – Arwen concordou com a amiga – Mas veja pelo lado bom, o jogo foi realmente empolgante. E um pouco violento, vocês não acharam? Bem, mas era de se esperar… Afinal, é final de Copa Mundial, né.

– É, o que não era de se esperar era o senhor Storm, tão bonzinho e comportado, tentando pular arquibancada abaixo quando as veelas entraram em campo… – Dani Lupin implicou com o garoto, que corou completamente as bochechas diante do comentário da Lobinha.

– Ei, não foi por querer! – ele tentava se justificar a todo custo, ainda muito constrangido pelo papelão – Quando dei por mim, vocês já estavam me puxando de volta.

E enquanto riam e caçoavam do pobre Storm por causa do incidente com as veelas, eles andavam no meio da multidão que retornava aos acampamentos cantarolando desafinadamente, e podiam observar os leprechauns que ainda sobrevoavam o local sacudindo as lanternas.

Ao chegarem de volta em sua barraca, eles constataram que estavam completamente sem sono e que não conseguiriam dormir. E isso incluía os adultos. Sendo assim, Bryan, o pai de Arwen, acendeu uma aconchegante fogueira e os quatro jovens assaram marshmallows, no mais puro estilo trouxa, enquanto os adultos conversavam no interior da barraca. O papo rolava solto e animado do lado de fora em torno da fogueira, quando um garoto se aproximou da turma.

– Mas que surpresa encontrar vocês por aqui!

Ao ouvir a voz do recém chegado atrás de si, Dani Lupin revirou os olhos. Não podia ser, Merlin não seria tão rude com ela a ponto de estragar seu fim de noite daquele jeito. Enquanto isso, os outros três viraram-se para trás e Arwen exclamou:

– Gabe!!! – Arwen cumprimentou o amigo sonserino. Ela e Alexis gostavam muito dele, apesar de viverem se engalfinhando, mas ele e a Lobinha realmente não se bicavam.

– O povo da minha barraca já foi dormir, e eu estou sem sono. – o garoto falou, já sentando em volta da fogueira, exatamente entre Arwen e Dani Lupin, e se servindo de um espeto de marshmallows para assar – Prazer, meu nome é Gabriel Lupos. – ele finalizou se apresentando ao outro garoto do grupo, que ele não conhecia.

– Alguém pode me dizer quem convidou o filhote de trasgo para sentar aqui com a gente? – Dani resmungava entre os dentes.

– Gabriel Lupos não precisa de convite, reconhece os amigos e se junta ao bando. – ele respondeu alfinetando a menina.

– Ehr… que legal encontrar você por aqui, Gabezito! – Arwen tentou emendar uma conversa para quebrar o clima adverso que pairava entre eles – O que achou da partida? Alexis e eu estávamos comentando que o jogo foi muito bom, mas o final foi bizarro, você não achou?

– Con*chomp*cordo – ele respondeu, de boca cheia.

A Avoada bufou, visivelmente aborrecida. Tratou de pegar seu livro de Feitiços, que graças a Merlin, ela havia levado na mochila, e enfiou a cara nele.

– Pois é, a gente vem de longe, fica um tempão sem ver esse povo, e o que eles fazem? Enfiam as fuças num livro de feitiços, em plena Copa Mundial de Quadribol… – Gabe provocou Lupin mais um pouco.

A troca de amabilidades entre Lupos e Dani e a tagarelice dos demais seguiram animadas madrugada adentro. Os outros deram os ombros, não podiam vencê-los, então trataram de se divertir, apesar da visível contrariedade da Lobinha ao ter que suportar Gabe sentado entre eles e, ainda por cima, comendo os seus preciosos marshmallows.

De repente, a cantoria desafinada que imperava no acampamento foi substituída por gritos desesperados e pelo som ensurdecedor de um tropel de gente correndo. Eles pararam a bagunça que faziam e os quatro adultos saíram da barraca aos galopes para ver o que estava acontecendo. O povo corria em direção a floresta e eles puderam ver mais adiante, um grupo de pessoas encapuzadas e mascaradas, com as varinhas em punho, apontadas para quatro pessoas que flutuavam no ar acima deles, se debatendo grotescamente. Eles avançavam com rapidez e incendiavam algumas barracas que encontravam pelo caminho.

Ao notar o grupo que se divertia causando o tumulto, Andy e Liv se encararam seriamente, e sem trocar sequer uma única palavra, já sabiam o que deveriam fazer. A medibruxa apontou a varinha para Callista, que estava visivelmente aterrorizada com a cena, e ela perdeu os sentidos, sendo amparada pelo marido.

– Meninos, corram para a floresta e fiquem juntos! – Bryan ordenou aos mais novos – Andy, você vem comigo?

– Chris, cuide de sua mãe até voltarmos, vamos ajudar o pessoal do Ministério. Leve-a com vocês. Agora vão, e fiquem lá até que possamos voltar para buscá-los.

Os meninos se puseram a correr, Chris levando Callista adormecida. Antes de entrar na floresta, ele virou-se para trás para olhar de novo a cena bizarra, e seus olhos se voltaram para um rapaz alto, de cabelos escuros, que se aproximou do bando funesto apontando a varinha para eles, sendo imediatamente desarmado por um dos vândalos.

– Belas barbas de Merlin, que cara louco! – ele falou alto, chamando a atenção de Arwen, que já estava mais à frente.

– Chris, o que você ainda está fazendo aí? Vem logo! – a menina apressou o amigo, que virou-se para olhá-la e quando se voltou outra vez para o grupo de encapuzados, antes de seguir, notou que o rapaz desarmado havia sumido. Meneando negativamente a cabeça, Chris se apressou. Precisava sair dali e levar sua mãe para um local seguro.

(continua)

 

Por todo mundo aí em cima.

MacMillan e McGonagall

Copa Mundial de Quadribol – parte 2

 

Chris Storm estava boquiaberto com a dimensão do evento. E encantado também. Quando as férias começaram, ele não tinha a menor noção de que pararia ali, na final da Copa. Era a primeira vez que ele tinha a oportunidade de vivenciar algo do tipo e estava muito agitado, observando as novidades aqui e ali. Era um mundo de bruxos de diferentes nacionalidades, de hábitos distintos e vestindo-se de maneira bastante peculiar. Ele se divertia ao reparar a inabilidade da população mágica em se disfarçar trouxamente. Apesar de ser filho de pais bruxos (que por sua vez, eram bruxos de pai e mãe), ele usava roupas trouxas nos dias de folga e nas férias, e também seus pais costumavam se vestir assim, de forma que ele não via nenhuma dificuldade em sustentar o disfarce.

– É engraçado ver o pessoal do Ministério tentando conter a excitação do povo bruxo a todo custo. – Dani Lupin comentou vagamente – Como se eles pudessem fazer a galera sossegar, com essa animação toda que vemos aqui. – ela finalizou enquanto observava um grande grupo de adolescentes estrangeiros soltando uma enorme carga de fogos Filibusteiro (ou algo parecido com isso), que desenhavam formas diversas no ar.

– É verdade… – Arwen foi obrigada a concordar. Em todo lugar era notória a ostentação da magia. Ela não conseguia entender como o Ministério da Magia ainda tinha esperanças de que o povo disfarçasse, já que ninguém, além deles (do Ministério), parecia nem um pouco interessado na segurança anti trouxa.

Mais adiante de onde caminhavam, viram um grupo de barracas búlgaras exbindo enormes pôsteres que se mexiam, muitos deles do mesmo jogador – o famoso e carrancudo Vitor Krum. Além disso, crianças pequenas voavam em vassouras de brinquedo, as maiores duelavam com varinhas falsas, e haviam nos arredores tendas francamente incomuns perante os trouxas – com torres, chaminés, cataventos e tudo o mais. Uma delas tinha até um pequeno lago com simpáticos patinhos se banhando alegremente.

Arwen despertou de seu estupor, enquanto observava os patos, por uma voz conhecida, que gritou seu nome. Virou-se para trás e viu Bill MacMillan acenando para ela ao longe.

– Bill!!! – a menina gritou acenando de volta, e caminhou rapidamente até ele. Os demais a seguiram e Alexis e Dani também se apressaram em abraçar o amigo. Tão logo elas se aproximaram do garoto, puderam reparar que ele não estava sozinho, mas acompanhado de uma mocinha de cabelos castanhos dourado e grandes olhos verdes muito vivos. Bill, por sua vez, também reparou a presença do rapaz que acompanhava a marotada.

– Gente, deixa eu apresentar, essa aqui é Misty McGonagall, minha vizinha e amiga de infância, que estuda em Beauxbatons.

As meninas encararam a garota, bastante curiosas. McGonagall??? Teriam ouvido direito? Elas ficaram embasbacadas olhando para a jovem, e tão logo perceberam que estavam encarando a mocinha, se lembraram da educação que lhes fora dada com tanto esmero e cumprimentaram-na adequadamente, como manda o figurino.

– Muito prazer – Alexis retribuiu o cumprimento da menina, também estendendo-lhe a mão, e emendou muito diretamente – Me permita a indiscrição… Por acaso você tem algum parentesco com a nossa magnânima professora de Transfiguração?

A amiga do Bill, mirando as meninas de cima embaixo, respondeu simpática:

– Sim, ela minha tia. Meu pai é irmão caçula da tia Minie.

– Tia Minie??? – Dani Lupin tentava conter o riso para não parecer mal educada aos olhos da estranha.

– Ah, gente, esse aqui é Chris Storm, meu amigo, ele está entrando em Hogwarts esse ano… – Arwen tratou de apresentar o rapaz rapidamente. Primeiro porque era necessário (estavam todos se apresentando e Bill não o conhecia, oras). E segundo, para desviar o assunto da “tia Minie” antes que elas caíssem na gargalhada ali e fizessem um papelão diante da amiga de MacMillan.

Depois dos cumprimentos de praxe, os garotos se despediram de Bill e Misty e continuaram a circular nos acampamentos. A tarde passou rapidamente enquanto eles se divertiam, conversavam, compravam tranqueiras e mastigavam com avidez as guloseimas que encontravam no caminho. Com a proximidade do crepúsculo, eles retornaram para o barraca, onde os adultos os aguardavam já prontos para assistir a tão esperada partida de quadribol. Era muito bonito de se ver o local à noite, com os sinais inconfundíveis de magia que irrompiam por todo o lugar, cada vez mais frequentes na medida em que a hora do jogo se aproximava.

(continua)

 

Por Arwen/Chris

Zarpando!

Copa Mundial de Quadribol – parte 1 

 

Mal o dia amanheceu e as três marotas já haviam pulado fora de suas camas. Desceram correndo as escadas rumo à sala de jantar, para dar início a mais uma das famosas Guerras Panquecóides. Chris Storm provavelmente ainda dormia a sono alto, já que o garoto não se encontrava nas imediações. Na verdade, apenas Liv, mãe de Arwen, encontrava-se já de pé. E com a aparência de quem não havia pregado os olhos durante a noite. Sentada junto à pequena mesa da cozinha, ela sorvia lentamente uma xícara de café forte e sem açúcar, esperançosa de que o líquido negro servisse como uma injeção de ânimo para suportar acordada o longo dia que teriam.

Um dos motivos de sua insônia fora o pesadelo de Arwen. A menina não contou o que sonhara, alegando ter esquecido grande parte do sonho quando acordou (o que era verdade). Mas a causa de sua preocupação era a frequência com que ela vinha tendo esses pesadelos nas últimas semanas. Definitivamente, aquilo não era normal. A mulher saiu de seus devaneios ao notar o pequeno grupo de furacões que adentrara a sua cozinha de sopetão. Arwen, Alexis e Dani chegaram aos risos e fazendo muita algazarra. Liv sorriu. Parecia, ao observá-las, que o episódio da noite anterior não havia acontecido.

– Bom dia, meninas.

As garotas retribuiram o cumprimento se empoleirando na mamãe Potter.

– Mãe, cadê todo mundo? – Arwen perguntou, um tanto exasperada – Já não era para estarmos todos prontos?

A jovem senhora riu da impaciência da filha.

– Não querida, nós só sairemos depois do almoço. Como somos quatro adultos e quatro adolescentes, não precisamos de pegar a chave de portal do Ministério. Podemos partir mais tarde, sem afobação.

Alexis suspirou profundamente.

– Fazer o que… Serei obrigada a comer as minhas panquecas queridas com a calma, a paz e a serenidade que elas merecem…

– Alto lá. – Dani interveio – Calma, paz e serenidade não são palavras que devam ser utilizadas para designar o momento em que você TENTA degustar as NOSSAS panquecas, com os três conquistadores (Chris foi compulsoriamente incluso na marotice das meninas) das Terras Panquecolíticas na áera! Ao ataqueeeeee!

Liv suspirou.

– Pelo visto, teremos outra guerra de comida no café da manhã de hoje, não?

– Ahn… sim? – as três responderam em uníssono e aos risos.

Após o almoço, o grupo de oito pessoas se reuniu na sala de estar da casa dos Potter, todos com mochilas e equipamentos montados às costas, prontos para partir.

– Meninos, vamos nos dividir em pares, ok? – Bryan, o pai de Arwen, dava as instruções aos mais novos – Arwen e Liv, Chris e Cal, Dani e Andy e Alexis, você vem comigo. Segurem bem firme no braço de seu par. Quando eu disser três. Um… dois… TRÊS!

Imediatamente Arwen se sentiu sendo sugada por uma mangueira bastante apertada. O ar lhe faltava e parecia que ao final daquela viagem bizarra, ela teria perdido um pedaço do corpo por causa da pressão. Foi quando subitamente, a sensação desagradável desapareceu e ela se viu de braço dado com a mãe numa grande e barulhenta floresta.

– Caramba, tio Bryan. O que foi isso? – Alexis perguntava ainda zonza e com dor de cabeça – Nós aparatamos???

Ele riu.

– Sim e não. Vocês são menores de idade e não podem aparatar sozinhos, mas podem fazê-lo se estiverem acompanhados por um adulto. Achei que seria melhor virmos assim do que nos levantarmos de madrugada para pegar a chave de portal, como fizeram os Diggory e os Weasley.

A explicação de Bryan foi interrompida por um bruxo atarracado de meia idade, vestindo roupas trouxas. Uma combinação de roupas bastante infeliz, aliás. Ele trajava calça jeans, uma bata florida, cachecol, luvas, botas de cano longo e uma saia curta por cima das calças. Ah sim, e óculos escuros estilo aviador. Os garotos tiveram que segurar o riso para não serem indelicados.

– Credenciais, por favor? Ah, olá Potter! – o bruxo ministerial cumprimentou o líder do grupo – Bela família, hein? Vamos, deixe-me dar baixa nos seus tickets. – Bryan entregou o maço de bilhetes na mão do funcionário, que finalizou indicando o que deveriam fazer a seguir – Podem ir por ali, naquela trilha, e no fim dela, vocês devem procurar pelo dono do seu acampamento, o sr. Roberts. Trouxa estranho, aquele… Bem, tenham uma boa diversão! E que vença a Irlanda!

Bryan e os demais cumprimentaram o bruxo e se afastaram, seguindo pelo caminho indicado por ele. Conforme o homem informou, no fim da trilha encontraram um trouxa com ar bastante desconfiado, observando o grande movimento de pessoas estranhas num acampamento habitualmente pouco frequentado. Por sorte, Potter nascera trouxa e sabia lidar perfeitamente bem com esse tipo de situação.

– É por ali – o moço indicou com a cabeça, após checar os papéis apresentados pelo pai de Arwen e receber o pagamento adiantado – É só procurar pela placa com a indicação de sua reserva.

Eles agradeceram e seguiram para o local indicado. Bryan ficou satisfeito com o que viu.

– Estamos muito bem localizados! Bem perto do campo. – ele comentou esfregando as mãos uma na outra. – Agora meninos, ao trabalho!

Eles se puseram a trabalhar, mas não sem o barulho e a algazarra dos mais novos, que nunca haviam acampado. Algum tempo depois e após algum esforço (eles não usaram magia para montar a barraca), a grande tenda se erguia pomposa entre as demais.

Os meninos correram para dentro para guardar suas bagagens e poucos minutos depois já estavam novamente do lado de fora. Queriam aproveitar para perambular no meio do povo nas horas que antecediam o jogo.

Callista era a mais calada do grupo. Não que não estivesse gostando da idéia de estar ali, mas encarar aquela multidão a fazia recordar de seu antigo problema– a claustrofobia. Havia muitos anos que ela não precisava mais da poção especial que a mantinha sob controle, mas estar naquele local abarrotado de gente a deixava um pouco apreensiva. Por isso, de vez em quando, ela se agarrava à mão do marido, apertando-a com força. Na verdade, se ela pudesse, não acompanharia o jogo ao vivo, mas sim, pela TV bruxa local. No entanto, ela sentia que devia isso ao filho, precisava vencer seus traumas por ele. Andy, por sua vez, apenas sorria para ela, encorajando-a. Ele estava felicíssimo por aquele momento de diversão em família e pela forma como ela estava encarando toda a situação, muito melhor do que ambos esperavam.

– Pessoal, a gente vai dar uma volta por aí, tudo bem? – Arwen avisava os adultos da peregrinação que fariam os quatro curiosos.

E sem esperar resposta, ela, Alexis, Dani e Chris se afastaram da barraca e se puseram a circular no meio da muvuca.

(continua)

 

Por Arwen e Chris