Deconstruction

Continuação de Arrogance.

 

Alexis estava bastante irritada com a investida do amigo, porém mais irritada ainda por perceber que ele estava perdendo as estribeiras. Virou-se de costas para o sonserino e voltou a beliscar o seu pudim, fingindo que ele não estava por ali. Daryl, por sua vez, apesar de acostumado a levar dispensadas de algumas garotas, e ultimamente, várias de Alexis, perdeu a paciência de vez. Deu uma vislumbrada ao redor e reparou que praticamente o salão inteiro parara para ouvir a discussão mais acalorada. Aproveitando a deixa, decidiu sem pensar muito, colocar as coisas às claras ali mesmo, conforme a marota o havia desafiado.

– Sabe, não consigo entender o porquê de tanta manha! Nós dois sabemos que você está caidinha por mim, até o Storm já entendeu! – Ao ouvir seu nome, Chris levantou o rosto com uma expressão confusa, sem saber o que dizer, se é que deveria dizer algo. – Por que tanta pirraça? Pelos deuses, está pra existir menina mais teimosa que você, Alexis, parece um hipogrifo empacado!

Aquilo foi demais. Alexis, outrora uma menina de pele pálida, sentiu o sangue borbulhar e tingir as faces de vermelho. Sentia fumaça saindo-lhe pelas orelhas e as palavras lhe fugiram dos lábios. A escola inteira a encarava, mas a pior parte dos expectadores eram os sonserinos, que assistiam à cena com cara de nojo. Tudo o que ela conseguiu dizer e fazer dali por diante foi automático e impensado, como se espera de um grifinório nato sob pressão.

– Seu… seu… IDIOTA ATREVIDO!

E de repente, Daryl estava com o lindo rostinho coberto de pudim de baunilha, que escorria por sua pele, pingando e melando as vestes. Num ataque de fúria, a marota virou-lhe a sobremesa nas fuças sem pestanejar, e também sem pensar, levantou-se bruscamente da mesa da Grifinória, seguindo rumo a sua sala comunal em passos marcados, pisando alto como se estivesse marchando, as bochechas ainda muito rubras, resmungando e grunhindo.

– Que absurdo! Aquele parvo… e eu… blasfêmia! Nunca! Audacioso! Pavão convencido de uma figa! Trasgo de chocadeira! ARGH!

Daryl por sua vez, se afastou da mesa da Grifinória e seguiu para as masmorras enquanto limpava o rosto com a manga da camisa, também pisando alto, e sem falar com ninguém.

Arwen e Chris se entreolharam preocupados. De alguma forma, a marota sabia que o que o amigo sonserino dissera muito provavelmente fosse mesmo verdade, ainda que Alexis nunca tenha lhe dito coisa alguma a respeito. Mas ela tinha que admitir que dessa vez, ele pegara muito pesado com Irritadinha, e se ela estivesse certa em suas suspeitas, provavelmente Daryl deixara as coisas muito piores para ambos.

– A coisa hoje foi feia, não? – Chris comentou, finalizando com um assovio baixo.

– E põe feia nisso, mais feia que Filch dançando a conga. Vou tentar falar com Alexis. – Arwen se levantou, disposta a seguir a amiga, e Storm imitou o gesto. Ambos rumaram também aos galopes para sua sala comunal, na tentativa de acalmar a amiga zangada. Depois, num outro tempo, tentariam abordar Daryl, que no momento estava inacessível, enfurnado nas masmorras da Sonserina, provavelmente tão furioso quanto a grifinória irritada.